Pandemia e transformação cultural nas empresas: a ordem é humanizar relações
28 de outubro de 2020
  • English

Aberje promove webinar sobre pandemia e transformação cultural nas empresas abrindo o debate sobre inovações em vários aspectos 

Mudanças são processos. Não há mudança possível sem que as pessoas estejam no centro, sem rever o modo como se constrói relações, sem rever como se traz as pessoas para dentro de um processo de transformação organizacional. E as mudanças não estão sob o controle de ninguém. Isso ficou claro durante o webinar realizado pela Aberje no dia 26 de outubro, com patrocínio da Toyota. Para debater o tema Pandemia e Transformação Cultural nas Empresas, o encontro reuniu Daniela Bittencourt Ferreira, gerente de Comunicação Institucional da Toyota; Vânia Bueno, fundadora da Anima Convivência Produtiva; e Elisa Prado, diretora de Comunicação Corporativa da Telefônica Vivo. 

Ao abrir os trabalhos, o mediador da live Rodolfo Araújo, VP de Estratégia da Weber Shandwick e líder regional da United Minds, estimulou a conversa destacando um dado de uma pesquisa recente da Consultoria Towers Watson, que afirma que 75% das transformações nas organizações falham no longo prazo. Mas como definir transformação? É a mesma coisa que evolução? Quais são as premissas para que esse processo dê certo e atinja os objetivos do negócio?

Rodolfo Araújo

Vânia Bueno explicou que inovação não é um processo individual, normalmente é a coalizão de dois palpites. “Reinventar significa reintegrar, remover fronteiras. E quais são as nossas barreiras na relação com o outro no nosso dia a dia? São as nossas certezas, os nossos julgamentos, os nossos pré-conceitos que vamos criando porque não conhecemos algo de verdade”.

“Precisamos inovar comportamentos”

Ao iniciar sua fala, Vânia Bueno comentou que diante de tantas coisas novas e desafiadoras que a pandemia trouxe, na área da convivência ela revelou a comunicação como habilidade humana. “A pandemia nos fez lembrar que há outras viroses acontecendo nas empresas. Muitas empresas vivem há muito tempo em culturas tóxicas em que o vírus é a não escuta, a não inclusão, a falta de respeito, a competição exacerbada que vai trazendo tensão e dificuldade em conviver”, comentou. “Eu acredito na comunicação como habilidade humana”, completou.

Ela analisa que a crise contribuiu para aumentar o fluxo de comunicação, trazendo uma dimensão humana para o trabalho e criando uma ‘porosidade’ maior entre o papel (atribuição na empresa) e o indivíduo. “Muitos estavam deixando sua vida pessoal para fazer uma entrega integral para o trabalho e agora temos que acolher as outras dimensões. Todos são maiores do que o papel”, frisou.“Temos que formar comunicadores e não apenas fazer comunicação, de ajudar as pessoas a entenderem o que significa, de fato, comunicação a fim de gerar mais fluxo, compreensão e colaboração”, disse. 

Vânia Bueno

Vânia também comentou sobre a facilidade com que as pessoas se comunicam e a transparência que as redes sociais impõem, além de destacar sobre a importância da diminuição da distância entre o que se fala e o que se faz, entre o discurso e a prática. “A transparência que a rede traz não é mais uma escolha, é uma condição. Até pouco tempo, era possível dizer uma coisa e fazer outra. Hoje está cada vez mais difícil fazer isso. Comunicação não é o que eu digo ou escrevo. Comunicação é comportamento. Tudo comunica. O meu silêncio pode falar muito mais do que o meu discurso; a minha ausência pode ter um significado enorme. Precisamos inovar comportamentos”, exemplificou. 

A evolução cultural da Toyota

Durante a live, Daniela Bittencourt Ferreira compartilhou o aprendizado que os colaboradores estão passando na Toyota, ao contar que a companhia trabalha na construção de uma cidade inteligente aos pés do Monte Fuji, no Japão, uma espécie de laboratório vivo para a realização de experimentos. “É o início de uma nova história, um período de grandes evoluções culturais”, disse. “Isso faz parte desse novo posicionamento como uma empresa do setor em mobilidade. Queremos oferecer soluções completas em mobilidade”, complementou.

Na ocasião, a executiva falou sobre como funciona a cultura do diálogo e do envolvimento da liderança da Toyota no Brasil. “No final de 2019, nos perguntamos como poderíamos trabalhar melhor e com mais agilidade, economia de recursos e com sustentabilidade e o que é mobilidade para nós. Então fizemos um trabalho de cocriação com a alta liderança e envolvemos cerca de 4 mil pessoas e 44 agentes de mudanças, pessoas que estavam mais abertas a trazer novas ideias e agir como influenciadores culturais”.

Daniela Bittencourt Ferreira

Daniela contou que, além de manter os valores da empresa vivos,  descobriram que precisavam desenvolver novas competências: “A ‘adaptagilidade’, justaposição de duas palavras, se adaptar com agilidade; ‘desafio’, ser capaz de desafiar o status quo; o foco no cliente; a capacidade de entrega e o aprendizado. E para os líderes, o desenvolvimento da liderança pelo exemplo. Esse é o nosso guarda-chuva de evolução cultural, chamado Toyota Moving Lives”, relatou.

A evolução cultural de uma companhia que participa da evolução da sociedade esbarra no desafio de compreender qual o lugar de cada ser humano no planeta e de fazer a diferença. “Nós enquanto indivíduos, comunidades e empresas que participam da sociedade devemos repensar os desafios no sentido de como podemos evoluir e acelerar ainda mais, não só a retomada dos negócios, mas também essa nossa preocupação com o planeta”, ressaltou.

Todos conectados ao mesmo tempo

No centro de vários processos de transformação, o setor de telecomunicações teve um papel altamente relevante e essencial durante a pandemia. Ao contrário do setor automotivo, que teve queda em vendas, o setor registrou cerca de 40% de aumento da comunicação em rede, de acordo com Elisa Prado. “Tivemos o desafio de colocar todos os nossos colaboradores em home office, durante os cinco dias da semana, e cerca de 10 mil pessoas atuando no call center, além de manter os técnicos de campo atendendo chamados e fazendo a manutenção da rede para manter a sociedade conectada”, acentuou.

“Dentro da empresa, também tivemos que fazer com que isso desse certo; 32 mil pessoas precisavam de direcionamento. A comunicação, neste momento de pandemia, não podia ser só técnica, ela precisava falar com as pessoas através de uma relação humanizada, pois todos estavam perdidos. Então, tínhamos que direcionar as pessoas ”, disse.

Elisa Prado

Elisa contou que o início se deu com os líderes, através do repasse de informações aos colaboradores que estavam trabalhando de em casa. “Tínhamos o propósito de entregar o ‘oxigênio’ para as pessoas, nosso setor se tornou, na verdade, o oxigênio, para estudar, trabalhar, baixar um app, se comunicar por mensagens, pois tudo passa por uma rede de telecomunicação”, argumentou. “Eu acredito na comunicação dos líderes e a empresa acreditou nisso dialogando de forma aberta, transparente e escutando. Isso que eu chamo de humanizar a relação”, completou.

Assista à live na íntegra:

 

 

 
Twitter e-Mail Facebook Whatsapp Linkedin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.