O papel dos comunicadores na crise atual, seus desafios e novas competências
13 de outubro de 2015
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Esses temas foram debatidos durante os três painéis que integraram a agenda do encontro. O primeiro deles, Empregabilidade e novas competências, contou com os palestrantes Claudia Giudice, jornalista e autora do livro e do blog A Vida Sem Crachá; André Senador, Diretor de Assuntos Corporativos e Relações com a Imprensa da Volkswagen e Sérgio Averbach, Presidente da América do Sul e sócio da Korn Ferry Internacional. Paula Traldi, fundadora da Blossom Desenvolvimento, foi a mediadora.

Claudia Giudice contou sua experiência ao ser demitida do cargo de executiva de uma grande empresa, na qual trabalhou por 23 anos e como se reinventou a partir desse fato. “Ao perceber que, diante da atual situação da indústria da comunicação eu não iria me recolocar, usei a transparência e a coragem para mexer com um assunto tabu e fazer disso uma inovadora plataforma de comunicação”, afirma.

Ela colocou alguns pontos que percebeu nesse processo, como a mudança no modo de interagir com os clientes, a intimidade inerente aos novos modelos de comunicação, a questão do poder e o fato de que as pessoas buscam coisas que toquem o coração. E citou um grande paradoxo: o papel, hoje, tem relevância ao dar legitimidade e perenidade à comunicação – “algumas histórias precisam ser impressas, porque precisam ter vida longa”.

André Senador falou sobre um recente episódio vivido na Alemanha ligado aos refugiados estrangeiros que chegam àquele país e as doações que as empresas estão fazendo em prol dessa causa e fez uma ligação com a mudança papel do comunicador. “Muitos vezes acreditamos que temos que esperar uma determinação de alguém para agir, mas é o contrário: temos que usar nossa capacidade de interpretar os fatos para a empresa e recomendar ações para que ela possa apoiar ou responder às demandas da sociedade. O comunicador precisa tomar iniciativa, porque vivemos na era do terrorismo midiático – como fazer para colocar nossa marca em evidência?”.

Senador abordou ainda a questão da ética, da governança e do compliance e a importância da reflexão sobre o comportamento das empresas, em função da crise da Volkswagen mundial, que está sendo punida por uma decisão técnica de um executivo. Enfatizou que o comunicador precisa saber lidar com os problemas, sempre procurando ter uma visão panorâmica e usar a narrativa para contar a história da empresa que a posicione na sociedade, de forma a fortalecer sua credibilidade.

Sérgio Averbach expôs os resultados de uma pesquisa feita com 365 CEOs de empresas marcadoras de tendências da América Latina, feita pela Korn Ferry. Essa pesquisa levantou as competências mais fortes de suas equipes hoje, que são:

  •  Entende e conhece o negócio
  •  Foco no resultado
  •  Age com honra e caráter
  •  Mantém o foco nas prioridades
  •  Lida com os problemas
  •  Resolve os problemas com facilidade.

 

Ao colocar em um gráfico essas respostas, perceberam que todas essas competências são fáceis de desenvolver e muito disponíveis no mercado. Isso significa que as equipes, atualmente, têm competências que são commodities. Diante disso, foi perguntado a esses presidentes: “E no futuro, quais as competências que vocês gostariam de ter?”. As principais citadas foram duas: criar o novo e o diferente e habilidade de comunicação. O resultado é que as competências que o futuro vai exigir são pouco disponíveis no mercado e difíceis de desenvolver. “O futuro é agora, não é daqui a 10 anos. Essa é a reflexão que deixo para vocês”, disse Averbach.

 

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Painel 2: As verdades e mitos sobre as novas narrativas

Painel 3: Desafios inadiáveis

 
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