
Nos últimos anos, profissionais de sustentabilidade e comunicação acompanharam uma acelerada transformação no ambiente corporativo. Pressões regulatórias, novas demandas de investidores, polarização política, avanços tecnológicos e mudanças nas expectativas da sociedade mudaram profundamente o contexto em que as organizações operam.
E nesse cenário, compreender para onde a agenda ESG está caminhando tornou-se uma necessidade estratégica. É justamente essa leitura que o relatório State of the Sustainability Profession 2026, publicado pela Trellis, busca oferecer.
O estudo reúne a percepção de profissionais que atuam diretamente com sustentabilidade em diferentes organizações e apresenta um retrato bastante revelador do momento atual da área. Mais do que números, os resultados ajudam a compreender como empresas e lideranças estão reposicionando suas prioridades diante de um ambiente cada vez mais complexo.
E os achados merecem atenção.
Menos discurso, mais cautela
Uma das conclusões mais interessantes do estudo é que a sustentabilidade não está desaparecendo das organizações, mas está mudando de linguagem.
Embora o debate público frequentemente sugira um enfraquecimento da agenda, os dados mostram um cenário com mais nuances. Cerca de 57% das organizações mantiveram seus compromissos de sustentabilidade, enquanto 24% afirmam tê-los fortalecido. Além disso, quase metade dos respondentes relatou aumento de orçamento ou ampliação das equipes dedicadas ao tema. Ao mesmo tempo, 63% das organizações afirmam ter reduzido ou reformulado a forma como comunicam suas iniciativas de sustentabilidade.
O dado chama atenção porque revela um movimento que profissionais de comunicação já vêm observando na prática: a preocupação crescente com riscos reputacionais, greenwashing e a necessidade de comprovar resultados antes de comunicar intenções.
Da inspiração para a comprovação
Outro sinal importante apresentado pelo estudo é a mudança de foco das áreas de sustentabilidade.
O fortalecimento de regulamentações, exigências de reporte e mecanismos de governança tem levado muitas empresas a concentrarem esforços em compliance, gestão de riscos e prestação de contas. O levantamento mostra que 58% dos profissionais perceberam aumento dessa prioridade dentro das organizações.
O que isso significa para os profissionais de comunicação?
Para quem atua com comunicação corporativa, reputação e sustentabilidade, o cenário exige uma revisão importante de abordagem. Durante anos, grande parte dos esforços esteve concentrada em sensibilizar públicos e demonstrar compromissos. Hoje, a expectativa é diferente.
Investidores, reguladores, consumidores e demais stakeholders querem compreender riscos, impactos, evidências, governança e resultados concretos. Isso exige uma comunicação mais técnica, mais transparente e mais integrada às estratégias de negócio.
A sustentabilidade continua sendo uma narrativa poderosa, mas ela precisa estar sustentada por dados, processos consistentes e capacidade de prestação de contas.
Talvez o maior desafio da comunicação para Sustentabilidade nos próximos anos seja justamente equilibrar inspiração e credibilidade. O silêncio não protege a reputação e nem a exposição excessiva sem evidências fortalece a confiança.
Um momento de transição, não de retrocesso
Estamos menos diante de um abandono da agenda ESG e mais diante de uma fase de amadurecimento. Uma fase em que a sustentabilidade deixa de ser percebida apenas como diferencial reputacional e passa a ser tratada como elemento de gestão, resiliência e competitividade.
Para profissionais de sustentabilidade e comunicação, compreender essa transição é fundamental. E, nesse contexto, a pergunta não é se a sustentabilidade continuará relevante. A pergunta é: estamos preparados para comunicar, liderar e educar em um contexto em que a sustentabilidade precisa ser cada vez mais demonstrada e não apenas declarada?
O relatório “State of the Sustainability Profession 2026” oferece insights valiosos para quem deseja compreender essa transformação. A leitura é especialmente recomendada para profissionais de comunicação, sustentabilidade, governança e lideranças que buscam entender os desafios e as oportunidades que estão redesenhando o futuro da agenda ESG.
Vale a leitura. E, principalmente, vale a reflexão.
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