O Enguiço Humano

Esqueçam a máquina. Como Cassius astutamente observou em Júlio César, de Shakespeare: “A falha, caro Brutus, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos se ficarmos subordinados.” Percebo um “enguiço” na comunicação corporativa hoje em aceleração. E ele é, e sempre foi, intrinsecamente humano. Essa é uma ferida que vem sendo aberta (e agora se acelera) e revela a sedução sempre perigosa da superficialidade, que, ao se dar em escalas exponenciais, corrói a própria essência da comunicação. Fato: é a conveniência, a subordinação consentida e a falha humana que nos trouxeram a este ponto.
Incrível que temos até sido “sofisticados” nesse processo. A #CicutaDigital reside na tentação de usar ferramentas avançadas, como a Inteligência Artificial, para mascarar a ausência deliberada de ética e julgamento humano. A IA é um amplificador potente e tem um belo lugar na história, pelo que estamos vendo, mas precisamos lembrar que seus surtos alucinatórios não é um erro técnico, mas um espelho da nossa própria indolência em confrontar a realidade e a verdade. Espelho: uma palavra-chave, anotem.
A credibilidade se constrói com consistência, transparência e verdade. Ela jamais se sustenta com narrativas vazias ou “verdades sintéticas” sem filtros. Estas, produzidas pela IA, nascem da preguiça ou da flagrante ausência de ética humana que vem se multiplicando assustadoramente. Não é a IA que distorce a verdade; é o quanto ela reflete o humano que a treina e lidera para tal. O espelho…o espelho.
A comunicação é uma dimensão estratégica vital. Desde sempre o papel do C-level exige coragem e inegociável integridade (eu disse integridade, Cannes?). É preciso comunicar o exato e o responsável, usando transparência como vacina e a IA como aliada. Nunca como muleta para os “enguiços” que nós humanos estamos adotando ou terceirizando na tecnologia.
O chamado
Para nós, líderes, o momento é de ação intransigente e autocrítica. Se a falha é humana, a correção pode e deve ser também. Desconfiem da facilidade, pois a ausência de curadoria humana na tecnologia é perigosa brecha para um salto quântico de uma “nova verdade” sintética.
Sejamos Guardiões da Verdade, portanto. Peço muito? Talvez para quem não entendeu como o rumo da história está se desdobrando. Ok, estamos todos descobrindo. Mas há sinais. E quem quer olhar, verá! A autenticidade da sua marca é o ativo mais valioso num mundo onde a fronteira entre o real e o artificial se desfaz por nossa própria e lastimável omissão.
Diante do abismo da confiança e da “verdade” sintética – a criatura que, afinal, criamos com as nossas próprias intenções e “reflexos” olha o espelho –, se mostra existencial e inadiável. Ou abraçamos a responsabilidade e a ética para que a comunicação se mantenha como o pilar inabalável do nosso legado, ou permitimos que a cicuta envenene tudo, impulsionada pela nossa própria covardia em ser protagonista de fato. A escolha é sua.
ARTIGOS E COLUNAS
Juliana Moser A proximidade como ativo estratégicoCiça Vallerio Liderança, gênero e cultura do cuidado: o desafio além do discursoPaulo Nassar Mircea Eliade na Cidade Universitária
Destaques
- Além do monitoramento: IA avança sobre análise de risco, reputação e tomada de decisão na comunicação
- Conselho Deliberativo da Aberje elege novos membros
- Paulo Nassar participa da abertura do 5º Encontro Nacional de Comunicação do Poder Judiciário
Notícias do Mercado
- Grupo Boticário lança Relato Integrado 2025 com avanços em metas ESG
- 99 para Empresas lança campanha voltada à gestão de mobilidade corporativa
- Vivo promove debate sobre equilíbrio digital com colaboradores































