Por Pro Coletivo*

Não é exagero dizer que os carros com motor a combustão estão com os dias contados e devem desaparecer do mapa em algumas décadas, dando lugar a veículos elétricos e com novas tecnologias, como a de condução autônoma. Na União Europeia, mas também em países como o Japão e em alguns estados norte-americanos, os limites para emissões estão cada vez mais rígidos, o que leva os governos a tomar ações importantes para garantir metas de controle da poluição nas cidades.

O anúncio recente de seis países europeus, que prometem tirar o carro a combustão das ruas até 2040, diz respeito a isso. Muitas nações receberam advertências da União Europeia por sua má qualidade do ar.

E os dados, no mundo todo, infelizmente mostram um cenário irrespirável. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a poluição do ar é responsável por cerca de três milhões de mortes por ano. E a maior parte é causada pela emissão dos carros a combustão. No Brasil, de acordo com pesquisa recente da Universidade de São Paulo, 90% da poluição vem de veículos motorizados, e isso deve causar aproximadamente 250 mil mortes nos próximos quinze anos, 25% delas somente em São Paulo.

Foto: Pro Coletivo

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Gerações futuras

O Reino Unido anunciou no dia 26 de julho que irá banir vendas de carros movidos a diesel e gasolina em 2040. A venda dos veículos híbridos, movidos a um motor elétrico combinado a um de combustão, também deve ser banida. O projeto inclui 255 milhões de libras para ajudar as autoridades locais a lidar com as emissões de dióxido de nitrogênio (NO2) dos veículos a diesel. O ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, afirmou para a rádio BBC que não há mais chances de continuar a usar automóveis movidos a diesel e gasolina. “Não só por causa dos problemas de saúde que causam, mas também porque suas emissões aceleram as mudanças climáticas e danificam nosso planeta e o bem-estar das gerações futuras”, afirmou.

Em comunicado, o Greenpeace declarou acreditar que o governo não vá agir tão rapidamente. “O governo está certo em estabelecer uma data para proibir a venda de motores contaminantes, mas 2040 é tarde demais. Não podemos esperar um quarto de século para agir diante de um problema urgente de saúde pública causado pela contaminação”, disse Areeba Hamid, porta-voz da ONG.

O Bundesrat, conselho federal alemão, votou pela proibição dos motores de combustão interna até 2030. A partir desse ano, todos os carros vendidos na Alemanha deverão ter motores alimentados a eletricidade, hidrogênio ou outras fontes de energia limpa. O incentivo aos veículos elétricos é uma das medidas tomadas para reduzir as emissões de dióxido de carbono na Alemanha em 95% até 2050. Uma possibilidade para acelerar o fim dos carros movidos a gasolina e diesel é aumentar os impostos para os motores de combustão interna. Em 2020, a Alemanha quer que um milhão de carros elétricos circulem no país.

 

Centro livre de carros
Na Noruega, a capital, Oslo, se planeja para tirar de sua região central os carros até 2019. “Nós queremos um centro da cidade livre de carros. Isso será melhor para os pedestres, para os ciclistas e também para os lojistas e comerciantes”, declarou Lan Marie Nguyen Berg, que pertence ao Partido Verde do país e é uma das líderes dessa proposta.

Fazem parte do programa a construção de 60 km de ciclovias e um investimento maciço em transporte público. Ônibus e trens continuarão a servir o centro da cidade, assim como será permitida a entrada de carros com pessoas com deficiência ou em situações de emergência.

A capital da Dinamarca, Copenhague, já conhecida como a capital verde – além dos seus 346 km de ciclovias, ela investe fortemente em ações ligadas à sustentabilidade –, comprometeu-se a ficar neutra em carbono até 2025. Por isso, está desenvolvendo uma rede de estradas para bicicletas, com mais de 500 km de extensão, que conectará os subúrbios até a capital.

A Espanha também assumiu suas intenções em prol da mobilidade. Madrid quer banir carros do seu centro até 2020, e o planejamento urbano inclui o redesenho das ruas mais ocupadas por carros para transformá-las em vias mais lentas, nas quais os pedestres e os ciclistas têm prioridade. A iniciativa faz parte de um plano sustentável de mobilidade que tem como meta restringir bastante o uso do carro na cidade.

 

A colaboração dos fabricantes

A França é outro pais empenhado em trabalhar por cidades saudáveis e sem poluição. Segundo o ministro do Meio Ambiente, Nicolas Hulot, o governo francês quer acabar com a venda de carros movidos a diesel e gasolina no país em 2040 e neutralizar as emissões de carbono dez anos depois. “É uma verdadeira revolução, mas estão reunidas as condições. Nossos próprios fabricantes [de automóveis] têm como incorporar essa promessa, que é também uma questão de saúde pública”, afirmou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, quer continuar com a implementação do pacto para combater a mudança climática depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do acordo histórico alcançado em 2015. De acordo com o presidente da França, a decisão de acabar com a venda de veículos movidos a combustíveis fósseis representa  uma “revolução” e é uma empreitada bastante difícil, mas terá o auxílio da sociedade e da própria indústria. “Os fabricantes de automóveis franceses ajudarão nessa tarefa”, declarou Macron.

*O Pro Coletivo (www.procoletivo.com.br) acredita que é preciso estimular, conscientizar e orientar a escolha das pessoas pelo uso de diferentes modais nos deslocamentos na cidade de São Paulo, proporcionando o bem-estar coletivo.

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