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Ação ambiental ganha reforço com parceria entre municípios da Serra da Mantiqueira

O projeto “Águas da Mantiqueira” ganhou um reforço para a conservação ambiental e de sustentabilidade da região no início de outubro. A ADITM – Associação de Desenvolvimento Integrado do Território da Mantiqueira – assinou um protocolo de intenções apoiando ações de planejamento territorial e conservação da biodiversidade realizadas em Santo Antônio do Pinhal (SP). O acordo, que foi firmado na cidade mineira de Gonçalves entre os prefeitos de Santo Antônio do Pinhal, Clodomiro Júnior; de Sapucaí-Mirim, Jefferson Rennó; de Gonçalves, Luiz Rosa; e da presidente da ADITM, Daniela de Cássio Santos, incentiva ainda a realização do projeto em outros municípios e a implementação de algumas das diretrizes do projeto para a sustentabilidade.

Com a parceria, o projeto ganha fortalecimento institucional como modelo de política pública para toda a Mantiqueira. Nas próximas fases, a pesquisa será expandida para Sapucaí-Mirim (MG) e Gonçalves (MG), municípios que fazem parte das Áreas de Proteção Ambiental (APA) Estadual Sapucaí-Mirim e Estadual Fernão Dias, respectivamente. Em paralelo, a equipe do projeto auxilia a implementação das diretrizes do projeto junto às Secretarias Municipais em Santo Antônio do Pinhal. “Essa parceria estimula a criação de políticas públicas não somente para os municípios nos quais serão realizadas as pesquisas, mas para a região como um todo. A Serra da Mantiqueira é um importante remanescente de Mata Atlântica e sua conservação é estratégica para a manutenção dos serviços ambientais para o sudeste, em especial, o fornecimento de recursos hídricos. Os resultados dos diagnósticos serão divulgados para todos os municípios associados à ADITM, com o objetivo de compartilhar boas práticas e gerar engajamento”, afirma Thaís Guedes, coordenadora do projeto pela Fundação Toyota do Brasil. A Toyota é associada da Aberje.

A realização da pesquisa nos três municípios citados faz parte de uma estratégia da iniciativa, que surgiu em 2017, e se dá pela necessidade da obtenção de variabilidade genética vegetal. Ou seja, é necessária uma quantidade grande de espécies diferentes para garantir condições adequadas para projetos de restauração ecológica, base da sustentabilidade dos serviços ambientais, principalmente a água. “A vegetação natural é a perfeita embalagem para a água. As nascentes de rios importantes da Mantiqueira que abastecem o sistema Cantareira e formam o rio Piracicaba, por exemplo, estão localizadas em Sapucaí-Mirim, onde não há a quantidade de indivíduos ideal para procedimentos de base científica. Assim, a natureza indica a necessidade de uma parceria de municípios vizinhos, entre eles Santo Antônio do Pinhal e Gonçalves”, explica José Roberto Manna, coordenador técnico de campo do projeto.

Tal como aconteceu na primeira fase do projeto na cidade pinhalense, serão realizados em Sapucaí-Mirim (MG) e Gonçalves (MG) levantamentos em biodiversidade, infraestrutura, caracterização socioeconômica, uso e ocupação do solo, legislação, entre outros, com o objetivo de formular diretrizes de desenvolvimento sustentável compatíveis com a região por meio de atividades econômicas como agricultura orgânica e turismo pautado em patrimônios naturais e culturais.

O projeto Águas da Mantiqueira, desenvolvido pela Fundação Toyota do Brasil em parceria com a Fundepag (Fundação do Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio), tem como principal objetivo promover a conservação da biodiversidade por meio do uso planejado de bacias hidrográficas da Serra da Mantiqueira, uma das maiores fontes de água mineral do mundo, abrangendo os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.