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Press room: a importância de as empresas terem a sua

(Imagem: Melinda Gimpel/Unsplash)00

Em tempos de redes sociais, directs e omnichannels da vida, reservar um espaço nas páginas online das empresas e instituições para abrir/manter um relacionamento com a imprensa pode parecer algo démodé.

Contudo, felizmente, ter uma sala de imprensa – ou press room – ainda importa para a reputação de uma companhia. E não só para a imagem.

Mesmo que o jornalismo tenha ganhado outros parceiros na atenção do público e, consequentemente, perdido a relevância que um dia teve para a sociedade, não é raro ver casos em que as empresas sentiram a posteriori o “poder” da imprensa.

Todos conhecemos a história: cliente vê alguma reportagem que é exatamente o core business da empresa dele, com todos os concorrentes… E fica doido de raiva.

Ou, pior cenário, uma crise de imagem é deflagrada e o porta-voz não é encontrado pelos jornalistas simplesmente porque: 1. a companhia não tem um espaço online de contato com a imprensa; 2. a empresa tem um espaço de notícias próprias, mas não disponibiliza um único ponto de contato (e-mail, telefone) da comunicação ou assessoria.

Ambos os cenários são bastante conhecidos pelas agências, mas ainda acontecem.

Pesquisa press room

Um exemplo simples: fiz um levantamento rápido das empresas que são associadas à Aberje, analisando seus sites a fim de descobrir quantos possuem espaços de contatos de imprensa. Nossa hipótese era que, pela associação, naturalmente são empresas com algum nível de proatividade com comunicação externa.

Antes dos dados, para fins metodológicos, vale dizer que quando uma empresa tinha “sucursais” ou “braços” (por ex. Arteris Centrovias e Arteris Fluminense, sem sites independentes para cada um), considerei somente o site principal da Arteris. Caso tivessem sites próprios, considerava ambos. Já as agências de comunicação e fornecedores de comunicação foram descartadas da pesquisa, pela própria natureza destas.

É importante citar ainda que considerei simplesmente os termos “empresa” ou “agência” para o recorte, independentemente se era uma instituição pública, órgão do governo ou uma empresa privada.

Neste cenário específico, cheguei a um total de 288 “empresas associadas”, sendo que 61,4% possuem sala de imprensa (ou semelhantes).

Aprofundando um pouco mais na análise, em metade delas (50,2%) foi possível encontrar o contato da assessoria ou time da comunicação em somente 1 clique ou menos de 1 clique. Ou seja, bem fácil encontrar ou já está na página de abre.

Na outra metade, preocupa um pouco que os contatos estejam a 2 ou 3 cliques – um pormenor que pode atrapalhar a busca por parte dos profissionais da imprensa e gerar ruídos.

Outro dado legal: 81,3% disponibilizam algum e-mail ou telefone de assessoria para o contato (não contabilizei 0800 ou e-mails genéricos). Aqui, geralmente é contato das agências + sala de notícia e afins.

Olhando o inverso: os cerca de 20% que não oferecem contatos frustram àqueles que, eventualmente, os procuram para serem fontes ou comentar algo.

E aqui entra um diferencial importante: para as companhias que não oferecem os contatos, a percepção é que existe uma preferência por salas virtuais que tendem, em sua maioria, a serem locais só de notícias próprias (newsroom), com um pouco de banco de imagem, informações institucionais e clipping.

Não dá para inferir se é estratégia ou falta de uma agência ou departamento de comunicação, porém, em nossa ótica, a falta de um ponto de contato é um risco.

Para terminar, existe ainda uma ligeira preferência (51,9%) por deixar o link para as press rooms no cabeçalho ou parte de cima da página – enquanto o restante é dividido entre hiperlink no pé da página ou, pior escolha, o usuário ter que clicar em um botão para conseguir o link (como um menu que só depois de clicado abre as opções).

Ah! 96% se preocupam em ter algum tipo de sala de imprensa em português e o restante é em inglês.

Algumas conclusões

Neste rápido levantamento, feito de forma meramente informativo e propositivo, conseguimos notar que existem gaps, mesmo entre companhias com inclinação pró-comunicação. Daí não aparece na mídia, o release não sai em nenhum lugar, a empresa não é vista nem lembrada ou é citada negativamente.

E também é oportunidade: os comunicadores podem convencer (e se convencerem) que manter braços de comunicação em várias frentes (imprensa, RP, social media, etc.) é mais que transparência e reputação, é ajuda nos negócios.

Fernanda Lara
Fernanda Lara
Jornalista pela Universidade de Brasília e pós-graduada em Marketing pela Grenoble École de Manegement (França). Fernanda pode ser definida como uma comunicadora especializada em Tecnologia e uma tecnóloga especializada em Comunicação. Após atuar na imprensa, criou o I’M Press, plataforma que reunia mailing de imprensa e distribuição de press releases. Em 2011, mudou-se para São Paulo, onde se uniu ao programador Flávio Morsoletto. Entre 2014 e 2018, a empresa passou por um ciclo crescimento. Em 2019, o I’M Press se fundiu a Maxpress e formou o I’Max, uma plataforma que fomenta negócios para agências de comunicação, com serviços de mailings, disparo, hospedagem de sites, press room e ferramentas de Inbound PR.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

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