PATROCINADORES

Ícone do topo
olá, faça seu login ou cadastre-se
  • Sobre
    • Quem Somos
    • Equipe
    • Nossas Associadas
    • Nossa História
    • International Aberje Award
    • Documentos
    • Relatórios
  • Conteúdos
    • Notícias
    • Artigos e colunas
    • Blogs
    • Editora Aberje
    • Pesquisas
    • CEAEC Centro de Estudos Aplicados
    • Revista CE
    • Revista Valor Setorial
    • Podcasts
    • Vídeos
    • Newsletter BRpr
  • Eventos
    • Conecta CI
    • Labs de Comunicação
  • Trends
    • Trends RJ
    • Trends SP
    • Trends MG
  • Escola
  • Reconhecimento
    • 20 Comunicadores para Seguir
    • Prêmio
  • Benefícios
    • Comitês Aberje
    • Centro de Memória e Referência
    • Guia de fornecedores
  • Fale Conosco
  • Associe-se
Ícone do topo
olá, faça seu login ou cadastre-se
  • Sobre
    • Quem Somos
    • Nossa história
    • Documentos
    • Relatórios
    • Equipe
    • Nossas Associadas
  • Associe-se
  • Notícias
  • Opinião
    • Artigos e colunas
    • Blogs
  • Vagas e Carreira
  • Associadas
    • Nossas Associadas
    • Comitês Aberje
    • Benchmarking
    • Centro de Memória e Referência
  • Eventos
    • Aberje Trends
  • Escola Aberje
  • Prêmios
    • Prêmio Aberje
    • Prêmio Universitário Aberje
    • International Aberje Award
  • Labs de Comunicação
  • Conteúdos
    • Editora
    • Revista CE
    • Revista Valor Setorial
    • Pesquisas
    • Materiais de consulta
    • Podcasts
    • Vídeos
  • Aliança Aberje de Combate às Fake News
  • Newsletter BRpr
  • Fale Conosco
  • Relatórios
11 de agosto de 2026

Da pirâmide à plataforma

As empresas e instituições multiplicaram canais de voz, mas isso não significa que tenham redistribuído o poder de escuta e decisão
Paulo Nassar
 
  • COMPARTILHAR:

Durante boa parte do século XX, a imagem mais adequada para representar uma organização era a pirâmide. No alto, a direção. Abaixo dela, sucessivos níveis gerenciais. Na base, os trabalhadores responsáveis pela operação. A arquitetura administrativa tinha sua correspondente arquitetura comunicacional: decisões, ordens e informações desciam; sugestões, demandas e problemas, quando encontravam canais institucionais, subiam.

Não por acaso, incorporamos ao vocabulário da administração e da comunicação expressões como top-down e bottom-up. A comunicação descendente e a comunicação ascendente pressupõem uma determinada geografia do poder. Há um alto e um baixo. Um centro e uma periferia. Alguém que formula e alguém que executa.

Essa organização não desapareceu. Mas sobre ela foram inscritas novas formas de trabalhar, decidir e comunicar. Hoje convivem estruturas hierárquicas tradicionais, equipes multidisciplinares, trabalho remoto, redes internacionais, comunidades internas, plataformas colaborativas, aplicativos de mensagens, redes sociais corporativas e, cada vez mais, sistemas de inteligência artificial.

A pirâmide tornou-se também plataforma.

Essa transformação exige rever uma pergunta clássica da comunicação organizacional: o que significa comunicação ascendente quando a organização já não funciona apenas de baixo para cima e de cima para baixo?

A pergunta é importante porque a tecnologia alterou profundamente as possibilidades de circulação da palavra nas organizações. Um trabalhador não precisa necessariamente percorrer todos os degraus hierárquicos para tornar pública uma percepção. Pode participar de uma comunidade digital, responder a uma pesquisa instantânea, comentar uma postagem do presidente, participar de um town hall, alimentar uma plataforma colaborativa ou registrar sua experiência em sistemas capazes de agregar milhares de manifestações.

A comunicação tornou-se potencialmente multidirecional. Mas seria um equívoco concluir que essa multidirecionalidade tecnológica produziu, automaticamente, uma democratização das empresas e das instituições. Horizontalizar a comunicação não significa horizontalizar o poder.

Essa talvez seja uma das contradições mais importantes das organizações contemporâneas. Todos podem falar, mas nem todos possuem a mesma capacidade de serem ouvidos. Todos podem produzir dados, mas poucos determinam quais dados serão relevantes. Todos podem participar de uma plataforma, mas alguém continua estabelecendo os critérios pelos quais determinadas contribuições serão transformadas em decisões.

A organização pode ser em termos relacionais horizontal e continuar decisoriamente vertical.

É nesse ponto que precisamos atualizar a própria ideia de comunicação ascendente. Ela não deveria ser definida apenas pela trajetória física ou burocrática percorrida pela mensagem. Em organizações organizadas em redes e plataformas, ascendente é sobretudo uma relação entre comunicação e poder.

Comunicação ascendente passa a designar a capacidade daqueles que estão distantes dos centros decisórios de fazer com que suas experiências, conhecimentos, percepções e divergências sejam consideradas nos lugares em que a organização interpreta a realidade e constrói suas estratégias.

Portanto, a questão deixa de ser simplesmente: a informação consegue subir? A questão passa a ser: o que acontece com a informação depois que alguém fala?

Entre falar e decidir existe uma longa cadeia: voz, escuta, reconhecimento, interpretação, incorporação, influência, decisão e devolutiva. Muitas organizações construíram mecanismos eficientes para as primeiras etapas dessa cadeia. Pesquisam, perguntam, medem, consultam e produzem dashboards. Mais difícil é demonstrar em que medida aquilo que foi ouvido modificou uma decisão.

Uma organização pode ter milhares de manifestações registradas e continuar surda.

Há ainda uma nova camada nesse problema. Na organização industrial, o supervisor, o gerente ou a estrutura burocrática funcionavam frequentemente como filtros entre a base e a direção. Nas organizações-plataforma, essa mediação pode ser também tecnológica.

Entre a experiência humana e a decisão aparece agora o algoritmo.

Pesquisas de clima, redes corporativas, sistemas de people analytics, mecanismos de análise de sentimento e ferramentas de inteligência artificial são capazes de recolher, classificar, resumir e hierarquizar uma quantidade de manifestações que nenhum gestor conseguiria processar individualmente.

Essa capacidade é extraordinária. Mas introduz uma pergunta política e comunicacional decisiva: quem, ou o que, determina aquilo que merece chegar aos centros de decisão?

Além da tecnologia

A inteligência artificial pode ampliar extraordinariamente a capacidade de escuta de uma organização. Mas pode igualmente produzir uma sofisticada simulação de escuta: transformar experiências em dados, conflitos em indicadores, divergências em médias e singularidades em categorias previamente estabelecidas.

O problema deixa, portanto, de ser apenas tecnológico. É um problema de legitimidade.

Podemos então pensar uma sequência diferente para a comunicação organizacional contemporânea:

múltiplos agentes → redes e plataformas → circulação de vozes → escuta → reconhecimento das diferenças → interpretação → influência → decisão → devolutiva.

Nessa arquitetura, comunicação deixa de ser a última etapa da estratégia, aquela velha tarefa encarregada de explicar aos empregados uma decisão já tomada. Ela passa a integrar o próprio processo pelo qual a organização conhece a realidade, reconhece sinais, identifica riscos e oportunidades e constrói capacidade de ação.

A comunicação transforma-se em inteligência organizacional distribuída.

É uma mudança profunda. Significa reconhecer que quem está na operação também interpreta o ambiente; que quem conversa diariamente com clientes produz conhecimento estratégico; que trabalhadores situados nas periferias institucionais podem perceber antes do centro aquilo que está mudando; e que estratégia não é apenas aquilo que se formula nas salas da alta administração.

A organização-plataforma, portanto, não elimina a comunicação ascendente. Ao contrário: obriga-nos a redefini-la.

Na pirâmide, comunicar para cima significava fazer a mensagem percorrer níveis hierárquicos. Na plataforma, significa algo mais exigente: fazer o conhecimento produzido nas diferentes partes da organização adquirir capacidade real de influenciar o centro ou, talvez, os múltiplos centros, onde as decisões são tomadas.

A passagem da pirâmide à plataforma não será determinada pela quantidade de tecnologias disponíveis, mas pela disposição das organizações para transformar conexão em escuta, escuta em conhecimento e conhecimento distribuído em poder de participação.

Porque uma plataforma na qual todos podem falar, mas poucos continuam decidindo o que merece ser ouvido, pode ser apenas uma pirâmide digitalizada.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Paulo Nassar

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje); professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP); doutor e mestre pela ECA-USP. É coordenador do Grupo de Estudos de Novas Narrativas (GENN), da ECA-USP e pesquisados no campo da interface entre Comunicação e Antropologia. Docente de mestrado e doutorado (PPGCOM ECA-USP) desde 2006, onde ministra, juntamento com o Prof. Dr. Luiz Alberto de Farias, a disciplina stricto sensu “Memórias Rituais, Narrativas da Experiência”. Pesquisador da British Academy (University of Liverpool) – 2016-2017. Entre outras premiações, recebeu o Atlas Award, concedido pela Public Relations Society of America (PRSA, Estados Unidos), por contribuições às práticas de relações públicas, e o prêmio Comunicador do Ano (Trajetória de Vida), concedido pela FundaCom (Espanha). É coautor dos livros: Communicating Causes: Strategic Public Relations for the Non-profit Sector (Routledge, Reino Unido, 2018); The Handbook of Financial Communication and Investor Relation (Wiley-Blackwell, Nova Jersey, 2018); O que É Comunicação Empresarial (Brasiliense, 1995); e Narrativas Mediáticas e Comunicação – Construção da Memória como Processo de Identidade Organizacional (Coimbra University Press, Portugal, 2018).

  • COMPARTILHAR:

ARTIGOS E COLUNAS

  • Paulo NassarDa pirâmide à plataforma
  • Alexandre HampfPor que criamos o Clima Group: a tese por trás da nossa holding
  • Rizzo MirandaQuem tem o direito de responder por você?

Destaques

  • Capítulo Aberje Sudeste 3 realiza encontro em Vitória sobre reputação na era da IA
  • Reunião do LiderCom explora como lojas corporativas ampliam pertencimento e conexão
  • Governança reputacional ganha espaço estratégico nas organizações

Notícias do Mercado

  • Dialog promove evento online gratuito sobre experiência do colaborador e dados
  • Painel com Suzano e GlobeScan debate como transformar resultados em reputação e confiança
  • Jornada Galápagos reúne jornalistas na Aberje para discutir IA e comunicação corporativa

BLOGS

A Aberje é uma organização profissional e científica sem fins lucrativos e apartidária. Tem como principal objetivo fortalecer o papel da comunicação nas empresas e instituições, oferecer formação e desenvolvimento de carreira aos profissionais da área, além de produzir e disseminar conhecimentos em comunicação.

ENDEREÇO
Rua Amália De Noronha, 151, 6º Andar – Pinheiros, São Paulo/SP
CEP 05410-010

CONTATO
(11) 5627-9090
(11) 95166-0658
fale@aberje.com.br