Painel com Suzano e GlobeScan debate como transformar resultados em reputação e confiança

A Suzano e a GlobeScan promoveram, na última terça-feira (04), em São Paulo, o painel “Da Ação à Reputação: como transformar resultados em confiança”. O encontro reuniu representantes de empresas e instituições para discutir como compromissos, práticas e resultados podem se converter em credibilidade e reconhecimento junto aos diferentes públicos. A Suzano é associada à Aberje.
Participaram do painel Ana Costa, vice-presidente de Reputação, Sustentabilidade, Jurídico e Assuntos Corporativos da Natura; Marcela Porto, diretora de Comunicação e Marca da Suzano; e Leonardo Müller, economista-chefe da Aberje. A moderação foi conduzida por Chris Coulter, CEO da GlobeScan. A Natura é mantenedora da Aberje.
Os participantes discutiram a distância que pode existir entre o impacto gerado por uma organização e a percepção de seus stakeholders. A construção de confiança depende de resultados, transparência, clareza e formas consistentes de relacionamento. Esse desafio se amplia em um ambiente marcado por excesso de informações, fragmentação dos públicos, polarização e ceticismo em relação às instituições.
A consistência foi apontada como uma das condições centrais para a construção de uma reputação duradoura. Ela envolve a continuidade das práticas ao longo do tempo, a coerência entre os compromissos assumidos perante diferentes stakeholders e o alinhamento entre propósito, decisões e ações efetivas. Isso não significa eliminar os conflitos entre expectativas, mas tornar claros os critérios utilizados pela organização para administrar escolhas e contradições. A comunicação ajuda a organizar significados, promover a escuta e explicar decisões, mas não substitui a coerência das práticas organizacionais.
Outro ponto abordado foi a interdependência das reputações. A avaliação de uma empresa depende de sua própria atuação, mas també pode ser influenciada pela reputação de seu setor, de sua cadeia de valor, de seus parceiros e dos territórios em que opera. Da mesma forma, a conduta de uma organização pode fortalecer ou comprometer a confiança depositada em outros agentes a ela associados.
O grupo também discutiu o valor econômico da reputação. Acumuladas ao longo do tempo, confiança e credibilidade podem contribuir para reduzir incertezas, riscos e custos de transação, além de ampliar o acesso a recursos e oportunidades. Em situações de crise, a recuperação depende do histórico da organização, do reconhecimento das falhas, da coerência de suas respostas e da capacidade de transformar mudanças internas em evidências percebidas como relevantes por seus públicos.
Para que a reputação seja tratada como ativo estratégico, o tema precisa ser integrado à governança, às métricas e aos processos decisórios. Isso implica incorporar as expectativas dos stakeholders às escolhas da organização, conectar indicadores de percepção às práticas que sustentam a confiança e distribuir a responsabilidade reputacional entre diferentes áreas e níveis de liderança.
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