24.06
A importância de comunicar a diversidade A conversa sobre diversidade é um caminho sem volta. Marcas que falam sobre o assunto serão mais cobradas e acompanhadas de perto pelos públicos, e isso é ótimo.

  Algumas marcas mergulharam de vez no assunto diversidade. Comerciais com mulheres empoderadas e pessoas LGBTs passaram a fazer parte da paisagem até ontem monótona da publicidade... Leia mais

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Algumas marcas mergulharam de vez no assunto diversidade. Comerciais com mulheres empoderadas e pessoas LGBTs passaram a fazer parte da paisagem até ontem monótona da publicidade brasileira.

Como era de se esperar, o movimento veio acompanhado de algumas críticas. De um lado, os ressentidos. Dia desses, numa palestra, vieram me perguntar “cadê o protagonismo do homem branco heterossexual?”. Fiquei com vontade de questionar se os últimos 200 mil anos não tinham sido suficientes, mas fui mais polido.

De outro lado, movimentos sociais cobram, com razão, que as ações de publicidade sejam acompanhadas de medidas efetivas das marcas e empresas em prol da diversidade.

Concordo com estes últimos, mas acho que precisamos desenvolver uma visão histórica e mais ampla do assunto.

Quando uma marca fala de diversidade, ela está se posicionando, saindo de cima muro, e tomando lado em discussões sérias e que precisam avançar na nossa sociedade.

Ao contrário do que se pode pensar, nunca “é só publicidade”. A comunicação molda gostos, pode reforçar ou contestar estereótipos e é, sem dúvida, um processo fundamental para educar e sensibilizar para as diferenças.

Além disso, representatividade importa. Quem cresceu num mundo em que não havia qualquer referência positiva na TV a gays, negros ou pessoas trans sabe bem do que estou falando.

A conversa sobre diversidade é um caminho sem volta. Marcas que falam sobre o assunto serão mais cobradas e acompanhadas de perto pelos públicos, e isso é ótimo. Ganham as organizações e toda a sociedade.

Claro que os esforços de comunicação precisam vir acompanhados de iniciativas concretas e também do desenvolvimento de uma cultura organizacional aberta e inclusiva.

Mas a publicidade pode, sim, ser um excelente primeiro passo para a construção de um mundo mais justo e respeitoso para todas as pessoas.

 

20.06
Você não precisa ser gay para lutar contra a homofobia

O título deste artigo remete a uma série de camisetas lançadas recentemente por uma ONG do Rio de Janeiro. Nelas, estão estampadas frases como "você não precisa ser trans para lutar contra a... Leia mais

O título deste artigo remete a uma série de camisetas lançadas recentemente por uma ONG do Rio de Janeiro. Nelas, estão estampadas frases como “você não precisa ser trans para lutar contra a transfobia” ou “você não precisa ser lésbica para lutar contra a homofobia”.

12345678Eu iria além e diria: você pode ser o que quiser, mas para viver numa sociedade mais justa e igualitária para todas as pessoas – seus filhos, amigos e parentes, inclusive – precisa se posicionar contra toda e qualquer tipo de preconceito. Não dá para ficar apático.

O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking macabro da LGBTfobia. Só em 2016 foram mais de 300 crimes de ódio cometidos contra lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e mesmo contra héteros, que foram “confundidos” com os demais – foi o caso de pai e filho espancados na rua por pessoas que achavam que eram um casal de namorados.

A luta contra a LGBTfobia não é uma causa apenas dos LGBTs. É uma preocupação de todas e todos que prezam pela liberdade e pelo respeito.

No domingo (18) aconteceu a 21ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. É manifestação, mas também é festa. É fervo, mas também é luta. Além da presença maciça de marcas e empresas, tinha atrações como Anitta e Daniela Mercury, importantes aliadas da população LGBT.

A Parada é um espaço importante para demarcar território e demonstrar visibilidade, sobretudo quando, paradoxalmente ao tamanho da festa, o conservadorismo cresce.

Daí a importância da quantidade de pessoas heterossexuais, ou sem qualquer ligação direta com a causa, que passaram pela Paulista ontem para deixar seu recado. Eram grupos de amigos, familiares, colegas de trabalho – muitos com a camiseta das empresas – participando da construção de uma sociedade mais justa e inclusiva para todas as pessoas.

Que tal levar esta atitude para o dia a dia? Você não precisa ser LGBT para lutar contra a LGBTfobia. Basta ser uma pessoa comprometida com um mundo melhor. Boa semana!

16.05
Homofobia nas organizações: um assunto urgente Há 27 anos a homossexualidade deixava o catálogo de doenças da OMS

  Nesta quarta-feira, 17 de Maio, é celebrado o Dia Internacional de Combate à Homofobia. A escolha da data não é aleatória e procura lembrar o momento em que a homossexualidade foi... Leia mais

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Nesta quarta-feira, 17 de Maio, é celebrado o Dia Internacional de Combate à Homofobia.

A escolha da data não é aleatória e procura lembrar o momento em que a homossexualidade foi retirada do catálogo de doenças da Organização Mundial da Saúde, em 1990.

Faz, portanto, apenas 27 anos que ser gay ou lésbica não é considerado uma patologia. Nas últimas décadas, alguns avanços foram conquistados, mas o preconceito contra a população LGBT persiste.

Inclusive nas organizações. Segundo pesquisa da consultoria Santo Caos, 40% dos homossexuais já sofreram preconceito no trabalho por conta de sua orientação sexual. O problema aparece na forma de piadas, de carreiras interrompidas e também de “conselhos” para “desmunhecar um pouco menos”, no caso dos homens, ou “ser mais menininha”, no caso das mulheres.

É uma intolerância assustadora, que fica ainda pior quando se consideram as interseccionalidades. O preconceito tende a crescer quando os marcadores de classe ou raça se somam à orientação sexual: é ainda mais difícil a vida do homossexual negro, com deficiências ou de baixa renda.

No caso da população trans, surge um agravante. A transgeneridade ainda consta dos manuais internacionais de doenças. Para a medicina, as travestis, mulheres e homens trans seguem como um grupo que merece tratamento psiquiátrico. Em 2017. Um escândalo.

Deixo a reflexão sobre como a ciência foi e ainda é utilizada para reproduzir discursos opressores. Duvido que algum leitor que conviva com colegas de trabalho ou amigos LGBT os considere doentes. Mas a medicina dizia isso até pouquíssimo tempo.

O 17 de Maio é um dia mais de meditação que de festa. É uma data para pensar sobre as conquistas que não chegam da mesma maneira para todos e a necessidade de desenvolvermos empatia e solidariedade, sobretudo com aqueles que estão lado a lado na sigla LGBT, mas seguem distantes em termos de direitos, acesso à cidadania e a trabalho.

Que a gente amplie nossa ação e possa, juntos, LGBT e aliados, lutar contra as intolerâncias de todos os tipos, nas escolas, nas famílias, na sociedade e também nas nossas organizações.

26.04
“O candidato é bom, mas é muito gay” O preconceito ainda é frequente na seleção de pessoal

  Quem trabalha com recrutamento e seleção talvez já tenha se deparado com a frase acima em algum momento da carreira. Ela é mais comum do que se imagina. Pesquisa... Leia mais

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Quem trabalha com recrutamento e seleção talvez já tenha se deparado com a frase acima em algum momento da carreira. Ela é mais comum do que se imagina.

Pesquisa da Elancers realizada com dez mil empresas revelou que uma em cada cinco organizações não contratariam homossexuais. 7% dos recrutadores não dariam chance a estes profissionais em hipótese alguma e outros 11% os recusariam para funções que representem a empresa publicamente – o que pode incluir do operador de call center ao CEO.

Os números são bastante ilustrativos da homofobia que persiste no Brasil e demonstram a necessidade de avançarmos nas discussões sobre diversidade no trabalho.

Antes que alguém diga que sexualidade é um assunto privado e nada tem a ver com empresas, retruco: praticamente não existe mais divisão entre pessoal e profissional.

As pessoas querem se levar inteiras para o trabalho, sem se preocupar em necessariamente sair da sala para atender uma ligação do companheiro, sem precisar trocar o pronome, chamando “ela” de “ele” a todo momento ou fugir das conversas sobre o fim de semana, tão comum no retorno de feriados prolongados.

Imagine o estresse a que é submetido um profissional que passa por essas situações? É possível ser produtivo e engajado quando se vive com medo de ser “descoberto” e, eventualmente, ver sua carreira comprometida apenas por conta de sua orientação sexual?

Dizer “não” a gays e lésbicas é fechar as portas a um ambiente mais inclusivo, criativo e inovador. Todas essas características emergem quando as diferenças – todas elas – são valorizadas e bem recebidas nas organizações.

Precisamos apostar no diálogo e na empatia como formas de avançarmos neste assunto. É a partir da troca de experiências e da disposição para o entendimento que conseguimos vencer preconceitos, conscientes ou não.

É importante ressaltar que gays e lésbicas não querem privilégios. O que reivindicam é apenas aquilo que já é garantido aos seus pares heterossexuais: oportunidades iguais e respeito.

Não é porque um grupo ganha direitos que outro vai perdê-los. Não é assim que funciona. É possível expandir a noção de cidadania e incluir mais pessoas sem prejuízo daqueles que já são contemplados ou exercem posições de prestígio na sociedade ou no mercado de trabalho.

Heterossexuais, inclusive, têm um papel fundamental nesta jornada. A atuação deles como aliados é importante para espalhar a mensagem do respeito, coibir “piadas” ou manifestações de preconceito e convencer mais colegas da importância do assunto.

Estimule as conversas sobre diversidade na sua empresa. Reúna pessoas sensibilizadas para o assunto para discutir as especificidades de ser mulher, negro, pessoa com deficiência, jovem, velho ou LGBT na sua organização.

Vocês podem refletir sobre a situação atual, identificar eventuais problemas, envolver a liderança e, juntos, traçarem um planejamento para garantir um ambiente seguro e acolhedor para todas as pessoas.

Um mundo mais igualitário e respeitoso pode ser construído a partir de nossas baias e salas de reuniões. Ganham a empresa, a sociedade e os funcionários, todos eles, não apenas os gays e lésbicas.

PS: A questão das pessoas trans, ainda mais complexa, será tratada em outros artigos sobre diversidade e trabalho.

11.04
O que podemos aprender com o erro da Pepsi Marca de refrigerante derrapou em campanha sobre o ativismo das ruas

Durante muito tempo, a publicidade foi baseada em "sacadinhas", aquelas ideias geniais (ou nem tanto) que costumam sair da cabeça de alguém de agência. Embora criatividade continue sendo... Leia mais

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Durante muito tempo, a publicidade foi baseada em “sacadinhas”, aquelas ideias geniais (ou nem tanto) que costumam sair da cabeça de alguém de agência.

Embora criatividade continue sendo uma das bases deste negócio, é preciso mais que bons insights – ou intenções – para sustentar uma campanha.

Que o diga a Pepsi e seu desastroso filme lançado na semana passada nos EUA.

No comercial, a fabricante de bebidas escalou a modelo Kendall Jenner para distribuir refrigerantes durante um protesto fictício.

A ideia em si já não era das melhores, mas a desgraça da marca partiu de sua completa alienação do ambiente em que está inserida.

Num momento em que movimentos como o Black Lives Matter ou contra o presidente Donald Trump dominam as ruas dos EUA pareceu oportunista sugerir a paz a partir da entrega de latinhas de refrigerante a manifestantes e policiais.

Ficou feio para a marca e para a modelo, uma webcelebridade de primeiro escalão que deveria escolher melhor que tipo de trabalho aceita.

A grita foi enorme e fez a Pepsi recuar. O comercial saiu de cena e a empresa soltou um pedido de desculpas.

A decisão foi acertada, claro, mas serviu apenas como redução de danos. Não foi suficiente para remover os carimbos de “oportunista” e “alienada” que a marca ganhou nos últimos dias.

O principal erro de Pepsi foi entrar num território nebuloso, o do ativismo, sem lastro nem propriedade para falar do assunto.

Marcas têm sido cada vez mais cobradas a se manifestar sobre diversos temas, e isso é ótimo. Os consumidores, sobretudo das novas gerações, querem produtos e empresas com propósito e valores alinhados às questões da atualidade.

Mas fazer isso não é para qualquer um nem acontece de uma hora para outra. Exige trabalho, pesquisa e sensibilidade.

É preciso ter clareza das motivações, entender como o tema se relaciona com os territórios da marca e saber como o público que se quer atingir e a sociedade como um todo estão posicionados em relação a determinado assunto.

Falando assim pode parecer muito complicado, mas uma das saídas é ouvir a maior quantidade possível de pessoas e com as mais diferentes opiniões.

Gente de esquerda, de direita, negros e brancos, heterossexuais e LGBTs, pessoas mais ou menos escolarizadas, homens e mulheres, profissionais de comunicação e leigos completos no assunto.

Enfim, diversidade. Este conceito que tem cada vez mais aparecido nas campanhas, mas continua sendo artigo raro na maioria das grandes agências de comunicação.

Cabeças diferentes, com diversas perspectivas e visões de mundo, são mais criativas e podem até demorar para chegar num consenso.

Mas certamente tomam decisões mais acertadas ou, pelo menos, com menor risco de escorregões.

27.03
Diversidade no mundo jurídico Mais um segmento importante se engaja na causa da diversidade. E as agências de comunicação, cadê?

Os clichês costumam associar o mundo jurídico a grandes mesas de madeira, formalidade no relacionamento entre pares e alguma burocracia no trato de processos. Se por uma lado esta imagem... Leia mais

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Os clichês costumam associar o mundo jurídico a grandes mesas de madeira, formalidade no relacionamento entre pares e alguma burocracia no trato de processos.

Se por uma lado esta imagem não é totalmente equivocada, por outro, a área de advocacia tem dados passos importantes rumo a ambientes mais respeitosos, mas não necessariamente sisudos. Falo aqui de políticas de diversidade e inclusão.

A Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo recebeu na última sexta-feira (24) a primeira edição do evento LGBT por Direito: diversidade e inclusão no mundo jurídico.

A iniciativa contou com a participação dos mais importantes escritórios do país, como Mattos Filho, Trench, Rossi e Watanabe, Pinheiro Neto, Shearman e Sterling e outros.

Advogadas e advogados renomados apresentaram suas principais preocupações e iniciativas em relação ao tema da diversidade.

Chamou a atenção o tom de sinceridade das falas, com pessoas claramente emocionadas e engajadas com a possibilidade de ajudar a construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Foram anunciadas ações importantes, como o ingresso gratuito de ações de retificação de nome para pessoas trans. Além disso, os escritórios firmaram o compromisso de avançar com este debate, conscientizar seus clientes e fornecedores para a importância do assunto e encarar novas frentes, como o desafio da inclusão racial no meio jurídico.

É mais um segmento importante se engajando na causa da diversidade. Depois das multinacionais e dos grandes players de tecnologia, agora os escritórios de advocacia.

Mas falta gente nesta conversa. Agências de comunicação, o segmento automotivo, os grandes bancos e estatais, por exemplo.

Quando o assunto é inclusão, não existe concorrência. A causa é maior. Por isso, converse com os principais representantes do seu setor e comecem juntos a discutir o assunto.

Quanto mais gente estiver preocupada com a questão da representatividade e do respeito às diferenças, mais rapidamente avançaremos.

17.03
A virada de mesa de Skol Marca se aproxima das questões de diversidade e surpreende o mercado

  Tenho a honra de fazer parte, como consultor de comunicação e diversidade, da equipe que está por trás de um dos movimentos mais instigantes da publicidade brasileira recente: a... Leia mais

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Tenho a honra de fazer parte, como consultor de comunicação e diversidade, da equipe que está por trás de um dos movimentos mais instigantes da publicidade brasileira recente: a virada de mesa na comunicação das marcas de cerveja.

Se até pouco tempo o segmento era associado apenas à objetificação da mulher, hoje o que vemos são algumas marcas engajadas, demonstrando conexão com seus consumidores e com os novos tempos. Skol é a principal delas.

A marca já não usava a imagem da mulher em seus filmes há quase dez anos, mas seguia compartilhando o estigma de um segmento que ainda comete deslizes. Neste caso, como líder de mercado, nada melhor que usar sua força e voz para elevar a categoria. E foi isso que Skol fez com mais intensidade a partir de 2016.

Em junho do ano passado, a marca patrocinou a Parada LGBT de São Paulo e lançou o conceitou #RespeitoIsOn. A ação se repetiria no Rio e em Salvador, e estimulou a criação do filme abaixo, da agência F/NAZCA S&S:

 

O impacto foi grande. Não é todo dia que se vê uma empresa do porte da Ambev tomando partido numa discussão tão necessária quanto a dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans.

Na sequência vieram as ações de patrocínio aos Jogos Paralímpicos do Rio, incluindo filmes com pessoas comuns com deficiências, e não apenas os paratletas.

Em setembro, mais um passo adiante. Skol Beats trouxe uma mulher negra como protagonista de seu novo lançamento. O fato, que deveria ser corriqueiro, causou comoção num país em que negras representam apenas 1% das protagonistas da publicidade, segundo estudo da Heads. O filme foi criado pela Wieden + Kennedy.

Quem achou que tinha acabado se surpreendeu positivamente com a campanha de verão. O mote “Redondo é sair do seu quadrado” levou as pessoas a conversarem sobre diferentes tipos de corpo, cor e estilos.

O filme Viva a Diferença, abaixo, foi um dos mais compartilhados nas redes sociais.

No Carnaval, Skol se posicionou contra o assédio. Distribuiu milhares de apitos em blocos de Florianópolis, Recife, Salvador e Rio, e incentivou as mulheres a denunciarem abusos. Até uma “marchinha de respeito” foi criada.

E no Dia Internacional da Mulher, a marca demonstrou mais uma vez seu compromisso com a valorização da diversidade e com o respeito às diferenças. Skol encarou seu passado de frente e convidou oito artistas a redesenharem cartazes antigos da cerveja, mostrando como as mulheres são vistas pela marca: fortes e independentes.

A ação #ReposterSkol estimula as pessoas a indicarem bares que eventualmente ainda tenham cartazes antigos. A partir disso, o time da Ambev vai até lá e providencia a alteração. O conceito agora é “Redondo é sair do seu passado”, e o site da iniciativa é http://www.skol.com.br/reposter

Este movimento de Skol mostra a potência e a atualidade das discussões sobre diversidade, respeito e inclusão. É um trabalho atento, feito com bastante cuidado, e que já reverbera dentro da própria Ambev e também sobre outras marcas do grupo.

Campanhas recentes de Brahma e Budweiser também estão mais antenadas aos novos tempos. A empresa, além disso, tem estimulado as discussões sobre diversidade no ambiente de trabalho e recentemente assinou acordos com o ONU Mulheres e o Fórum de Empresas e Direitos LGBT.

É assim, com um olhar para fora, mas sem se perder do seu próprio ambiente, que grandes empresas têm avançado rumo a um mundo mais justo, inclusivo e respeitoso.

07.03
Afinal, o que querem as mulheres? As discussões em torno do feminismo estão nas redes, nas ruas e também nas nossas empresas.

  A questão do título remete a Freud e para conseguir uma resposta, o caminho é simples: pergunte a elas! A semana do Dia Internacional da Mulher é uma excelente oportunidade para... Leia mais

 

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A questão do título remete a Freud e para conseguir uma resposta, o caminho é simples: pergunte a elas!

A semana do Dia Internacional da Mulher é uma excelente oportunidade para marcas e empresas promoverem discussões sobre a presença feminina nas organizações e na comunicação que fazemos.

As discussões em torno do feminismo estão nas redes, nas ruas e também nas nossas empresas. É cada vez maior o número de mulheres engajadas com boas (e antigas!) causas, como a divisão de tarefas domésticas, a equidade de salários e oportunidades e a reflexão sobre o que é ser mulher numa sociedade notadamente machista, como a brasileira.

E qual o papel dos homens no feminismo? Inicialmente, sentar, escutar e aprender. Sem pré-julgamentos nem opiniões a priori. Apenas exercite a empatia e abra bem os ouvidos.

Num segundo momento, é preciso repudiar as piadas e comentários misóginos, que passam pelos grupos de Whatsapp ou mesas de bar. O “humor” muitas vezes é uma ferramenta para expressão dos preconceitos inconscientes (ou não!) e manutenção das desigualdades.

Além disso, é preciso dividir a voz com as mulheres. Faça um breve exercício: nas próximas semanas, observe como elas são muito mais constantemente interrompidas em reuniões do que nós, homens. Da próxima vez que isso acontecer, se for o caso, repreenda o colega inconveniente e peça que deixe a mulher concluir seu raciocínio.

Antes de taxar tudo de “mimimi” ou dizer que o mundo está ficando chato, reflita sobre quantos privilégios você, caro leitor, tem acesso apenas por ser homem. São vários, garanto.

Se a reflexão não engrenar, pense, pelo menos, em suas mães, filhas, esposas e amigas queridas. Uma conversa sobre os medos e receios delas, além das percepções que têm sobre o mundo do trabalho e a maneira como costumam ser representadas na comunicação pode ser um bom começo.

Desejo um 8 de Março de reflexão e mudança de atitude aos homens e de luta às mulheres – a todas elas: cis, trans, negras, lésbicas, com deficiências, refugiadas, enfim, mulheres.

02.03
Dia Internacional da Mulher: ainda dá tempo de evitar deslizes Comunicadores podem - e devem - estimular o debate sobre equidade nas empresas

O Dia Internacional da Mulher está chegando e, de antemão, me solidarizo às profissionais que vão receber flores, bombons, cartões floridos... e só. É impressionante a quantidade de... Leia mais

Black businesswoman in conference room with co-workers

O Dia Internacional da Mulher está chegando e, de antemão, me solidarizo às profissionais que vão receber flores, bombons, cartões floridos… e só.

É impressionante a quantidade de empresas que ainda não perceberam que o mundo mudou e não cabe mais associar o feminino apenas à delicadeza e à fragilidade – se é que um dia coube, cá entre nós.

“Lá vem o mimimi”, podem pensar alguns leitores. Mas a questão vai além disso. Flores, bombons e cartões são gentis e valorizados por algumas pessoas, mas não é apenas isso que as mulheres querem.

O 8 de Março é uma data de luta e remete às manifestações de feministas de diversas partes do mundo, numa época em que mulheres não podiam votar, decidir seus destinos e nem mesmo trabalhar.

De lá pra cá, houve alguns avanços, mas as mulheres continuam ganhando menos que os homens. As negras no Brasil, por exemplo, recebem 40% menos que homens brancos para exercerem as mesmas atividades. Um escândalo.

Além disso, questões como o assédio, a violência contra as mulheres e a representatividade delas nos cargos de liderança estão longe de estar resolvidas.

Uma dica: antes de sair comprando flores e bombons, reflita sobre a condição feminina na sua empresa. Existem oportunidades iguais para todos os gêneros? São consideradas as especificidades do momento da gravidez ou a questão dos filhos pequenos, por exemplo?

Se você não souber por onde começar este levantamento, aproveite o 8 de Março para reunir as mulheres do seu time, escutá-las e pedir sugestões para um ambiente de trabalho mais inclusivo e respeitoso.

É uma conversa séria, mas que pode até ser acompanhada de bombons. Ninguém vai reclamar e, no fim, saem todas e todos ganhando.

17.02
Hidden Figures e a diversidade nas empresas Um dos indicados ao Oscar 2017, filme traz boas reflexões

  Assistir a Hidden Figures - me recuso a utilizar a tradução despolitizada e água-com-açúcar que o filme ganhou no Brasil - é quase uma obrigação para quem se interessa ou... Leia mais

 

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Assistir a Hidden Figures – me recuso a utilizar a tradução despolitizada e água-com-açúcar que o filme ganhou no Brasil – é quase uma obrigação para quem se interessa ou trabalha com as questões de diversidade e inclusão nas organizações.

O longa recupera a trajetória de três mulheres negras que exerceram papel fundamental nos projetos que a Nasa, a agência espacial norte-americana, desenvolveu no começo dos anos 1960. Se o homem chegou à lua ao fim daquela década, muito se deve à atuação das bravas Katherine Johnson, Mary Jackson e Dorothy Vaughan. São mulheres reais, escondidas pela História, e que só foram reconhecidas muito recentemente.

Além de trazer uma mensagem potente, o filme é ótimo como entretenimento. Diálogos afiados, trilha sonora correta e excelentes atuações estão no pacote.

Mas gostaria de chamar a atenção para o período em que a história se passa. Nem todos sabem, mas as discussões sobre diversidade no trabalho começaram justamente nos anos 1960, após pressão de representantes de grupos minorizados nos EUA – sobretudo, embora não exclusivamente.

Em 1961, o presidente John F. Kennedy assinou a Ordem Executiva 10925, que determinava que fornecedores e órgãos do governo deveriam “tomar medidas afirmativas para garantir que os candidatos sejam empregados e que os empregados sejam tratados durante o emprego independentemente da sua raça, credo, cor ou origem nacional”.

O gesto não foi suficiente e os protestos no país continuaram crescendo. Em 1963, Martin Luther King liderou 250 mil pessoas na Marcha sobre Washington. Nos meses seguintes, além do direito ao trabalho, também entraram na pauta de reivindicações o fim da discriminação e o direito ao voto dos negros.

No mesmo período, a segunda onda do movimento feminista tomava as ruas de grandes cidades do mundo. Se as sufragistas do fim do século XIX reivindicavam sobretudo direito ao voto, a pauta agora era mais extensa. Com o slogan “o pessoal é político”, mulheres contestavam a divisão do trabalho e as questões que envolviam família e sexualidade.

Em 1964, enfim, foi aprovada a Lei do Direitos Civis, que pôs fim à segregação racial com a conivência do Estado norte-americano. No ano seguinte, em 1965, o Presidente Lyndon Johnson, assinou a Ordem Executiva 11246, que acrescentava as mulheres ao grupo de beneficiados pelas ações afirmativas e exigia das organizações medidas de inclusão mais efetivas.

Para os pesquisadores Dobbin e Kalev (2015), foram justamente essas regulações antidiscriminação as precursoras dos atuais programas de diversidade que vemos nas organizações.

Vale lembrar que o Brasil estava em plena ditadura militar (1964 – 1985), o que dificultava a organização social e atrasou essas discussões por aqui.

Assistir a Hidden Figures vai além do mero lazer. Serve para conhecer um pouco mais sobre as histórias que sonegaram de nós e refletir sobre o quanto ainda precisamos avançar. Especialmente em relação às mulheres negras do nosso país, que continuam fora da ciência, das grandes universidades e do board das organizações.

Referências:

DOBBIN, Frank; KALEV, Alessandra. The Origins and Effects of Corporate Diversity Programs. In: The Oxford Handbook of Diversity and Work. Nova York: Oxford Library, 2014.

Ricardo Sales

Ricardo Sales

Ricardo Sales é profissional de comunicação e pesquisador na ECA/USP. Atualmente, desenvolve trabalhos envolvendo políticas de diversidade nas organizações e na comunicação das empresas. Como consultor, auxilia agências, marcas e organizações a desenvolverem uma comunicação mais respeitosa, inclusiva, empática e que valorize a diversidade. Faz parte da equipe que está revolucionando as campanhas de cerveja no país, atendendo a marca Skol. É, palestrante, professor e dá aulas e palestras sobre sexualidade, diversidade e comunicação intercultural. Formado em Comunicação Social pela ECA/USP, tem pós-graduação em Comunicação Institucional e cursa mestrado sobre políticas de diversidade e comunicação, também na USP. Contato: ricardodesales@gmail.com