EY: Transformação digital e M&A são prioridades na recuperação de empresas brasileiras
16 de setembro de 2021
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Pandemia aumentou foco estratégico e investimento em transformação digital para 70% dos executivos entrevistados, segundo estudo da EY

Com a rápida mudança nas relações de consumo e de trabalho a partir do surgimento do novo coronavírus, os executivos brasileiros perceberam que precisam reinventar suas empresas e direcionar seus investimentos para a transformação digital e o desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Essa perspectiva também se aplica nas tomadas de decisões para M&A (fusões e aquisições), segundo o Barômetro de Confiança da EY – Global Capital Confidence Barometer 2021. Foram entrevistados mais de 2,4 mil executivos, entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, integrantes de empresas de 52 países – incluindo o Brasil – e de 15 setores da economia, tais como serviços financeiros, telecomunicações, consumo e varejo, tecnologia, mídia e entretenimento, saúde, transporte e energia, entre outros. Do total de entrevistados, cerca de 2 mil são executivos que ocupam cargos como CEO, CFO (executivo de Finanças) e CMO (executivo de Marketing).

O levantamento aponta que 36% das empresas brasileiras estão mais interessadas em adquirir novas capacidades – ativos digitais e de tecnologia para ajudar a construir resiliência – do que entrar em novos mercados. Cerca de 43% dos entrevistados, procuram negócios para aquisição nos próximos 12 meses.

“Um exemplo recente é a compra do Jovem Nerd (maior plataforma multimídia voltada para o público nerd e geek do país e produtora do podcast NerdCast) pelo Maganize Luiza (MGLU3). Não há sinergia entre os negócios, mas o que a Magalu estava pensando? Comprou uma capacitação de criar conteúdo e de alcançar novas pessoas. Com sua força, amplia essa capacidade em 10 vezes. Desta forma, o racional de aquisição passou a ser adquirir novas capacitações e ser mais arriscado nas transações”, explica o sócio de Strategy Practice da EY-Parthenon, Eduardo Tesche.

Com considerável espaço para crescer dentro das fronteiras do país, 69% dos executivos brasileiros dizem que estão mais inclinados a novas aquisições no mercado interno. No entanto, 70% deles acreditam que podem enfrentar uma forte concorrência do capital privado.

Ainda de acordo com a pesquisa, a maioria das empresas brasileiras ouvidas afirma que sua revisão estratégica e de portfólio, acelerada pela pandemia no ano passado, é parte de uma transformação significativa de negócios e tecnologia – 70% dizem que a pandemia aumentou seu foco estratégico e investimento em transformação digital.

 “Os investimentos não são para reduzir custos e melhorar a operação. Os investimentos são para criar novas maneiras de vender produtos ou desenvolver novos produtos de um jeito diferente. Tem mais a ver com como crescer e sobreviver no mundo de competição”, explica Tesche.

O desafio é determinar quais mudanças induzidas pela pandemia são temporárias e quais são de longo prazo, pois identificam áreas de investimento em tecnologia e recursos digitais. Embora 32% dos executivos acreditem que os esforços de transformação digital de suas empresas durante a pandemia tiveram um desempenho melhor do que os dos concorrentes, muitos (35%) acreditam que seus esforços digitais tiveram um desempenho inferior.

Recuperação econômica

Em níveis globais, a pesquisa mostra que, mesmo com a receita e o lucro tendo sido atingidos (88% e 92%, respectivamente), as empresas sentem-se satisfeitas em relação ao seu desempenho durante a pandemia, mas reconhecem a necessidade de continuar investindo em busca da recuperação. Em meio à crise, 63% das empresas planejam uma estratégia voltada à revisão de portfólio, com foco no investimento em recursos digitais e de tecnologia centrados no cliente.

Os executivos brasileiros permanecem cautelosos sobre o caminho para a recuperação, apesar do aumento da atividade econômica a partir de 2021. De acordo com a pesquisa, 86% afirmam que suas empresas viram um declínio significativo na receita e na lucratividade na esteira da pandemia covid-19, que paralisou a economia do Brasil.

O maior risco para o crescimento dos negócios continua sendo a pandemia. Apenas 17% dos executivos (contra 46% globalmente) esperam que as receitas retornem aos níveis pré-pandêmicos em 2021. Outros 52% acreditam que isso chegue a 2022 ou mais. Em relação à lucratividade, os executivos brasileiros acreditam que o retorno aos níveis pré-crise somente ocorrerão em 2022 (28%) ou 2023 (38%).

 
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