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23 de junho de 2026
BLOG Sinapse

Sustentabilidade em silêncio: o que o novo relatório da Trellis revela

 

Bruna Ribeiro
 
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Nos últimos anos, profissionais de sustentabilidade e comunicação acompanharam uma acelerada transformação no ambiente corporativo. Pressões regulatórias, novas demandas de investidores, polarização política, avanços tecnológicos e mudanças nas expectativas da sociedade mudaram profundamente o contexto em que as organizações operam.

E nesse cenário, compreender para onde a agenda ESG está caminhando tornou-se uma necessidade estratégica. É justamente essa leitura que o relatório State of the Sustainability Profession 2026, publicado pela Trellis, busca oferecer.

O estudo reúne a percepção de profissionais que atuam diretamente com sustentabilidade em diferentes organizações e apresenta um retrato bastante revelador do momento atual da área. Mais do que números, os resultados ajudam a compreender como empresas e lideranças estão reposicionando suas prioridades diante de um ambiente cada vez mais complexo.

E os achados merecem atenção.

Menos discurso, mais cautela

Uma das conclusões mais interessantes do estudo é que a sustentabilidade não está desaparecendo das organizações, mas está mudando de linguagem.

Embora o debate público frequentemente sugira um enfraquecimento da agenda, os dados mostram um cenário com mais nuances. Cerca de 57% das organizações mantiveram seus compromissos de sustentabilidade, enquanto 24% afirmam tê-los fortalecido. Além disso, quase metade dos respondentes relatou aumento de orçamento ou ampliação das equipes dedicadas ao tema. Ao mesmo tempo, 63% das organizações afirmam ter reduzido ou reformulado a forma como comunicam suas iniciativas de sustentabilidade.

O dado chama atenção porque revela um movimento que profissionais de comunicação já vêm observando na prática: a preocupação crescente com riscos reputacionais, greenwashing e a necessidade de comprovar resultados antes de comunicar intenções.

Da inspiração para a comprovação

Outro sinal importante apresentado pelo estudo é a mudança de foco das áreas de sustentabilidade.

O fortalecimento de regulamentações, exigências de reporte e mecanismos de governança tem levado muitas empresas a concentrarem esforços em compliance, gestão de riscos e prestação de contas. O levantamento mostra que 58% dos profissionais perceberam aumento dessa prioridade dentro das organizações.

O que isso significa para os profissionais de comunicação?

Para quem atua com comunicação corporativa, reputação e sustentabilidade, o cenário exige uma revisão importante de abordagem. Durante anos, grande parte dos esforços esteve concentrada em sensibilizar públicos e demonstrar compromissos. Hoje, a expectativa é diferente.

Investidores, reguladores, consumidores e demais stakeholders querem compreender riscos, impactos, evidências, governança e resultados concretos. Isso exige uma comunicação mais técnica, mais transparente e mais integrada às estratégias de negócio.

A sustentabilidade continua sendo uma narrativa poderosa, mas ela precisa estar sustentada por dados, processos consistentes e capacidade de prestação de contas.

Talvez o maior desafio da comunicação para Sustentabilidade nos próximos anos seja justamente equilibrar inspiração e credibilidade. O silêncio não protege a reputação e nem a exposição excessiva sem evidências fortalece a confiança.

Um momento de transição, não de retrocesso

Estamos menos diante de um abandono da agenda ESG e mais diante de uma fase de amadurecimento. Uma fase em que a sustentabilidade deixa de ser percebida apenas como diferencial reputacional e passa a ser tratada como elemento de gestão, resiliência e competitividade.

Para profissionais de sustentabilidade e comunicação, compreender essa transição é fundamental. E, nesse contexto, a pergunta não é se a sustentabilidade continuará relevante. A pergunta é: estamos preparados para comunicar, liderar e educar em um contexto em que a sustentabilidade precisa ser cada vez mais demonstrada e não apenas declarada?

O relatório “State of the Sustainability Profession 2026” oferece insights valiosos para quem deseja compreender essa transformação. A leitura é especialmente recomendada para profissionais de comunicação, sustentabilidade, governança e lideranças que buscam entender os desafios e as oportunidades que estão redesenhando o futuro da agenda ESG.

Vale a leitura. E, principalmente, vale a reflexão.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Bruna Ribeiro

É Relações Públicas, mestra em Administração de Empresas, com foco em Aprendizagem e Educação para Sustentabilidade, é ainda especialista em Sustentabilidade Corporativa pela Fundação Dom Cabral e em Gestão da Comunicação Empresarial pela Aberje. Com mais de 15 anos de experiência em sustentabilidade corporativa e ESG, construiu sua trajetória em organizações multinacionais, liderando projetos estratégicos na área. Também atua como docente da Escola Aberje de Comunicação e é responsável pela agenda de Transparência e Reputação ESG na Suzano .

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