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A Comunicação no centro da pandemia

Todo mundo já ouviu, ao menos uma vez, que prevenir é sempre o melhor remédio. Mas e quando a doença é nova e ninguém sabe como alcançar a cura ou quando ela será conhecida? Nesses casos, cabe à informação o papel de ajudar a dar a real dimensão do problema e, quando possível, evitar que ele se torne ainda maior. Esse é o cenário vivido por milhares de profissionais de Comunicação nos últimos meses.

A disseminação da pandemia do novo coronavírus tornou ainda mais evidente a importância e indispensabilidade dos meios de comunicação, não apenas dos veículos de imprensa. De dentro de cada empresa surge a responsabilidade na orientação, no suporte e no acompanhamento das pessoas, oferecendo conteúdo de forma ágil e de qualidade, que atinja colaboradores e seus familiares, prestadores de serviço e a comunidade em geral. Um olhar plural que se torna óbvio até mesmo para aqueles que ainda não haviam compreendido o real papel da comunicação no futuro das organizações e da sociedade.

Comunicar, nos dias atuais, representa salvar vidas, dar voz e ecoar as informações daqueles que precisam orientar e decidir. Representa, também, transmitir confiança e trazer aconchego em tempos difíceis nos quais vivemos transformações em todos os campos de nossas vidas. Em um momento como esse, em que todos estão diante de uma ameaça principal, é especialmente significativo mostrar que estamos realmente juntos nessa batalha. São as pessoas, o que elas transmitem e o que absorvem, afinal, que darão o tom de qualquer retomada.

Por isso, encontrar o tom a ser utilizado é tão importante quanto o formato e a plataforma escolhidos. É preciso buscar a excelência na transparência e na capacidade de transmitir informações confiáveis e pertinentes, assim como compreender que todos os públicos devem receber a atenção devida. Trata-se de reforçar o papel da informação na luta contra o inimigo. Não é pensar apenas se a mensagem chegará via boletim interno, grupo de WhatsApp ou vídeo nas redes sociais. É analisar como ela será recebida e, principalmente, qual reação ela causará no receptor dessa mensagem. É, também, gerar conversas verdadeiras.

Comunicar é interagir e a propagação do novo coronavírus explicita a necessidade de nos adaptarmos rapidamente a um novo patamar de interdependência. Com as diferentes interfaces da comunicação, sim, mas também com todos os públicos de relacionamento ao redor, estejam eles dentro de suas casas, nas operações, no Brasil ou em outros países. A interdependência mostra que devemos estar todos do mesmo lado da mesa, quando essa prática voltar a ser possível.

Esta “nova realidade” originada na pandemia trará reflexos a serem vistos ao longo do tempo, e por um bom tempo. É preciso, portanto, estimular a confiança e o conhecimento das equipes, etapa fundamental para a construção de um ambiente mais harmonioso, integrado e consciente dos desafios que todos, sem exceção, iremos enfrentar.

A complexidade está, também, em como reunir tantas informações relevantes, sem perder a atenção dos destinatários de cada mensagem, e não existe uma receita única para acertar. Na Suzano, escolhemos o caminho de olhar toda a atuação da empresa a partir de três pilares (pessoas, sociedade e negócios), e traçar ações de comunicação para cada um desses pilares. Essa percepção só foi possível porque a Comunicação estava no centro das decisões, com papel relevante nos comitês de crise.

O primeiro desses três pilares foi sustentado pela disseminação de informação que reforce os cuidados pessoais, destacando todas as medidas de proteção individual que estão sendo tomadas em relação à prevenção da doença.

Temos também de falar sobre as medidas de amparo à sociedade, com dicas que contemplem ações como o distanciamento social e campanhas de doação de produtos. São elas que aumentam o engajamento e o orgulho de pertencer dos colaboradores, desde que essas ações sejam genuínas e não uma medida de simples oportunismo. Novamente, é necessário transparência e verdade.

Em paralelo, precisamos dialogar sobre a essencialidade do negócio, com a rotina a ser ministrada para a manutenção das operações. Afinal, estamos falando de públicos que recebem mensagens, de todos os lados, de que o momento é de ficar em casa. Pelo menos é essa a orientação para todos, a menos aqueles cuja atividade é essencial para que todos os outros possam ficar em suas casas.

Faço aqui um recorte especial ao pilar de pessoas, que tem total conexão com a percepção de essencialidade dos negócios. É importante compreender que o relacionamento das organizações com seus colaboradores se torna uma via de mão dupla, não somente necessária, mas fundamental. É ela que tem contribuído para que os times na linha de frente façam acontecer, seja no sentido de trabalhar para garantir o abastecimento de produtos essenciais, seja por meio do compartilhamento da valiosa ferramenta que deveria ser de acesso a todos: a informação. E essa conversa tem que ser fluida, dinâmica e a todo momento. Em meio à toda a crise, temos seguido, aqui na Suzano, na linha do “e”, da soma, da comunicação frequente para dar segurança.

A pandemia escancarou que a comunicação não é um trabalho pontual e que pode ser postergado. Muito pelo contrário. É hora de as empresas divulgarem e reforçarem suas estratégias de contato e aproximação com seus públicos. As incertezas sobre o “novo normal” estão em cada um de nós, nas nossas lideranças, em toda a sociedade. E apenas juntos, e dialogando verdadeiramente, é que seremos capazes de renovar nosso olhar e nosso mundo, criando soluções mais efetivas e adequadas para todos.

Marcela Porto
Marcela Porto
Marcela Porto é Gerente Executiva de Comunicação e Marca da Suzano, conselheira do Instituto Ecofuturo e membro do Conselho da ABERJE. Atuou por quatro anos na Patri Políticas Públicas, tendo acumulado experiência na gestão de relacionamentos institucionais e de parcerias entre os setores público, privado e terceiro setor. Com mais de dez anos de Suzano, teve sob sua responsabilidade as áreas de Relações Institucionais, Comunicação e Governança Familiar na Suzano Holding, além da superintendência do Instituto Ecofuturo. Ingressou na Suzano Papel e Celulose em 2016 como Gerente Executiva de Comunicação e, em 2019, após a fusão da Suzano Papel e Celulose com a Fibria e consequente criação da Suzano, tornou-se Gerente Executiva de Comunicação e Marca. Formada em Relações Internacionais pela PUC-SP, Marcela estudou Ciências Sociais na USP e é especialista em Gestão de Sustentabilidade pela FGV-SP e em Comunicação Corporativa pela Aberje-Syracuse University. Participou de programas executivos de finanças e estratégia em Duke, Wharton e Harvard, e é certificada em Family Business Advising pelo Family Firm Institute's Global Education Network.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

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