Líderes de comunicação corporativa analisam expectativas para o ambiente de negócios brasileiro
24 de fevereiro de 2022
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Grupo LiderCom da Aberje debate estudo “Agenda 2022”, desenvolvido pela Deloitte, que mapeou prioridades e expectativas dos líderes empresariais para o ambiente de negócios neste ano

O primeiro encontro do ano do LiderCom – grupo exclusivo de líderes da Comunicação Corporativa associados à Aberje – teve como foco a “Agenda de 2022”, a partir de uma pesquisa realizada pela Deloitte, que contou com o apoio da Aberje e de outras instituições. O estudo traz as prioridades e expectativas dos líderes empresariais para o ambiente de negócios neste ano.

Na ocasião, o diretor de Comunicação e Marketing da Deloitte Brasil, Renato Souza, contou como esse projeto de pesquisa conversa com a estratégia de Comunicação de forma ampla. “Conteúdos como este fazem parte da rotina de profissionais de comunicação de organizações e setores diversos. No nosso caso, uma empresa de consultoria, isso acaba tendo um valor ainda maior”, iniciou o executivo. “Um dos nossos valores compartilhados é o ‘Lead the Way’, liderar o caminho no sentido do pensamento, das boas práticas e do exemplo. Nossos números mostram a busca em transformar essa meta de compartilhar conhecimento em trabalho de comunicação”, complementou.

Renato Souza

A pesquisa “Agenda 2022”, busca traduzir e interpretar expectativas, prioridades dos líderes empresariais, “mas também trazer alguns elementos de como se transforma a nossa ideia no dia a dia – seja na condição de empresário, ou de formador de opinião – em realidade e como as organizações se colocam na sociedade num contexto tão complexo como este que nós vivenciamos hoje”, ressaltou Renato.

Ao apresentar a pesquisa da Deloitte, lançada em evento online no dia 1º de fevereiro, o economista e responsável técnico pela pesquisa, Giovanni Cordeiro frisou que o objetivo do estudo foi levantar as prioridades e as expectativas dos líderes empresariais para o ambiente de negócios brasileiro, ao coletar respostas de cerca de 500 organizações de diversos setores que faturam juntas o equivalente a 35% do PIB nacional.

Giovanni Cordeiro

Tecnologia e capacitação profissional

Apesar de um ano de muita incerteza e desafios, as empresas precisam se manter competitivas e, para isso, precisam planejar seus investimentos em tecnologia e produtividade e esperam aumentar receitas. O estudo aponta que 42% das empresas respondentes esperam uma certa estabilidade para a atividade econômica brasileira. A volatilidade do mercado, a imprevisibilidade de receitas e de resultados, e a falta de mão-de-obra qualificada estão entre os principais desafios para tirar projetos do papel.

A maior parte das empresas, de acordo com a pesquisa da Deloitte, deve manter ou aumentar investimentos em tecnologia e capacitação de profissionais como forma de responder à transformação digital e garantir a sustentabilidade do negócio. Investimento em capacitação tecnológica e profissional refletem uma lacuna em Educação, a principal demanda social do empresariado para o setor público. Entre os investimentos, o maior desafio é a busca de mão-de-obra qualificada e a necessidade de investimento e de treinamento e formação de funcionários aparece com o percentual de 90%; a necessidade de inovação para manter a competitividade do negócio com o lançamento de novos produtos/serviços (85%); ampliação em pesquisa e desenvolvimento (70%).

Gap da qualificação de mão-de-obra 

A pesquisa também contou com a participação de instituições de ensino, como universidades e centros de tecnologia. Na ocasião, Ana Carnaúba, head da D-Influencers Mercado – Universidade Corporativa da Deloitte Brasil, explicou melhor sobre uma grande preocupação das empresas em relação à qualificação dos profissionais.

Ana Carnaúba

Na visão da executiva, essa pesquisa escancara muito a realidade de hoje, do ser humano profissional dentro das organizações. “Esta não é uma questão única do setor de Comunicação, ele é mundial e alcança todas as indústrias, todos os setores. Hoje, ter 18 anos não garante nada e ter 70 também não é uma sentença. O que a gente está vivendo são duas curvas que estão se distanciando muito. Ter 50 anos hoje não está nem próximo de uma necessidade de aposentadoria”, analisou Ana. “A expectativa de vida e esta baixa taxa de educação formam um gap enorme”, complementou.

Novos mindsets

Ana salientou o fato de que é preciso se capacitar sempre. “Será que ainda é tempo de se viver baseado em dados em planilhas de Excel? Será que ainda é tempo de viver debruçados em planilhas de colunas e linhas quando na verdade é possível criar robôs que farão em segundos a conciliação de dados? Qual é o tipo de gestão, de raciocínio e cognição que nós estamos fazendo em nossas empresas?”, indagou.

“A gente se preocupa muito com a transformação digital e a pesquisa aponta que 90% dos interesses das pessoas que fazem gestão de negócios é formar pessoas. Formar pessoas em tecnologia ou para a tecnologia?”, acentuou Ana. “Não é possível mais fazer controles, projeções ou leitura de cenários em Power Point e Excel. É limitador para o ‘meu’ raciocínio a quantidade de dados que existem em ‘minha’ volta e não estar habilitada para capturá-los. 

Na visão da executiva, as empresas não vivem apenas um apagão de talentos. Elas vivem um apagão cognitivo, de pessoas que já estão em seus postos de gestão com desafios grandes.” A disrupção é tão rápida e frequente que quando a gente percebe, o cliente não nos contrata mais, perdemos competitividade. O grande chamado na formação de pessoas é trabalhar o mindset, como liderar, como centralizar ou abrir para alianças e aprender com outras empresas, pois estamos todos conectados”, alertou.

 

 
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