11 de outubro de 2022

Pesquisa conduzida pela Aberje trata de fake news e a relação com o mundo corporativo

Estudo sobre fake news é debatido por especialistas e profissionais da comunicação

De que modo as fake news vêm impactando o dia a dia dos comunicadores e os negócios de um modo geral? Essa e outras questões são respondidas na segunda edição da pesquisa Fake News: Desafios das Organizações, conduzida pela Aberje e apresentada durante live promovida pela associação no dia 10 de outubro. A pesquisa  –  que teve como principal objetivo conhecer a dimensão do problema e os mecanismos que podem contribuir para mitigar a propagação das fake news  –  está alinhada às contribuições realizadas pela Aliança Aberje de Combate às Fake News, movimento empresarial contra a desinformação.

Ao iniciar a explanação dos resultados da pesquisa, Luiz Chinan, professor da Escola Aberje de Comunicação e curador da Aliança Aberje, sinalizou alguns pontos que foram debatidos por Sérgio Fausto, diretor-geral da Fundação FHC; Felipe Grandin, editor do portal g1, responsável pelo projeto Fato ou Fake; e Pâmela Vaiano, superintendente de Comunicação Corporativa do Itaú Unibanco.

De acordo com Chinan, a pesquisa mostra três aparentes paradoxos: o primeiro é que 51% das empresas responderam que foram afetadas economicamente por questões envolvendo fake news, mas somente 29% já contam com um plano de contingência para combater a desinformação em seus ambientes de negócio.

O segundo paradoxo apontado pelo executivo é que 75% das empresas sentem que podem sofrer alguma ameaça de uma campanha de desinformação no mercado em que atuam; em contrapartida, apenas 26% das organizações já realizaram um plano de treinamento com suas lideranças, por exemplo. O último paradoxo tem a ver com uma questão comportamental: 61% dos diretores respondentes afirmaram que costumam recorrer às redes sociais para obterem informações sobre o seu negócio e mercado em que atuam; e 81% deles responderam que não confiam nas redes sociais como fontes de informação. 

“É aí que entra a questão X das fake news, que tem muito a ver com comportamento e não com a nossa racionalidade. Essa é a grande dificuldade de se combater o compartilhamento de notícias falsas. E isso se reflete na pesquisa ao apontar que somente 2% dos respondentes disseram que costumam consultar as redes de checagens”, comentou Chinan. “A pesquisa deixa claro que há uma consciência sobre o problema, mas as empresas ainda não partiram para o segundo passo, de um enfrentamento próprio desse problema, com sistemas específicos de treinamento de lideranças para lidar com notícias falsas”, complementou.

E como as empresas podem combater esse problema? Para as empresas respondentes, a melhor solução seria o bloqueio e a desmonetização de redes sociais que produzam ou compartilhem fake news.

As fake news no universo empresarial

As fake news prejudicam a sociedade como um todo. As redes sociais democratizaram o debate público, mas a espera do debate público está contaminada. Essa é a visão de Pâmela Vaiano: “hoje o domínio informacional – que é baseado no medo, no terror, na mentira – pesa diante da persuasão. As fake news desvirtuaram a capacidade da sociedade de conversar e discutir, e isso afeta as organizações em um momento em que o consumidor tem um poder muito mais forte e estão mais próximos às empresas”, disse, explicando que fake news é necessariamente diferente da desinformação porque um organismo orquestrado, intencional e que se utiliza de mecanismos para a sua disseminação.

Pâmela Vaiano

Sérgio Fausto concorda com Pâmela ao ressaltar que é importante diferenciar fake news de informação ou imprecisa. “Há informações imprecisas sobre as empresas, há outras incorretas e há informações verídicas, porém desagradáveis para as empresas”, avaliou. “A imprensa tem uma delegação implícita da sociedade para atuar como numa espécie de vigia de várias esferas de poder e o mundo corporativo é um deles. Não há nada de errado nisso. O problema começa quando a informação errônea deixa de ser errônea para ser maliciosa que tem a intenção de destruir imagens e reputações”, explicou.

O executivo ressaltou que a tecnologia permite que isso aconteça em maior grau do que no passado, porém não é a única ‘culpada’ pela desinformação. “Há uma mudança mais importante na sociedade que é uma espécie de mudança de regime na construção de uma realidade paralela, na qual os fatos mais elementares não são respeitados”, analisou Fausto.

Sérgio Fausto

“Os fatos são passíveis de interpretação. O mundo é relativamente caótico e você organiza o mundo através de um recorte que você faz da realidade e uma interpretação que você faz dos fatos, e isso é passível de discussão. O que estamos vivendo é uma coisa diferente: é da construção de fatos que não existiram ou é uma distorção de tal ordem da interpretação que foge a qualquer parâmetro racional de compreensão da realidade”, salientou. “A fake news não é um fato isolado, ela faz parte de uma orquestração para mudar a forma pela qual as pessoas compreendem a realidade”, frisou Fausto.

Organização e sofisticação

Na ocasião, Felipe Grandin, da Fato ou Fake, comentou que os grupos que produzem fake news estão cada vez mais organizados e sofisticados. “São basicamente três os principais motivadores para a produção das notícias falsas: 1) os ‘trolls’, que criam a mentira por diversão; 2) grupos que querem alcançar as suas ideologias políticas, religiosas e de costumes, construindo uma ideia, seja atacando alguém, seja criando medo; e 3) o que tem crescido mais recentemente, grupos que viram uma oportunidade de ganhar dinheiro a partir da monetização das fake news nas plataformas”, elencou.

Felipe Grandin

De acordo com Grandin, os pesquisadores identificaram essas motivações, porém esses grupos não agem isoladamente. “Tem uma caraterística muito comum que, nas redes sociais, existem temas que viralizam e que todo mundo quer entrar para aproveitar o engajamento. Você pode aproveitar de forma positiva e de forma negativa. Os produtores de fake news estão sempre de olho no que está viralizando para sequestrar e ‘pegar carona’ nesse tema e acabam agindo de forma conjunta, tornando todos os atores mais vulneráveis”, explicou.

Assista à live na íntegra:

 

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