Capítulo Aberje Nordeste debate relações governamentais como ativo estratégico em Salvador

O Capítulo Aberje Nordeste realizou, na última terça-feira (07), em Salvador, o primeiro encontro de 2026, em parceria com a agência baiana Darana RP, com foco no papel das Relações Governamentais como ativo estratégico para as organizações. O evento reuniu profissionais da área para discutir como a comunicação, a análise de cenário e a atuação institucional podem se articular diante de um ambiente de crescente polarização, pressão regulatória e intensificação do debate público.
Cintia de Mattos, gerente de Comunicação, Relações Institucionais e Responsabilidade Social da Bracell NE e diretora do Capítulo Aberje Nordeste; Manoel Fernandes, diretor-executivo da Bites; Marcelo Gentil, gerente de Relações Institucionais da Odebrecht; e Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje, falaram sobre a necessidade de estruturar práticas consistentes, éticas e orientadas por dados para a atuação institucional. O encontro ainda tratou da importância da leitura de cenários políticos e da compreensão das estruturas de poder, além do papel da imprensa e das redes sociais na formação da opinião pública – especialmente no âmbito regional.

Marcelo Gentil chamou atenção para a fragmentação do ambiente informacional e seus efeitos sobre a mediação de interesses. “Uma parte da comunicação está capturada por interesses extremamente segmentados”, explicou. “Ainda há um distanciamento muito grande entre esses grupos de pressão, em que uns têm voz e outros não”, disse, ao abordar os desafios de representação e interlocução no debate público.
“O setor público ainda tem muito a aprender”, ressaltou Manoel Fernandes ao tratar do cenário eleitoral e do papel das novas dinâmicas digitais. Manoel falou sobre o papel decisivo do estado da Bahia nas eleições presidenciais de 2026, e como isso passa pelo domínio da mídia regional, incluindo pequenos influenciadores digitais.
Hamilton dos Santos enfatizou a integração entre comunicação e relações governamentais como elemento central para a estratégia organizacional. “A Comunicação precisa estar integrada à estratégia de Relações Governamentais da organização. Conversar com governos é uma missão da qual nenhum negócio pode abrir mão, e isso exige processos estruturados e gestão de dados”, afirmou. Ele também destacou que a influência sobre políticas públicas deve se apoiar menos em relações pessoais e mais em conhecimento qualificado do ambiente institucional. “Conhecer o ambiente público para influenciar políticas públicas depende de processos, dados e da compreensão de como essas políticas podem beneficiar a sociedade e a organização”, completou.
“As discussões promovidas no encontro evidenciaram como a tecnologia tem redefinido a forma como empresas e instituições se posicionam e são percebidas pela sociedade. Cabe às organizações atuar, cada vez mais, de forma consistente, ética e conectada com as dinâmicas contemporâneas para que o exercício das Relações Institucionais e Governamentais sirva de ponte entre o Estado e a sociedade”, concluiu Cintia de Mattos.
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