Edelman Trust Barometer 2026 aponta avanço da insularidade e desafios para a confiança no Brasil

O estudo Edelman Trust Barometer 2026 revela um cenário de crescente insularidade na sociedade brasileira, marcado pela desconfiança em relação a pessoas com valores e origens distintos. No país, sete em cada 10 entrevistados afirmam hesitar ou demonstrar pouca disposição para confiar em quem diverge em aspectos como fontes de informação, abordagens sociais ou princípios. Nesse contexto, empregadores (80%) e empresas (67%) permanecem como as instituições mais confiáveis, enquanto o índice geral de confiança se mantém na faixa da neutralidade (56). A Edelman Brasil é associada à Aberje.
O estudo aponta que a combinação de ansiedade econômica, tensões geopolíticas e transformações tecnológicas tem levado indivíduos a se fechar em círculos mais próximos, reduzindo a abertura ao diálogo. A mídia passa a ser percebida como neutra (52%), ao lado das ONGs (58%), enquanto o governo segue como a única instituição considerada não confiável (45%).
O avanço da insularidade também impacta o ambiente de negócios. Empresas nacionais são vistas como mais confiáveis do que as estrangeiras, com diferença de sete pontos percentuais. Além disso, 25% dos brasileiros apoiariam a redução da atuação de companhias internacionais no país, mesmo diante da possibilidade de aumento de preços.
“Esse movimento do ‘nós’ para o ‘eu’ não é novo. Para se proteger do medo, as pessoas estão se retraindo, se encolhendo, e evitam o diálogo, deixando de ouvir perspectivas divergentes e de aprender com o diferente”, afirma Ana Julião, gerente-geral da Edelman Brasil.
As tensões geopolíticas também se refletem no ambiente corporativo. Entre os empregados brasileiros, 71% demonstram preocupação com os efeitos de conflitos comerciais e tarifas sobre suas empresas, enquanto 74% temem perder o emprego em caso de recessão. No cotidiano organizacional, 41% afirmam que prefeririam mudar de departamento a se reportar a gestores com valores distintos, e 28% dizem que se empenhariam menos em projetos liderados por pessoas com crenças políticas diferentes.
Como resposta, o estudo apresenta o conceito de “brokering de confiança”, que reúne práticas voltadas à construção de confiança entre grupos com visões divergentes. No Brasil, 79% dos entrevistados atribuem ao governo a responsabilidade por essa mediação, embora apenas 30% considerem seu desempenho eficaz. Já os empregadores aparecem como atores relevantes nesse processo: 70% dos empregados acreditam que têm a obrigação de reduzir divisões, e 47% avaliam que cumprem esse papel de forma efetiva.
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