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O que os nossos líderes estão esperando?

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Assim que Donald Trump anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris, Elon Musk declarou que não faria mais parte do conselho de empresários que trabalha junto à Casa Branca. “A mudança climática é real. Deixar [o Acordo de] Paris não é bom para a América ou para o mundo”.  Ele foi seguido de outros líderes, como o CEO da The Walt Disney Company.  Satya Nadella, por sua vez, anunciou que os compromissos firmados pela Microsoft estavam mantidos, independente da decisão de Trump. Os riscos de abandonar o Acordo também foram listados em uma Carta Aberta assinada por outras 27 empresas.

Conto essa história porque um grupo de CEOs se manifestou contra uma decisão de um governo, assumindo sua responsabilidade no mundo que vivemos e no planeta que deixaremos para as futuras gerações. Conto essa história porque esses executivos fazem parte de um grupo ainda pequeno de líderes que se comunicam com o público pelas redes sociais.

Compartilham por seus canais não só notícias de suas empresas, mas também revelam um pouco mais sobre a sua personalidade. Ainda que a interação seja pequena, tornam-se um pouco mais “humanos” diante dos funcionários, dos fornecedores, dos consumidores e dos demais públicos de interesse.

De acordo com a consultoria Gagen MacDonald, os líderes empresariais evitam a comunicação:

1 – por entenderem que a sua estratégia de negócio é complexa demais;

2 – por se sentirem desconfortáveis com a falta de controle;

3 – por medo de receber uma pergunta que eles não consigam responder;

4 – por entenderem que seu papel como comunicador é entregar informações e não liderar uma conversa;

5 – por receio de ter que anunciar notícias ruins.

Os motivos levantados pela consultoria são até compreensíveis, mas mostram claramente como as organizações precisam confiar mais em suas áreas de comunicação. Cada um desses argumentos é facilmente derrubado por um bom planejamento estratégico, que inclui, entre outros pontos, a “tradução” da estratégia de negócio em uma história capaz de influenciar todos os públicos, a criação de mensagens para os mais diferentes cenários e o treinamento de comportamento e postura para liderar um diálogo em qualquer situação, on e off-line.

Ter um líder comunicador não é mais uma tendência, é uma necessidade dos tempos turbulentos que vivemos. Dá segurança e motivação para funcionários e fornecedores, reforça vínculos com os consumidores e aponta um caminho em um momento em que o Estado é fonte de descrença. Em outras palavras, faz jus ao real significado da palavra líder.

Estudo da consultoria Willis Towers Watson reforça, ainda, que as companhias mais eficazes em mudanças organizacionais, engajamento e comunicação são também:

● 5x mais eficientes que seus concorrentes
● 20% mais propensos a reportar baixo turnover
● 5x mais chances de ter gerentes que apoiem ativamente a visão da empresa.

Diante das notícias que lemos nos jornais todos os dias, eu me pergunto: o que os nossos líderes estão esperando?

Tatiane Lima
Tatiane Lima
Tatiane Ribeiro Lima é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e tem MBA em Gestão da Comunicação pela Aberje ESEG. Observadora inquieta, é apaixonada pelos bastidores e por ajudar empresas e pessoas a contar a sua história. Escreveu para publicações como a Superinteressante e Revista da TAM e já trabalhou para companhias de pequeno, médio e grande porte em projetos que envolviam de IPOs e campanhas de guerrilha a Defesa do Consumidor e Crises de Reputação e Imagem.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

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