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29 de maio de 2026

Além do monitoramento: IA avança sobre análise de risco, reputação e tomada de decisão na comunicação

Evento realizado pela Aberje, com patrocínio da LexisNexis, discutiu maturidade analítica, governança e uso estratégico de inteligência artificial
Mario Bucci
Evento “Além do monitoramento: IA e análise avançada de dados para comunicação”, realizado pela Aberje, com patrocínio da associada LexisNexis (foto: André Nakasone)
 
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A combinação entre inteligência artificial, monitoramento de dados e análise de cenários vem ampliando o papel estratégico da Comunicação Corporativa na gestão de risco, reputação e tomada de decisão. O tema foi discutido no evento “Além do monitoramento: IA e análise avançada de dados para comunicação”, realizado pela Aberje, na manhã da última quarta-feira (26), em São Paulo, com patrocínio da LexisNexis, associada à entidade.

O encontro reuniu Ana Luísa Nogueira, gerente de Novos Negócios na LexisNexis; Fabíola Duarte, head de Comunicação Corporativa e ESG da Diageo no Brasil; e Hércules Silva, gerente de Integridade e Monitoramento da Aegea. Os palestrantes discutiram como a IA pode antecipar sinais críticos, qualificar análises e integrar diferentes fontes de informação em contextos de crescente complexidade reputacional. A mediação foi conduzida por Douglas Cantu, gerente de Eventos da Aberje.

Os participantes alertaram em vários momentos que o avanço da IA no monitoramento não elimina a necessidade de interpretação humana, governança e integração organizacional. “A IA não é um pilar só. As organizações precisam de profundidade de dados, capacidade de IA e alinhamento organizacional”, afirmou Ana Luisa.

Segundo ela, o uso estratégico da tecnologia exige qualidade e contextualização dos dados analisados. “Os dados devem ser relevantes, não basta olhar apenas uma variável. Tem que haver significância do dado, isto é, o dado tem que interferir no modelo”, explicou. Ana destacou ainda que ferramentas atuais conseguem triangular diferentes bases informacionais, incluindo, por exemplo, dados regulatórios, financeiros e de mídia. Isso permite análises mais próximas dos diferentes interlocutores e contextos de negócio.

Ana Luísa Nogueira, gerente de Novos Negócios na LexisNexis, destacou a importância da estrutura organizacional (foto: André Nakasone)

A executiva também argumentou que a IA amplia a capacidade das organizações de compreender a evolução de narrativas públicas. “Por meio da modelagem de cenários, a IA pode mostrar como a narrativa evolui, monitorar sua velocidade de disseminação e priorizar sinais, filtrando ruídos”, afirmou.

Apesar dos avanços tecnológicos, Ana ponderou que falhas de antecipação costumam estar mais relacionadas à estrutura organizacional do que às limitações técnicas das ferramentas. Entre os problemas recorrentes, ela citou ausência de fluxos claros (quem é acionado e em que circunstâncias, por exemplo) e áreas corporativas trabalhando isoladas em seus silos.

“A IA não pode ficar na mão da IA”, afirmou. “Ferramentas ajudam muito, mas não resolvem sozinhas”, concluiu.

Interpretação humana e aplicações práticas

A discussão também abordou como grandes organizações vêm utilizando IA em áreas como comunicação, integridade, RH, logística e gestão de crise. Fabíola Duarte apresentou experiências da Diageo envolvendo o uso corporativo de ferramentas como ChatGPT e Canva AI, adotadas dentro de contratos globais da companhia.

“No uso da IA, temos que fazer as perguntas certas, e a inteligência humana sai na frente nisso. Não adianta um mundo de dados sem leitura e sem ação”, afirmou. Ela explicou como a empresa realizou uma pesquisa internacional baseada em mais de 1,5 milhão de mensagens publicadas nas redes sociais sobre consumo de bebidas alcoólicas. A partir da leitura automatizada de textos e imagens, a IA foi utilizada para apoiar decisões estratégicas relacionadas a comportamento de consumo e posicionamento de marca.

Fabíola também relatou o uso de IA durante a crise envolvendo contaminação de bebidas por metanol em diferentes regiões do país. Segundo ela, as ferramentas permitiram monitorar stakeholders externos, mapear ações do poder público e acompanhar a cobertura da imprensa em tempo real.

“A IA não ajudou a prever a crise – essa é uma meta nossa –, mas garantiu uma análise mais rápida”, afirmou. A executiva explicou que a companhia conseguiu construir um mapa de evolução da crise no território nacional e compreender como o episódio impactava consumidores e diferentes públicos estratégicos.

Já na Aegea, o uso da IA está associado sobretudo às áreas de integridade, monitoramento e segurança de dados. Hércules Silva explicou que a companhia estruturou sistemas de monitoramento voltados à relação com agentes públicos, atividade considerada estratégica para uma holding com 26 mil colaboradores, presente em 896 municípios por meio de contratos de saneamento básico.

“Um monitoramento de integridade é algo difícil de estruturar”, afirmou. Segundo ele, a companhia utiliza ferramentas como Microsoft Copilot e Claude para automatizar análises, gerar relatórios em tempo real e integrar informações provenientes de diferentes fontes, incluindo e-mails e notícias.

Hércules contou que a empresa chegou a testar monitoramentos em ambientes como deepweb e darkweb, mas concluiu que os dados disponíveis nesses espaços não agregavam valor às análises conduzidas pela área.

“O sucesso vem da interpretação humana do trabalho da IA”, afirmou. “A visão humana não vai ser substituída. A IA faz o trabalho de acordo com aquilo que ensinamos”, explicou.

Governança, liderança e cultura organizacional

O encontro também abordou desafios relacionados à governança, segurança e adoção cultural da IA dentro das organizações. Para Fabíola Duarte, parte importante desse processo depende do engajamento das lideranças e da redução do receio em relação à tecnologia.

“As pessoas têm que perder o medo da IA, têm que usar a IA no trabalho”, afirmou. Ela trouxe como exemplo um concurso interno promovido pela Diageo para estimular o uso de IA e o compartilhamento de práticas entre equipes.

A executiva também destacou que o uso responsável da tecnologia exige políticas claras e contratos estruturados. “Hoje só usamos ChatGPT e Canva, com contratos corporativos globais”, explicou.

Para Hércules Silva, a segurança deve permanecer como eixo prioritário em qualquer estratégia de adoção tecnológica. “A IA veio para facilitar e melhorar entregas, mas também há pessoas que usam a IA para o mal”, disse. “Temos que ter critérios claros de segurança para a área de IA.”

“Temos que levar os dados certos às pessoas certas”, afirmou Ana Luisa Nogueira. O avanço da IA tende a ampliar o papel estratégico das áreas de comunicação, especialmente em atividades ligadas à leitura de contexto, planejamento de cenários e construção de respostas reputacionais. “O futuro das relações públicas é visibilidade de risco, planejamento de cenários e influência estável”, afirmou Ana.

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Destaques

  • Além do monitoramento: IA avança sobre análise de risco, reputação e tomada de decisão na comunicação
  • Conselho Deliberativo da Aberje elege novos membros
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