08 de março de 2021

Relações governamentais e ESG: uma função sob nova ótica

Especialistas debatem competências e um novo futuro para a profissão

Especialistas debatem competências e um novo futuro para a profissão

Com o tema Relações governamentais e ESG: novas competências para enfrentar esses desafios!, a Aberje promoveu, no dia 3 de março, live gratuita com a presença de especialistas para discutir um dos temas mais relevantes do momento. O evento foi transmitido pelo canal do Youtube da Aberje e contou com a participação de Carlos Parente, diretor da Midfield Consulting e coordenador do Programa Avançado de Relações Institucionais e Governamentais da Escola Aberje de Comunicação; Grazielle Parenti, vice-presidente global de Relações Institucionais, Reputação e Sustentabilidade da BRF e presidente do Instituto BRF; Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP); e Raul Cury Neto, sócio-fundador da Vittore Partners.

Ao abrir o encontro, o diretor-geral da Aberje, Hamilton dos Santos, apresentou os destaques do ano da associação. “Nós procuramos nos posicionar cada vez mais como uma grande rede B2B que privilegia, dentro do âmbito dos negócios, o diálogo, disseminando conhecimento e boas práticas para fortalecer a comunicação nas empresas. Temos a pretensão de sermos um Think Tank de referência global em Comunicação e relacionamento”.

Carlos Parente entende que o tema ESG traz um desafio enorme para o profissional de relação institucional e governamental e para o de advocacy, na formulação de políticas e de marcos regulatórios e na capacidade de ouvir o contraditório. “Vivemos um momento de muitos antagonismos em que cabe ao profissional ter uma postura proativa para entender todos os pontos de vista, pois trata-se de um tema altamente complexo que demanda conhecimento técnico”, comentou.

Carlos Parente

Além do trabalho a ser feito dentro das corporações, Grazielle Parenti complementa a fala de Parente ressaltando o forte trabalho sendo desenvolvido nas associações de classe. “Vejo que a evolução do ESG foi um tsunami em 2020. Não houve conversa no mundo corporativo e dos investidores que não se falasse sobre isso”, comentou. “Sempre foi um diferencial um profissional da área institucional e governamental entender de negócios, mas nunca foi tão importante entender de negócios e de relações com investidor. Isso não quer dizer que iremos para uma área financeira, trabalhar numa área de relações com investidores, mas temos que entender as dinâmicas de mercado”.

Novas competências e uso da tecnologia

Quais são as competências necessárias para decodificar o tema ESG e saber lidar com essa evolução? Qual a melhor forma de comunicação com os públicos de interesse? Qual o compromisso de cada um nessa jornada cheia de desafios?

“Muitas vezes, um profissional de RIG passa a ter a necessidade de desenvolver competências em cima deste tema. Não é uma meta simples; é algo que propõe a necessidade de um aprendizado coletivo das empresas”, analisa Carlos Parente.

Grazielle Parenti

Para Grazielle, a grande mudança é que agora a expectativa é do investidor. “Percebo que as competências desejadas agora são outras, vão muito além do que fazíamos antes, como mapeamento dos principais riscos, planos de mitigação por exemplo. Evoluímos cada vez mais para uma construção de reputação e não temos respostas para tudo mas não vamos conseguir endereçar uma agenda ESG sem entender de inovação e transformação digital”, argumentou. 

Ao abordar questões como reputação, multidisciplinaridade e necessidade de se conhecer o mercado, Raul Cury Neto enfatizou a importância da Comunicação e do Marketing para todas as áreas de uma organização.Hoje, o profissional de Relgov moderno é multidisciplinar e, além dos requisitos técnicos, deve ter uma série de requisitos comportamentais que são importantes para o seu dia a dia, além do conhecimento profundo da área de relações com investidores e mercado financeiro e usar as ferramentas tecnológicas para, por exemplo, fazer uma política pública que vai impactar no ‘S’ da política de ESG dentro da empresa”.

Raul Cury Neto

Nesse sentido, o executivo ressaltou que a tecnologia vem mudando o jeito de ser de todas as profissões. “Como esse profissional acostumado a ter relações presenciais e de embate vai lidar com isso? Estamos diante de uma transformação que veio para ficar e os profissionais de RIG terão uma colaboração importantíssima nessa transformação: garantir a reputação da empresa”, argumentou, salientando que toda essa movimentação traz oportunidades como contratações no mercado de trabalho e a criação de cursos de capacitação na área. “Falar de ESG é falar de presente, não só de futuro. Empresas que não adotarem critérios de alto nível desses três pilares não farão negócios. E a comunicação é o ponto central para todas as áreas de uma organização”, definiu.

Utopia da profissão

Qual é a utopia da profissão de Relações Governamentais? A pergunta lançada pelo professor Paulo Nassar provoca os participantes e convida a todos a refletirem sobre o conceito da utopia, a partir do que entende por “enquadramento institucional da profissão”. “Ao analisarmos a maior parte do século XX, veremos que se trata de uma profissão que teve um processo de ‘desencantamento’ radical. Ao pensarmos na representação social que essa profissão teve expressa nas conversas, nos corredores, nas grandes mídias, percebemos que é uma representação desencantada, criminalizada, em momentos históricos diferentes do momento atual”, explicou.

Paulo Nassar

Nassar esclareceu que essa atividade estava, de certa forma, marginalizada. “No final do século XIX, os controles institucionais eram outros. O mundo era direcionado apenas para resultados econômicos. Nessa perspectiva, não existia um olhar para os impactos ambientais, sociais ou de governança, muito pelo contrário: tudo pelo resultado, e no curto prazo. A dimensão de uma nova narrativa que pode nos encantar agora vislumbra o longo prazo, uma narrativa que faça um alinhamento entre o que se fala e o que se faz e esse encantamento passa pela comunicação, não uma comunicação isolada, mas que trabalha com interfaces importantes, como a ciência de dados, os algoritmos, a inteligência artificial. Tenho muito otimismo em relação à profissão de RelGov porque realmente é uma profissão cheia de utopias, que pode trabalhar alinhada a estudiosos das políticas públicas, pessoas que estão no Executivo, no Legislativo e no Judiciário”.

Assista à live na íntegra:

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