“A nossa missão é dar às pessoas o poder de partilhar e tornar o mundo mais aberto e conectado” – Mark Zuckerberg

Mark Zuckerberg (Imagem: Facebook/Arquivo pessoal)

Mark Zuckerberg (Imagem: Facebook/Arquivo pessoal)

Hoje Mark Zuckerberg está na capa de diversas revistas, realizam-se constantes debates sobre o Facebook dentro e fora da internet e existe até um filme (“A rede social”) que conta parte da sua história. Mesmo assim, poucas vezes se faz uma reflexão um pouco mais profunda sobre o que realmente é possível aprender com o exemplo de um dos grandes empreendedores deste século. Aqui faremos uma tentativa nessa direção (você pode conferir a parte 1 do artigo aqui). Vejamos, então, algumas das lições que podemos tirar sobre a forma de operar e crescer do Facebook:

Diversão como fonte de negócios: No Facebook você consegue não apenas comprar ou vender nas lojas virtuais ali presentes, mas também ganhar nas promoções veiculadas em páginas de empresas e restaurantes, ficar informado sobre eventos que acontecem, conhecer outros empreendedores e investidores, dentre tantas possibilidades, para você ou seu negócio, sempre de uma forma divertida. É possível relacionar-se de modo informal, sem foco no trabalho, como alguém que se apresenta e conhece pessoas em uma festa.

Amigos lucrativos: Amigos em rede e contato constante. Os amigos também podem ser fonte de ingresso financeiro. Hoje se fala em outras redes sociais que remuneram diretamente quem incorpora pessoas ou amigos, tais como a Socyer, PFplace e Klikot, dentre outras. O marketing multinível, tão atual como forma de vendas, também utiliza colegas, conhecidos e amigos, estruturando toda uma escada de vendas. Os grupos e redes de amigos reais ou virtuais podem ser fontes de ingresso também no Facebook, por meio da compra direta de produtos nas lojas ali disponibilizadas (serviço chamado de Like Store) desde 2014.  Este serviço permite que o usuário do Facebook tenha uma loja virtual com o sistema de pagamento PayPal, entre outros.  Assim, é possível oferecer para os amigos os produtos que se queira comercializar. O Facebook cobra um percentual sobre cada produto vendido.

Marketing não tradicional: O chamado marketing viral acontece todo dia no Facebook. Mesmo sem postar um link patrocinado, banner ou anúncio de vendas, se a informação for interessante e relevante para os seus amigos, eles a compartilham com seus respectivos amigos. Assim, uma informação, foto, charge ou frase pode dar a volta ao mundo em questão de minutos. É uma maneira agradável de divulgar um trabalho. Têm mais peso no Facebook as opiniões positivas dos clientes do que um anúncio ou link patrocinado pago por uma empresa para divulgar seus produtos.

Pesquisa por vias menos comuns: Os questionários e entrevistas e a tradicional prancheta e lápis que usavam os pesquisadores nos supermercados ficaram para trás. Isto significa que quem quiser ter mais clientes no Facebook deverá fazer mais pesquisas utilizando os mecanismos que essa rede proporciona, dada a rapidez das mudanças do gosto dos internautas. Para gerir com sucesso uma rede ou negócio hoje é imprescindível utilizar-se de vias e indicadores não tão comuns, como são o número de acessos a determinadas páginas do site ou o número de amigos e curtidores de uma postagem na sua fanpage, a Taxa de Cliques (click-through-rate ou CTR), o Custo por clique (CPC) e o Custo por lead (CPL).

Transparência e “Xeretagem” autorizada: Devido à disseminação de sensores cada vez mais inteligentes nos telefones móveis que podem acessar o Facebook, as pessoas serão capazes de – e estarão cada vez mais dispostas a – difundir informações a respeito de onde estão e do que estão fazendo, para ajudar a aprimorar produtos e serviços. Aliás, as pessoas podem postar no Facebook suas fotos no ato da compra ou da degustação de um dado produto ou serviço, assim como deixar sua opinião a esse respeito – e todos podem acessá-la.

Visualizar mais do que apenas falar ou escrever: Em relação à produção de conteúdos, percebe-se que se privilegia o audiovisual muito mais do que a palavra escrita. É um tipo de linguagem que agrada principalmente as novas gerações. A chamada geração Z é mais visual, e busca sentir e viver experiências sensoriais positivas (visuais, musicais etc.)

Novo paradigma de educação: É possível aprender com os amigos de forma divertida, informal. No longo prazo, as redes sociais também questionarão o paradigma tradicional da educação, em que se tem alguém que sabe (o professor) e todos os demais que não sabem (os alunos). Segundo Roberto Aparici, autoridade internacional nesses tópicos, no seu livro Educomunicação para além de 2.0, no novo paradigma, todos são alunos e professores ao mesmo tempo e é possível aprender brincando e de forma autodidata.

Entender as necessidades humanas: Uma das grandes sacadas do Facebook é entender que ninguém quer estar sozinho. Todos querem se relacionar, ter amigos. A humanidade quer se relacionar. Entender e oferecer uma forma prática de realizar essa necessidade profundamente humana é um dos triunfos do Facebook.

Oceano Azul, Criatividade e Inovação Disruptiva: Aqueles que são usuários do Facebook sabem como o site faz atualizações constantes e oferece novos serviços aos seus clientes. A rede social  teve início com recursos escassos, mas aos poucos – com muita criatividade – se expandiu através de diversas alianças, como a Partnership on Artificial Intelligence to Benefit People and Society, celebrada em 2016 e que atualmente mantém  com o Google, a Amazon e a IBM para estudos sobre Inteligência Artificial.  Estamos numa nova fase do desenvolvimento dos negócios: é a era dos negócios virtuais, que utilizam a inovação disruptiva e crescem trabalhando em redes de forma exponencial, graças ao modelo ou estratégia do Oceano Azul, detalhado no livro de mesmo título de W. Chan Kim e Renée Mauborgne. Isso se faz ao conectar pessoas e organizações antes desconectadas entre si, com o uso das novas tecnologias. É o que faz o Facebook, que consegue dessa forma ser a maior empresa de conteúdos do planeta sem gerar conteúdos próprios. Dessa maneira, pelo menos inicialmente, esse tipo de negócio – dos quais também são exemplo o Uber e o Airbnb –  tem poucos concorrentes, mas para isto é necessário ter desde o início uma visão criativa, o olhar de Oceano azul.

Cibercultura Facebook: Todos os elementos anteriores nos levam a este último ítem, que significa que a partir de todas essas novidades criou-se um mundo Facebook, com seus códigos, jargões, regras, comportamentos esperados, dentre tantos outros aspectos. Só para citar um exemplo, pensemos no popular símbolo da mão com o dedo para cima e suas ações decorrentes de “curtir” e “compartilhar”, não apenas nessa rede social, senão em todo o ciberespaço e até fora dele. Esta é uma nova forma de estar na internet, mais acessível, interativa e divertida. Em suma, uma cultura ou tribo diferente dentro das outras mídias sociais.

Hoje existem organizações que não existem fisicamente e estão apenas no ciberespaço. Também as que aí surgiram e depois migraram para o físico ou as que existiam fisicamente e aos poucos foram entrando no espaço digital. Seja lá qual for o caso em que se encontre o projeto, negócio, grupo, rede, empresa ou organização, não dá para negar as lições que o criador do Facebook traz.


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