Salve Eduardo Ribeiro – 50 Anos Contando a História de Quem Conta Histórias

Em cinquenta anos de jornalismo, Eduardo Ribeiro viu de tudo. E, convenhamos, o verbo “ver” aqui é insuficiente. Ele sobreviveu a tecnologias, modismos, profetas e revoluções que, em muitos casos, tiveram vida útil menor que uma edição semanal.
Quando começou sua carreira, os e as jornalistas fumavam nas redações, os telefones tinham fio, as fotografias precisavam ser reveladas e os textos viajavam pelo mundo em máquinas barulhentas chamadas telex. Depois vieram os fax, anunciados como o futuro da comunicação. O futuro durou alguns anos e desapareceu.
Eduardo testemunhou o surgimento dos bips, dos pagers, dos CD-ROMs multimídia, dos portais que prometiam substituir todos os jornais, dos blogs que decretariam a morte da imprensa, dos mundos virtuais que nos fariam viver em avatares, do Second Life, das videoconferências em salas futuristas, dos óculos de realidade virtual que mudariam tudo, dos metaversos que não mudaram quase nada e, mais recentemente, das inteligências artificiais que escrevem textos sobre jornalistas que passaram a vida escrevendo sobre o mundo.
Assistiu também a uma sucessão de expressões corporativas que pareciam eternas: sinergia, reengenharia, qualidade total, downsizing, benchmarking, empowerment, gestão do conhecimento, convergência midiática, transformação digital, disrupção, propósito, ESG e outras tantas palavras que chegaram cercadas de fanfarra e algumas partiram discretamente pela porta dos fundos.
Mas talvez o mais curioso seja que, enquanto tecnologias surgiam e desapareciam, plataformas nasciam e morriam, e especialistas anunciavam semanalmente o fim de alguma coisa, duas atividades resistiram bravamente ao tempo: contar histórias e tomar café para fechar a edição.
Eduardo Ribeiro atravessou meio século observando essa sucessão de novidades que prometiam reinventar o mundo. Com a serenidade dos grandes jornalistas, aprendeu que quase tudo muda. Mas a boa conversa, a boa reportagem, a amizade e a boa companhia permanecem. Talvez seja essa a maior notícia de sua trajetória.
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