Pesquisa acadêmica com cases do Prêmio Aberje aponta fortalecimento de estratégias voltadas à identidade e legitimidade

Uma tese de doutorado que analisou os cases de Memória Organizacional premiados pelo Prêmio Aberje entre 2012 e 2023 identificou uma evolução nas estratégias de comunicação das organizações brasileiras, impulsionada pela transformação digital e pelo fortalecimento de iniciativas voltadas à identidade, à reputação e à legitimidade institucional. A tese está disponível para consulta na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP. O estudo também reforça a relevância da premiação como espaço de referência para a difusão de boas práticas da comunicação corporativa. As inscrições para a 52ª edição do Prêmio Aberje seguem abertas até 6 de agosto.
A pesquisa integra a tese de doutorado Narrativas de memórias organizacionais: resgate, construção e manutenção da legitimidade organizacional, de João de Deus Dias Neto, professor titular da Fatec – Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo, orientada por Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da ECA-USP. O trabalho apresenta a memória empresarial como um ativo estratégico vital para a sobrevivência das instituições no presente. O estudo defende que a narrativa atua como uma “ponte simbólica” entre a lembrança e a legitimidade, permitindo que as empresas transformem suas trajetórias em valor social e reconhecimento perante os públicos de interesse. Nesse cenário, as organizações que gerenciam profissionalmente sua história conseguem consolidar uma identidade sólida, fortalecendo sua reputação e garantindo a confiança necessária para operar em mercados altamente competitivos.
O trabalho analisa 35 projetos vencedores do Prêmio Aberje na categoria “Memória Organizacional” (entre 2012 e 2023). A tese destaca que o Prêmio funciona como um balizador de excelência, reconhecendo estratégias que elevam a memória ao patamar de responsabilidade ética e histórica, provando ser um diferencial capaz de humanizar as corporações e aproximar os interesses organizacionais das crenças da sociedade.
João identificou uma evolução nas estratégias de comunicação, impulsionada pela transformação digital, mas sem perder de vista aspectos centrais da identidade organizacional. “Nos projetos analisados, fica registrada a evolução da comunicação nas organizações, quando os comunicadores optam pela diversificação de linguagens, possibilitando ampliar a penetração da mensagem em diferentes públicos, mais entendimento, mais adesão, mais identificação com a corporação e, por consequência, mais sentido de pertencimento”, afirma.
Segundo o pesquisador, os trabalhos de maior destaque compartilham uma característica comum: articulam inovação, memória e identidade para fortalecer a legitimidade das organizações perante seus públicos. “Se a imagem só se sustenta quando enlaçada com a identidade corporativa, bases sólidas para legitimação permitirão ir mais além, em suas propostas de operações e longevidade”, observa.
João recomenda que os profissionais adotem uma visão estratégica sobre os projetos inscritos. “O foco é preservar a identidade corporativa, suas raízes e evolução. Projetar uma imagem que corresponda à identidade. A transparência, mesmo que haja alguma mácula, é fundamental: um passo indispensável para construir legitimidade”, destaca.
Reconhecido como a principal premiação da comunicação corporativa brasileira, o Prêmio Aberje contempla 20 categorias e recebe inscrições de empresas, agências, órgãos públicos e organizações do terceiro setor de todo o país. Os trabalhos são avaliados por cerca de 300 especialistas do mercado e da academia, e os vencedores regionais disputam posteriormente a etapa nacional.
Além da premiação, os cases vencedores ganham ampla visibilidade por meio das audiências públicas do Painel de Cases, da revista “Comunicação Empresarial” e do livro publicado anualmente pela Aberje, que reúne os principais benchmarks da comunicação corporativa brasileira.
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