BHP, Gerdau e Cortex mostram no Aberje Trends que Relações Governamentais começam antes das crises

Em um cenário marcado pela fragmentação do debate público, pela multiplicação de stakeholders e pelo aumento da complexidade regulatória, as áreas de Relações Governamentais ampliam sua atuação para além da interlocução com o poder público e passam a ocupar posição estratégica na construção de legitimidade das organizações. Essa foi a tônica do painel “Cultura, política e mediação de conflitos: o profissional de relações governamentais no centro da estratégia corporativa”, realizado durante o Aberje Trends 2026, na última segunda-feira (22), no Teatro MASP, em São Paulo. O encontro integrou a programação do evento, dedicada a discutir como a comunicação corporativa transforma confiança, legitimidade e credibilidade em ativos mensuráveis para o desempenho das organizações.
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O debate reuniu Fernanda Lavarello, head de Assuntos Corporativos e Comunicações da BHP no Brasil; Marcos Cantarino, gerente de Relações Institucionais da Gerdau; e Cláudio Bruno, diretor de Inovação da Cortex; e foi mediado por Claudia Tozetto, head de Comunicação do Google no Brasil.
Fernanda Lavarello destacou que a integração entre comunicação e relações governamentais amplia a capacidade das organizações de interpretar cenários complexos e construir respostas coerentes. “Relações Governamentais é uma bússola estratégica. Não entra só na crise, garante coerência em cenários instáveis”, afirmou. Segundo ela, a atividade coordena interesses que não se articulam espontaneamente, conciliando diferentes ritmos institucionais por meio de diálogo, leitura de contexto e construção permanente de relacionamentos. “Trabalhamos com dados, com escuta e com diálogo, mas isso não substitui o engajamento presencial”, acrescentou.

Na Gerdau, Marcos Cantarino ressaltou que a atuação da área atravessa diferentes níveis técnicos e institucionais. Em um setor sem agência reguladora específica, explicou que a articulação envolve uma cadeia extensa de atores e exige estratégias distintas nas esferas federal, estadual e municipal. “A área visa usar a reputação para influenciar”, afirmou. Como exemplo, citou o patrocínio ao Rock in Rio, utilizado para ampliar a visibilidade da cadeia da reciclagem e fortalecer um debate estratégico para a indústria e para a transição energética.
Cláudio Bruno observou que o contexto atual exige novas formas de compreender a opinião pública. “A disputa atual é por interpretação da realidade”, afirmou. Para ele, o consenso tornou-se cada vez mais raro, tornando insuficientes análises baseadas apenas na cobertura da imprensa. Segundo o executivo, monitoramento de dados, segmentação de públicos e análise de risco reputacional passaram a integrar o processo de tomada de decisão nas organizações.
Dados, IA e relacionamento fortalecem a atuação institucional
Ao longo do debate, os participantes defenderam que inteligência artificial e análise de dados fortalecem a atuação de Relações Governamentais, mas não substituem o relacionamento humano.
Para Cláudio Bruno, as organizações já dispõem de metodologias capazes de mensurar riscos políticos e reputacionais com maior precisão. “Temos técnicas cada vez mais complexas e melhores, e a IA ajuda nesse sentido”, afirmou. Ao mesmo tempo, ressaltou que compreender pessoas, mapear influenciadores e interpretar o funcionamento dos ecossistemas sociais continua sendo uma atividade essencialmente humana.

Marcos Cantarino avaliou que a inteligência artificial amplia produtividade e libera tempo para atividades estratégicas, mas destacou que a articulação institucional permanece baseada na construção de confiança. “Na indústria, o processo de articulação ainda é muito importante”, disse. Segundo ele, cada organização precisa estabelecer princípios claros de atuação para orientar decisões diante de diferentes contextos políticos e regulatórios.
Fernanda reforçou que coerência deve orientar toda a atuação institucional, especialmente quando diferentes stakeholders possuem expectativas e tempos distintos. Ao citar a experiência da BHP nos processos de reparação relacionados a Mariana, explicou que a articulação entre empresa e poder público exigiu construir consensos mínimos para garantir que a população recebesse informações sobre o andamento das ações. “Tem que ajustar tempos e encontrar pontos de convergência”, afirmou.
Os especialistas também defenderam uma aproximação cada vez maior entre Comunicação e Relações Governamentais. Para Marcos, decisões institucionais devem preservar permanentemente a reputação das organizações. Cláudio acrescentou que a inteligência de dados permite antecipar tendências e pautar discussões estratégicas, desde que acompanhada de monitoramento contínuo e compreensão qualificada dos diferentes segmentos da sociedade.
O Aberje Trends 2026 teve patrocínio master da B3; patrocínio da ArcelorMittal, BHP, Gerdau, Itaú Unibanco, LATAM Airlines, Stellantis e Vale; apoio da Cortex, CPFL Energia, FGV Comunicação, Natura e Toyota; e parceria de mídia da UM BRASIL e Revista PB.
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