Sair do armário no trabalho


A questão da sexualidade no ambiente de trabalho ainda é um tabu em muitas organizações. Tirando algumas multinacionais que replicam por aqui as políticas de diversidade adotadas nas matrizes norte-americanas e europeias, a maioria das empresas tem dificuldade em tratar deste assunto com tranquilidade. O resultado é um ambiente de comentários maldosos, gays e lésbicas acuados e baixos níveis de produtividade.
Pesquisa da ONG OutNow realizada em 11 países confirma esta realidade. Se na Austrália 51% dos funcionários LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) são totalmente open no trabalho, no Brasil o número cai para 35% – e na Índia despenca para 8%.
Nós ostentamos ainda o incômodo título de campeões em homofobia no trabalho: 68% dos funcionários gays e lésbicas já ouviram comentários preconceituosos, muitas vezes disfarçados de piada, nas organizações.
Entre os 968 LGBT brasileiros entrevistados nesta pesquisa, apenas 25% dos gays acreditam que seus ambientes de trabalho são totalmente livres de homofobia. Entre as lésbicas, a situação piora: só 20% delas afirmam trabalhar em ambientes sem preconceitos. As pessoas trans têm acesso tão limitado ao mercado que a OutNow encontrou apenas três delas atuando em organizações no Brasil.
Com dados tão desanimadores, não é de se estranhar que tantos gays e lésbicas queiram mudar de emprego. Imagine a pressão psicológica que é passar a maior parte do dia num ambiente opressor e desrespeitoso.
Vamos fazer um exercício de empatia: imagine você, leitor (a) heterossexual, chegar à empresa na segunda-feira e não se sentir à vontade para falar sobre seu fim de semana, não poder colocar uma foto do seu (sua) companheira (o) na mesa de trabalho ou, pior, se policiar o tempo todo para mudar o gênero do seu amor. Chamar “ele” de “ela” é uma estratégia de sobrevivência bastante comum nas organizações.
O resultado de tanta opressão impacta nas contas da empresa: entre os LGBT assumidos, 75% acreditam que são produtivos no trabalho. Entre os que estão closeted, o número cai para 46%.
Não se trata, é claro, de tirar ninguém do armário à força. Muito pelo contrário. Mas é preciso criar condições objetivas (extensão de benefícios, treinamento em diversidade, sistema de ouvidoria eficiente) e garantir um ambiente mais acolhedor. Isso envolve uma profunda mudança na cultura da organização. Dá trabalho, mas os resultados compensam.
O mesmo estudo da OutNow estima – baseado em produtividade, turnover e processos judiciais – que a homofobia custa US$405 milhões à economia brasileira anualmente. Se o seu CEO precisa de números para se convencer a apostar em políticas de diversidade, dê um jeito deste artigo chegar até ele. Sua empresa agradece.
ARTIGOS E COLUNAS
Luis Alcubierre A IA influencia stakeholders, mas não é um delesLeila Gasparindo Liderança comunicadora também é liderança de pensamentoPaulo Nassar Presença, mas com qualidade
Destaques
- Em live, Aberje e Ponto MAP exploram por que a reputação continua decidindo quem merece confiança
- Diretor-executivo da Aberje conversa com José Miguel Wisnik sobre brasilidade, futebol e poder
- Mestrado Profissional em Comunicação Digital e Cultura de Dados registra procura recorde para terceira turma
Notícias do Mercado
- Executivo de Valor reconhece empresas associadas à Aberje
- Novo relatório da Ipsos traz conexão emocional como fator de fidelização
- ECA-USP celebra 60 anos com programação cultural gratuita em São Paulo






























