04 de julho de 2024

Aberje Trends reforça importância de estratégias de comunicação para fóruns como a COP30 e o B20

Mesa ESG para Comunicadores discute como organizações podem se posicionar de maneira autêntica sobre mudanças climáticas
Crédito: Tati Nolla

Como as empresas podem executar um planejamento de comunicação robusto para que suas ações de ESG não sejam supérfluas ou soem como greenwashing? No Aberje Trends, a mesa ESG para Comunicadores, realizada na terça-feira (25) da última semana, no Teatro Bravos, em São Paulo, reuniu comunicadores e comunicadoras de vários setores para discutir esse desafio.

A mesa “Governança e clima: Como a comunicação empresarial pode se engajar em temas como o G20 e a COP30” contou com a mediação de Bruna Ribeiro, coordenadora de Sustentabilidade Institucional na Suzano; e a participação de Leandro Provedel, gerente de Comunicação e Marca/Brand & Communications Manager da ENGIE Brasil; Paula Castro, diretora executiva de Sustentabilidade, Segurança, Saúde e Meio Ambiente da Bayer na América Latina e Parceria de Negócios de SSHE para Consumer Health; e Pedro Torres, diretor global de Comunicação e Relações Institucionais na Gerdau.

Leandro Provedel, gerente de Comunicação e Marca/Brand & Communications Manager da ENGIE Brasil (crédito: Tati Nolla)

“As mudanças climáticas, que estão levando ao aquecimento global, chamaram atenção para a necessidade da transição energética e o setor elétrico busca sair das fontes de energias fósseis”, explicou Provedel, da ENGIE Brasil Energia. De acordo com ele, o propósito da ENGIE colocou o ESG no centro da estratégia da companhia, que tornou-se brand publisher com o portal Além da Energia, o principal portal de notícias sobre transição energética e seus desdobramentos. “Hoje, a ENGIE patrocina o G20 e o W20, com cobertura no Além da Energia”, finalizou.

“Uma estratégia sem evidências não funciona”, explicou Paula Castro, da Bayer. Para ela, a ética vai além do que acontece na empresa – é necessário envolver o fornecedor para gerar crescimento inclusivo, redução da pegada de carbono, acesso à saúde e compromissos com transparência. “No Brasil, é necessário falar de interseccionalidade”, lembrou, ressaltando as diferenças provocadas por séculos de escravisão e racismo, além dos efeitos da discriminação de gênero na sociedade brasileira. “As mudanças climáticas só vão ser controladas se nós atuarmos juntos”, concluiu.

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“Sem ajuda do governo e da sociedade, a transição não é possível, porque ainda não há tecnologia que permita esse salto”, racionalizou Torres, da Gerdau. De acordo com ele, a mineração é uma atividade econômica muito necessária, mas desastres ambientais abalaram a reputação do setor. Por isso, a empresa precisou construir o storytelling do aço. Para fazer isso, foi necessário humanizar a comunicação – o que levou a Gerdau ao Rock In Rio como patrocinadora do Palco Mundo. “A Gerdau já tem uma matriz diferenciada, com 73% de nosso aço vindo da reciclagem. Com isso, nossa produção emite metade da média de carbono de outras empresas”, concluiu Torres. 

Polarização e desinformação

Ao longo de diversas mesas do Aberje Trends, a desinformação foi um tema recorrente como uma ameaça permanente à reputação das organizações – e, ao falar de ESG, esse risco também está presente. Na ENGIE Brasil, o portal Além da Energia é um meio para combater farsas e furar bolhas. “Sem licença social, você não opera usina, isso não é lei, é compromisso”, lembrou Provedel. “As usinas são instaladas em regiões pobres, que recebem pouca atenção dos entes públicos, e nós precisamos levar desenvolvimento – hoje, o ESG é parte do nosso processo de decisão”, concluiu.

Paula Castro, diretora executiva de Sustentabilidade, Segurança, Saúde e Meio Ambiente da Bayer na América Latina e Parceria de Negócios de SSHE para Consumer Health (crédito: Tati Nolla)

“Nós temos que encarar os fatos e trazer informações sobre os esforços da Bayer para enfrentar questões importantes”, concordou Castro. “Se não endereçarmos problemas como mudanças climáticas, não haverá negócio”, continuou. De acordo com ela, para engajar a liderança em ações de ESG, os bônus da companhia são hoje vinculados a metas ESG.

“A gestão interna é um caminho para melhores resultados”, declarou Torres. “É importante haver diálogo, não se deve temer o pensamento oposto”, continuou. Para ele, educação interna e políticas claras reduzem ruídos.

Fóruns e debates

A reunião de cúpula do G20, a ser realizada no Rio em 2024 e a COP30, a ser realizada em Belém em 2025, colocam o Brasil mais uma vez em evidência quando o assunto é ESG. Os eventos abrem oportunidades de participação, engajamento e posicionamento ao setor empresarial.

“Na ENGIE, estamos envolvidos há anos em encontros de cúpula, com entidades do setor privado e com o Governo. Esses eventos representam oportunidades para o país e para a empresa”, explicou Provedel. Ele destacou que o país pode atrair investimentos industriais por sua abundância de energia. “O Power Shoring pode ser executado no Nordeste, que tem abundância de energia eólica e está próximo do hemisfério norte”, afirmou.

Pedro Torres, diretor global de Comunicação e Relações Institucionais na Gerdau (crédito: Tati Nolla)

Na Gerdau, Torres concorda. “Encontros de alto nível não podem ser vistos como propaganda. Esses fóruns são caixas de ressonância e representam uma oportunidade para nos posicionarmos, sempre com responsabilidade, junto a pessoas de vários backgrounds”, explicou. Para Torres, as empresas precisam saber ouvir e essas reuniões são um espaço para posicionar o Brasil para fazer negócios.

“Acima de tudo, esses eventos são uma oportunidade para debatermos a geopolítica e seus impactos para os negócios”, concluiu Castro.

A 8ª edição do Aberje Trends contou com o patrocínio de BASF, Bayer, ENGIE Brasil, Gerdau, Itaú Unibanco, LATAM Airlines, Arcos Dorados, Novo Nordisk e Stellantis; o apoio da CPFL Energia, Prospectiva Public Affairs LAT.AM, P3K Comunicação e Tetra Pak; e media partner de InfoMoney e propmark.

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