Como foi 2020 e o que será 2021: agências de Comunicação avaliam o mercado
18 de fevereiro de 2021
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CEOs de agências de comunicação avaliam o ano que passou e falam o que esperam de 2021

O mercado de Comunicação, assim como tantos outros, também foi extremamente impactado pela crise do coronavírus em 2020. Trabalho remoto, distanciamento social, digitalização, medidas de proteção, resiliência, desafio, reinvenção, economia sustentável, adaptação, agenda ESG, empatia, disciplina, liderança, engajamento, posicionamento… Muitas são as palavras que representam os passos de uma insólita caminhada feita pelos profissionais de Comunicação nos últimos meses e que ainda não acabou. Sem dúvidas, o ano passado foi marcado por aprendizados que agora estão ressignificando a jornada do mundo corporativo. Nesta reportagem, profissionais que lideram agências de Comunicação em diversas regiões do país, todas associadas da Aberje, avaliam o difícil ano que passou e projetam expectativas para este ano:

Patrícia Ávila, diretora geral da Jeffrey Group em São Paulo

Patrícia Ávila

“A única previsão que se pode fazer em 2021 é que as coisas não voltarão ao normal. O mundo mudou, e a comunicação não é exceção. Difícil dizer qual será o foco dos comunicadores, mas faço aqui duas apostas. A primeira é a continuidade do trabalho remoto. Se, por um lado, a tecnologia facilita cada vez mais o processo, o mesmo não acontece com os laços da cultura organizacional. Vamos ter que reinventar a comunicação interna e o engajamento de pessoas para além da próxima live. E a segunda é a amplificação da agenda ESG. Depois da pandemia, as empresas terão que investir tempo e capital para resolver outros grandes problemas que continuam a nos afligir. Esse será o principal fator para geração de valor no longo prazo”.

Beth Garcia, fundadora e CEO da Approach Comunicação 

Beth Garcia

A maior lição foi o canal de solidariedade e empatia que a pandemia trouxe, fazendo corporações abrirem novas perspectivas de comunicação de causa e propósito. Se esse caminho já era uma tendência, agora criou raiz profunda e o ESG ganhou diretoria. A preocupação com o público interno ampliou nossa atuação e os mais diversos tipos de entregas digitais para diferentes stakeholders foram implementados sem hesitação. Nossa essência de conteúdo relevante teve papel fundamental na liderança desse processo e fidelizamos ainda mais o cliente. Em 2021, o cenário segue de incertezas, mas sem o ineditismo da situação e agora com uma luz de vacina no fim do túnel. Isso tranquiliza mas deixa a dúvida dos caminhos vencedores da comunicação. O varejo sofre com a falta de identificação e precisa desenvolver apelos mais sutis para a retomada, cuidando do cliente em uma hora de pausa para garantir que ele estará lá depois. Os influenciadores precisam ser monitorados de perto, pois os públicos estão mais sensíveis a manifestações inadequadas. Proximidade, sensibilidade e agilidade são as palavras de ordem para não deixar essa bola de cristal cair”.

Daniela Graicar, co-CEO da agência PROS

Daniela Graicar

“O ano de 2020 foi de muito trabalho, resiliência e ajuste constante de rota. As ativações de marca e os eventos corporativos previstos foram, obviamente, adiados ou cancelados. Por outro lado, nossa operação de conteúdo cresceu e ganhou novos formatos (música, podcast, filme, live, websérie, projeção), assim como ganhou relevância o apoio estratégico aos MKTs e CEOs na escolha e entrega das ações de ESG. Nossa receita aumentou 35%, mantivemos o quadro de funcionários e entregamos importantes cases de PR criativo, protagonizando importantes conversas. Fechamos um ano tenso e triste para o mundo todo com uma sensação de dever cumprido e expectativas altas para 2021, que já se mostram possíveis”.

Bia Azevedo, managing partner da Marqueterie, agência de Relações Públicas

Bia Azevedo

“A reputação se tornou um valor ainda mais relevante para as marcas nesses tempos de tantas incertezas. Em 2020 foi preciso explorar a comunicação em prol da geração de confiabilidade, a partir da transparência, credibilidade, sensibilidade e empatia via domínio das mais variadas ferramentas, principalmente as digitais, em cenários que precisavam ser atualizados diariamente. As empresas vêm avançando no cuidado com sua imagem institucional, nas boas práticas sociais, ambientais e de governança, mas 2020 foi marcado como um ano importante para fortalecer esse pacto, não só com stakeholders, mas com toda a sociedade. Ao alicerçar o propósito como valor fundamental, reafirmamos os laços das empresas com seus públicos, mesmo em momentos difíceis. E isso é um movimento que veio para ficar”.

Dulcemar da Costa, diretora da BH Press Comunicação

Dulcemar da Costa

“O ano exigiu adaptação, aprendizados rápidos e muita disciplina para manter o atendimento aos clientes, o alinhamento interno e o respeito aos protocolos de segurança. No final das contas, os resultados superaram nossas expectativas: fechamos 2020 com contratos novos e importantes, aumentamos nossa equipe e rede de parceiros e incrementamos os resultados em torno de 20%, na comparação com 2019. Temos certeza de que isso só foi possível porque já contávamos com um time bastante integrado antes de adotarmos o trabalho remoto. Embora tenhamos tido revisão e suspensão de alguns contratos com clientes de pequeno e médio porte ou voltados para o varejo, vimos crescer as demandas em empresas maiores. Em linhas gerais, essas empresas intensificaram a comunicação interna com foco no engajamento e na segurança relacionados à Covid-19. Nas empresas que já se encontram na trilha da sustentabilidade, a gestão e a prestação de contas ligadas ao perfil ESG ganharam ainda mais relevância e prometem pautar a comunicação este ano”.

Ilda Castro, diretora na Mile4 Assessoria de Comunicação

Ilda Castro

“Apesar das adversidades impostas pela pandemia, a área de comunicação, pelo menos no Espírito Santo, não registrou perdas tão significativas. Se por um lado, houve menos demandas de segmentos como comércio e serviços, por outro cresceram as de áreas como saúde, construção civil e agropecuária. Além disso, novos temas emergiram ou foram reforçados como pautas relacionadas à ciência, à humanidade e à própria doença, gerando alta procura por uma comunicação ágil, transparente e objetiva. A tendência é que esse novo movimento perdure ainda por um bom tempo. A comunicação voltada a temas como sustentabilidade, capitalismo de stakeholders, governança e disrupção deverá ganhar cada vez mais força, traduzindo-se em novas oportunidades de trabalho. Afinal, trata-se de um novo cenário que demanda maior reposicionamento das lideranças, formação e engajamento de colaboradores aos novos direcionamentos e práticas, adoção de uma comunicação externa ainda mais proativa e estratégica. Ferramentas e consultorias que diversificarão o portfólio das empresas de comunicação. 2021 chegou, assim, com boas e desafiadoras frentes de trabalho, suportadas pelos novos rumos da comunicação institucional”.

Monique Melo, gestora da Texto & Cia Assessoria de Comunicação

Monique Melo

“2020 chegou escancarando o poder da comunicação assertiva em tempos fechados. E é utilizando estratégias assim que fortalecemos tantas marcas, ainda que os reflexos da crise estejam por vir. O avanço para outros estados é cada vez mais comum e a Texto & Cia teve um crescimento de 30% em 2020. Aumentamos a equipe da Gestão de Redes, na qual temos expertise em aspectos como SAC, Reputação, Identidade Visual, Criação de Conteúdos de Valor e Estratégias para Engajamento Orgânico. São mais de 25 anos trabalhando em gerenciamento de crise com 100% de acerto, usando a comunicação empática. Trabalhamos também na Causa e Propósito, com o cuidado de mostrar todo o Storytelling do cliente – por quê, como e o quê faz – de forma criativa. Usamos, ainda, a LGPD e a Governança Corporativa e focamos agora na Great Reset, para reconstruir a economia de forma sustentável. Quem investe em meio ambiente e no ser humano tem o futuro mais garantido. Pessoas amam marcas que amam pessoas. É importante lembrarmos como podemos ser protagonistas desse novo mundo”.

Karina Barcellos, CEO & partner da agência SmartPR 

Karina Barcellos

“Embora o início de 2021 pareça uma prorrogação de 2020, há razões para acreditar. A realidade de uma equipe fisicamente unida, um dos mais potentes motores de aprendizado de PR, pode estar ainda distante, mas o trabalho remoto trouxe maturidade extra para todos. Agora, será impossível para as empresas ignorar o chamado da sociedade por relações de trabalho mais justas e respostas rápidas e consistentes sobre diversidade, inclusão, meio ambiente e governança. É uma oportunidade de, além de olhar para o nosso próprio umbigo, reforçar o papel das agências na gestão da reputação dos seus clientes, com ações concretas, mais realistas e verdadeiras”.

Fábio Santos, CEO da CDN Comunicação

Fábio Santos

“O ano passado foi desafiador em função da pandemia e suas repercussões na economia, o que exigiu ajustes de custos e um esforço extra das equipes para manter o atendimento dos clientes em um período de crise sanitária. Vencemos o desafio, nos adaptamos ao trabalho remoto e usamos a crise para ampliar a digitalização da CDN. Ao mesmo tempo, a pandemia abriu espaço para novas oportunidades, como, por exemplo, o reforço na necessidade de as empresas investirem em comunicação, em especial para ressaltar seus compromissos com sustentabilidade (ESG). Acreditamos que 2021 trará ainda mais oportunidades nesse campo e na promoção de valores reputacionais, uma vez que essa é uma exigência dos consumidores em relação às marcas”.

 
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