Marina Person e Cassiano Elek Machado mostram no Aberje Trends que o Brasil decidiu se ler

A valorização da produção cultural brasileira e a ampliação do interesse do público por histórias que retratam o país estiveram no centro do painel “Comunicação e cultura brasileira: música, cinema e livros”, realizado durante o Aberje Trends 2026, na última segunda-feira (22), no Teatro MASP, em São Paulo. Integrando a programação dedicada ao papel da comunicação na construção de confiança, legitimidade e reputação, o debate apontou o fortalecimento do cinema e da literatura nacionais como reflexo de uma mudança na forma como os brasileiros enxergam a própria cultura.
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Mediado por Tato Carbonaro, diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Fundação de Apoio ao Museu Paulista (Museu do Ipiranga), o painel reuniu a apresentadora, cineasta e atriz Marina Person e o diretor editorial da Editora Record, Cassiano Elek Machado.

Ao revisitar sua trajetória profissional, Marina Person lembrou que iniciou a carreira em um período de baixa produção cinematográfica no Brasil e acompanhou a retomada do setor nas décadas seguintes. Para ela, o cinema nacional vive hoje um momento de afirmação por contar histórias na própria língua e retratar experiências brasileiras. “Cinema é uma ferramenta de soft power”, afirmou, destacando o investimento contínuo da Coreia do Sul em cultura como exemplo de estratégia nacional. Na avaliação da cineasta, quanto mais o país produz e valoriza suas próprias narrativas, maior é sua capacidade de projetar sua identidade para o mundo.
Cassiano Elek Machado identificou movimento semelhante no mercado editorial. “O Brasil decidiu se ler”, afirmou ao analisar o crescimento recente da literatura brasileira contemporânea. Segundo ele, o sucesso de obras como “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior, e “Tudo é Rio”, de Carla Madeira, rompeu a percepção de que a ficção nacional tinha baixo potencial comercial e abriu espaço para novos autores e novos leitores.
Para o editor, a expansão desse mercado também reflete mudanças sociais. Hoje, os leitores buscam histórias com linguagem acessível, personagens próximos da realidade e diferentes retratos do país. Nesse processo, destacou, mulheres pretas e pardas da classe C passaram a ocupar posição central entre os consumidores de livros, ampliando a diversidade das narrativas e dos públicos.
Ao final do debate, os participantes defenderam maior participação das empresas no fortalecimento da produção cultural brasileira, tanto pelo potencial de ampliar a circulação dessas obras quanto por sua contribuição para a construção da imagem do país no exterior.
O Aberje Trends 2026 teve patrocínio master da B3; patrocínio da ArcelorMittal, BHP, Gerdau, Itaú Unibanco, LATAM Airlines, Stellantis e Vale; apoio da Cortex, CPFL Energia, FGV Comunicação, Natura e Toyota; e parceria de mídia da UM BRASIL e Revista PB.
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