Diversidade e inclusão contribuem para o desempenho das equipes de comunicação nas empresas
27 de abril de 2021
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Tendências de Comunicação nos Programas de Inclusão é tema de primeiro painel de cases do evento, que segue até esta quinta (dia 29)

Teve início ontem (dia 26), a segunda etapa da 5ª edição do tradicional Aberje Trends, um dos principais eventos sobre tendências em comunicação corporativa do Brasil, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial – Aberje e que segue até esta quinta-feira (29), sempre das 18 às 19 horas. Com o tema “Tendências de Comunicação nos Programas de Inclusão”, o painel de cases aborda como a diversidade está contribuindo para o desempenho das equipes de comunicação das organizações. 

O primeiro case foi apresentado por Helena Alonso, líder de Comunicação Corporativa para a Dow no Brasil; seguido do case da 99, com Pâmela Vaiano, diretora Sênior de Comunicação e Responsabilidade Social e Viviane Custódio, Senior Copywriter; e case da Bayer, com Patricia Leung, líder de Employer Branding, University Relations & Onboarding e Juliana Gomes, trainee da área de Crédito e Cobrança Brasil. A mediação ficou a cargo da instrutora da Escola Aberje Suzel Figueiredo, conselheira na ABEP – Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa e sócia fundadora da Ideafix Pesquisas Corporativas.

Narrativas que humanizam

Ao abrir o primeiro painel da semana, o diretor-presidente da Aberje e professor titular da ECA-USP, Paulo Nassar, salienta que uma tendência não nasce de um dia para o outro e que, na medida em que a industrialização avança, há uma narrativa cada vez mais especializada baseada na linguagem técnica, voltada apenas à produtividade. “Hoje, as narrativas não conseguem superar o déficit de atenção e a produção intensiva de informações. As pessoas não conseguem identificar a informação importante, por isso há necessidade de narrativas que engajem, que possam humanizar a vida”, destaca. “Os dados explicam muitas coisas, mas o que humaniza verdadeiramente são as narrativas, são as histórias”, complementa a mediadora Suzel Figueiredo, que trabalha com pesquisa e com dados há 30 anos. 

Suzel Figueiredo

Em seguida, Helena Alonso fala de um programa recente implementado na Dow indústria de ciências dos materiais de origem estadunidense baseada no Brasil e na América Latina há 65 anos que tem uma conexão com a jornada de D&I desde os anos 1980. Recentemente, a companhia estabeleceu um compromisso global que traz em sua agenda os pilares Advocacy, Comunidade e Talento, formando o acrônimo ACT (Agir), de onde são desdobrados uma série de ações pautadas no combate efetivo ao racismo.

De 2019 para cá, os programas de recrutamento da empresa foram reformulados para que pudessem trazer mais representatividade racial. “Este ano, lançamos nosso programa de trainee com foco na população negra e a comunicação teve um papel muito importante nesse processo, na divulgação desses programas a partir da realização de lives e parcerias com grupos específicos a fim de ampliar e chegar ao nosso público de interesse”, conta. 

Helena Alonso

Assim como a sua fundação em 2012, o programa de D&I da 99 que inovou no mercado ao conectar taxistas e passageiros e hoje se posiciona como uma empresa de soluções de conveniência de mobilidade urbana em todo o Brasil é bem recente, com 70% do quadro de funcionários composto por millennials.

Pâmela Vaiano enfatizou que diversidade é um trabalho inacabado e que é preciso trabalhar todos os dias para realmente consolidar essa agenda. “Por ser a subsidiária brasileira de uma indústria chinesa, a organização tem outros desafios culturais e estamos evoluindo muito nessa troca a respeito do conceito de diversidade com empresas orientais. Hoje, são 50,7% de mulheres, sendo que 40% estão no cargo de liderança; 25% se autodeclaram negros, além de pessoas transgêneras em diversos cargos da companhia”, revela.

Pâmela Vaiano

Com mais de 15 anos de experiência nas áreas de comunicação e moda, Viviane Custódio se descobriu uma mulher trans ao longo de sua trajetória profissional e trouxe uma mensagem de inclusão aos participantes ao contar a sua história. “Recrutar não é incluir. Quando se fala sobre diversidade no ambiente de trabalho falamos em inclusão. Quando se recruta pessoas da minha comunidade, há várias outras questões que vão além do know-how, como a relação interpessoal e a autoestima. Hoje, não há empresa sustentável sem se relacionar de uma maneira vertical”, salienta.

Viviane Custódio

Na jornada D&I há alguns anos, a empresa alemã Bayer voltada para a área de Saúde e Nutrição e que vai completar 125 anos de atividades no Brasil em 2021  – está na fase de maturação, evoluindo de um patamar de cultura e conscientização para o de ter o tema como um valor. Na ocasião, a entusiasta de tendências Patricia Leung compartilhou a experiência da companhia ao lançar, no ano passado, o programa de trainees voltado 100% à inclusão de pretos. Entre os pontos de atenção estavam a comunicação, a experiência do candidato durante a campanha e a questão das metodologias avaliativas.

Patricia Leung

“Trabalhamos a partir de um desenho interno de comunicação para traçar uma jornada que fortalecesse a nossa cultura, trouxesse contexto e compartilhasse com o mercado”, conta. “Estamos sempre à disposição para compartilhar o que for preciso e apoiar que outras empresas impulsionem, criem e lancem mais programas para que possamos ampliar essas iniciativas”, complementa.

Uma das 19 integrantes do programa de trainee da Bayer, Juliana Gomes conta que só conseguiu sua vaga na segunda tentativa. “Quando a gente percebe que tem a oportunidade de construir um diálogo, de ter relações para transformar, a comunicação é peça fundamental para toda essa construção. Não só a proposta de atrair esses profissionais, mas também a manutenção e o contexto interno. Temos uma organização que procura se atualizar constantemente nesse tema, que não é pontual, mas faz parte da estratégia da empresa como um todo”, acentua a profissional.

Juliana Gomes

Assista a live na íntegra aqui

 

 
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