Gestão de crises exige novas respostas diante do avanço da IA e dos influenciadores

A transformação do ambiente digital alterou profundamente a forma como as organizações precisam se preparar para situações críticas. A combinação entre inteligência artificial, influenciadores digitais, redes sociais e ciclos cada vez mais acelerados de disseminação de informações amplia a velocidade, a complexidade e o impacto potencial das crises. Isso exige estruturas de governança mais robustas, monitoramento permanente e capacidade de resposta articulada. Esse foi o principal tema da terceira reunião do Comitê Aberje de Comunicação na Gestão de Riscos e Crises, realizada em julho na sede da Aberje, em São Paulo.
O encontro contou com uma apresentação de Lia Sacon, da associada Fleishman Hillard, que analisou as principais mudanças no cenário contemporâneo da gestão de crises. Ela destacou o fortalecimento do papel dos influenciadores na formação da opinião pública, muitas vezes antecedendo a cobertura dos veículos tradicionais, e o uso crescente da inteligência artificial para potencializar riscos e apoiar processos de prevenção, monitoramento e tomada de decisão.
Carlos Parente, sócio-diretor da associada Midfield Consulting e professor da Escola Aberje, também falou sobre os impactos da inteligência artificial na gestão de crises. A discussão explorou como ferramentas baseadas em IA podem ampliar a capacidade de análise de cenários, testar hipóteses e apoiar a construção de respostas, sem substituir o julgamento humano, especialmente em situações que envolvem reputação, percepção pública e tomada de decisão estratégica.
Ao longo do encontro, foram discutidos casos práticos que ilustraram como crises podem ganhar proporções rapidamente quando organizações não possuem critérios claros para avaliação de riscos, definição de responsabilidades e processos de resposta. Também foram apresentados exemplos em que a atuação preventiva, baseada em comunicação transparente e rápida, foi determinante para evitar a propagação de informações equivocadas.
Outro aspecto destacado foi a necessidade de reconhecer que nem toda tendência das redes sociais deve ser incorporada pelas marcas. A avaliação do contexto, da coerência com o posicionamento institucional e dos potenciais riscos reputacionais hoje é parte indispensável das decisões de comunicação. Em um ambiente marcado pela polarização e pela circulação constante de conteúdos, a gestão de crises depende cada vez mais de planejamento prévio, simulações e treinamento contínuo das equipes.
Os participantes também discutiram desafios emergentes, como a disseminação de deepfakes, a lentidão das plataformas digitais na remoção de conteúdos falsos, o crescimento dos crimes cibernéticos e a necessidade de ampliar o monitoramento para ambientes fechados de mensagens. O grupo ainda falou sobre o papel estratégico que o relacionamento com jornalistas desempenha, mesmo em um cenário em que influenciadores e produtores independentes de conteúdo assumem protagonismo crescente na circulação de informações. A evolução tecnológica vem impondo um ritmo de transformação superior à capacidade de adaptação das organizações. Fortalecer processos de governança, investir em preparação permanente e desenvolver uma visão integrada dos diferentes públicos tornam-se fatores decisivos para reduzir vulnerabilidades e preservar a reputação institucional.
Sobre os Comitês
Os Comitês Aberje de Estudos Temáticos são espaços seguros para troca de informações e aprendizado mútuo para profissionais da rede associativa. São grupos fixos de membros, nomeados por organizações associadas à Aberje, que se reúnem com regularidade para discutir, aprofundar e gerar novos conhecimentos sobre determinados temas de interesse da Comunicação Corporativa. A participação nos Comitês é exclusiva para empresas associadas e os temas e grupos são renovados a cada ano. Com calendário predeterminado para os encontros, o processo de seleção dos membros ocorre no início de cada ano.
A cobertura dos encontros dos Comitês segue a Chatham House Rule, onde os participantes são livres para usar as informações recebidas, mas preservando a identidade e filiação dos membros daquela reunião, de modo a permitir que a discussão possa se dar livremente em um ambiente seguro.
ARTIGOS E COLUNAS
Vania Bueno Toda decisão comunicaVictor Pereira Legitimidade fragmentadaLuis Alcubierre Se a reputação vale bilhões, por que quem a constrói ainda é tão subestimado?
Destaques
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