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25 de fevereiro de 2026

Reputação da Amazônia no pós-COP30 exige estratégia permanente e protagonismo local

Primeiro encontro de 2026 do Capítulo Aberje Norte debateu riscos reputacionais, legado e papel de empresas e agências na consolidação de narrativas sobre a região
Mario Bucci
Realizado de forma online, primeiro encontro de 2026 do Capítulo Aberje Norte discutiu “A reputação da Amazônia na agenda global”
 
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Sustentar a Amazônia no centro da agenda global após a COP30, realizada em Belém no ano passado, exige transformar visibilidade em estratégia permanente, fortalecer vozes locais e qualificar a atuação de empresas e comunicadores. Esse foi o eixo do primeiro encontro de 2026 do Capítulo Aberje Norte (Capítulo Amazônia), que discutiu “A reputação da Amazônia na agenda global” sob a perspectiva do pós-evento.

Ao abrir o encontro, Mônica Alvarez, gerente de Comunicação Corporativa na Alubar e diretora do Capítulo Aberje Norte, questionou: “Quais são os riscos reputacionais que emergem nesse novo ciclo? Quais estratégias de comunicação e engajamento são importantes para manter a relevância de nossa região?”. Para ela, o legado da COP será medido pela capacidade de gerar engajamento contínuo, consolidar novas narrativas e fortalecer políticas públicas.

Ivana Oliveira, jornalista, sócia-diretora da Jambo Estratégias em Comunicação e professora titular da Universidade da Amazônia (UNAMA), defendeu que a região precisa deixar de ser objeto de cobertura para se tornar produtora de agenda. “Vivemos narrativas reais, mas incompletas. Se ficarmos no eixo da crise ambiental ou da exuberância natural, vamos cair no erro de retratar a Amazônia como problema ou paisagem”, afirmou.

Segundo Ivana, o legado comunicacional da COP pode ser observado em três camadas: “visibilidade imediata, mudança do enquadramento narrativo e institucionalização da pauta”, sendo esta última ainda em construção. Para ela, transformar “atenção momentânea em centralidade” depende de produção contínua de informação qualificada na própria região, do fortalecimento da imprensa local e da valorização de comunicadores amazônidas.

Daniel Nardin, fundador e diretor executivo do Amazônia Vox, reforçou a necessidade de pluralizar o discurso. “Ao falar de Amazônia, temos que falar de Amazônias, no plural”, disse. Ele criticou a homogeneização da região e alertou para o risco de colonialismo narrativo. “O mundo fala sobre a Amazônia, mas precisa ouvir os amazônidas.” Nardin também destacou que a notícia se tornou commodity em um cenário de crise da imprensa, o que exige maior valor agregado, nicho e prestação de serviço. Ele reforçou que o trabalho do Amazônia Vox é “feito com IA: Inteligência Amazônica”.

Layse Santos, CEO da EKO Estratégias em Comunicação, apontou que o desafio atual é “passar da vitrine à construção de reputação”. Para ela, o pós-COP traz riscos como fadiga de pauta, redução orçamentária e maior polarização. “Evento é palco quando acontece, mas reputação é bastidor e construção diária”, afirmou. Layse defendeu diálogo social consistente e contribuição demonstrável como caminhos para que empresas deixem o eixo defensivo e assumam protagonismo responsável. “A Amazônia não é tendência, é território estratégico.”

O debate também abordou a responsabilidade de empresas e agências. Para Mônica, é necessário que comunicadores corporativos se apropriem das pautas e do negócio para construir narrativas verdadeiras e coerentes. Ivana alertou que preconceitos ainda se manifestam em editais e práticas que excluem profissionais locais.

A consolidação da reputação amazônica no cenário internacional dependerá menos de eventos pontuais e mais de articulação permanente, qualificação técnica e fortalecimento do protagonismo regional. Como sintetizou Layse, é preciso preservar o impulso gerado pela COP e transformá-lo em estratégia de longo prazo para o mercado e para a comunicação na região.

A agenda institucional da Aberje para 2026 também foi apresentada. Victor Pereira, gerente de Relações Institucionais e Internacionais da Aberje, destacou que inteligência artificial será tema transversal ao longo do ano e que a entidade identificou a necessidade de desenvolver políticas de uso da tecnologia diante dos “novos alertas que surgem a cada desdobramento”. O diretor-executivo da Aberje, Hamilton dos Santos, ressaltou que 2026 trará desafios relevantes para a rede Aberje e que a IA “nos desafia para o bem e para o mal”.

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