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Empresas do setor rural devem engajar mulheres a trabalhar no campo

Em 2018, a entidade das Nações Unidas voltada para o apoio feminino instituiu como lema de sua campanha global “O tempo é agora: ativistas rurais e urbanas transformam a vida das mulheres”, com intuito de dar voz à luta das mulheres rurais em prol da igualdade de gênero e melhora na qualidade de vida. Esta iniciativa da ONU Mulheres nos sinaliza que a discussão do papel feminino no ambiente rural vem tomando proporções globais e, por consequência, empresas agropecuárias precisam trazer esta temática para suas realidades, engajando cada vez mais produtoras rurais a atuarem no campo.

Encomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e com patrocínio da Bayer, a pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio” entrevistou 862 mulheres em todo o país, integrantes da cadeia de suprimentos, serviços e atividades dentro e fora da porteira. Ainda que elas estejam presentes no ramo do agronegócio, o levantamento aponta que cerca de 45% relata ter sofrido algum tipo de preconceito no trabalho, e ao entrarmos no detalhe, vemos que este prejulgamento diz respeito principalmente à capacidade de elas desempenharem funções e terem conhecimento técnico.

Já em outro estudo feito com 2.808 produtores em 15 estados, pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), apenas 31% dos questionados alegaram que há mulheres no gerenciamento de negócios, sendo que somente 19% julga como vital a presença feminina nas gestões. A percepção dos negócios e a forma de olhar a administração é diferente e as mulheres têm percebido que podem se aprimorar nisso. Não por acaso, 89% dos entrevistados creem que a presença da mulher vem ganhando espaço, ainda que ela esteja mais evidente nas pequenas propriedades. E é o que temos visto no campo.

Ainda de acordo com a ABAG, é exponencial a busca de mulheres por cursos de gestão de negócios, conhecimento financeiro e aprimoramento na área de Recursos Humanos. Em paralelo, agricultoras e pecuaristas têm se organizado em congressos, redes sociais, seminários e encontros cooperativistas para reforçar a presença em distintas frentes do agro. A exemplo, no primeiro semestre de 2018, a Coamo Agroindustrial conseguiu reunir 1.500 mulheres de diferentes regiões do Paraná para palestras sobre empreendedorismo, em um evento chamado Conexão Mulheres, realizado também em outras cooperativas. Mais uma evidência da união feminina é o fato de o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio estar indo para seu terceiro ano e com expectativa de mais participantes do que nas edições passadas.

Empresas signatárias da ONU Mulheres, como a Bayer, assumem cada vez mais seu papel para reconhecer a contribuição das produtoras para a agricultura nacional, incentivando mais mulheres a se engajarem no setor, atuando com as mesmas condições dos homens. Em conjunto com a ABAG , em seu 2º Prêmio Mulheres do Agro, com  o tem Gestão Inovadora,  tem como objetivo reconhecer as grandes inovações para boas práticas agrícolas focadas na gestão de recurso hídrico, uso correto de defensivo agrícolas e conservação do meio ambiente com gestão na propriedade, que respeite os pilares da sustentabilidade – econômico, social e ambiental, nas categorias pequeno, médio e grande porte. Até dia 10 de setembro, mulheres que se encaixem neste perfil podem se inscrever no site: www.premiomulheresdoagro.com.br.

Exemplos como este nos fazem acreditar na união de entidades, empresas e associações para o fortalecimento e valorização do papel da mulher no setor agropecuário, e mostrar que somente juntos podemos revelar o crescimento feminino nos campos do Brasil e nossa importante contribuição para este, que é o setor responsável por um quarto do PIB nacional.

Mariana Lorenzon
Mariana Lorenzon
Administradora e diretora de Excelência Operacional em Marketing e Vendas da Bayer.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

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