Debate aborda a mobilização LGBTQIA+ para as eleições, políticas públicas e comunicação
28 de junho de 2022
  • English

Convidados do Arena de Ideias, realizado pelo Comitê de Diversidade & Inclusão da Oficina Consultoria, falaram sobre o voto, ações inclusivas e comunicação

O Arena de Ideias #90 debateu nesta quinta (23) como dar visibilidade e fazer avançar nas pautas de interesse das populações lésbica, gay, bissexual, travesti, intersexual, queer, assexual, pansexual e de identidades não binárias – LGBTQIAP+. Os convidados falaram sobre as ações do movimento para a eleição de parlamentares que defendam as bandeiras dessas populações e sobre o papel da sociedade civil, das empresas e da comunicação no compromisso com os direitos humanos.

A importância da renovação do ambiente político para a manutenção dos direitos conquistados foi destaque no debate. Os debatedores informaram que a resistência aos ataques sofridos pela comunidade nos últimos anos favoreceu uma união política para o incentivo da escolha de candidatos que defendam as pautas de direitos humanos. Eles apostam que o voto dessas populações fará diferença nas eleições.

“Não quer dizer que estamos votando apenas em ativistas, mas, cada vez mais, nós temos um voto pró-LGBT, que é o voto em pessoas que têm muito compromisso com a pauta ou em pessoas que são LGBTs e que estão em outros lugares, em outros segmentos, em outras militâncias. Eu espero que a gente tenha um Congresso e assembleias legislativas mais coloridas a partir dessa presença decisiva”, disse o deputadoFábio Félix, do PSOL.

Toni Reis, da Aliança Nacional LGBTI+, destacou que as pessoas da comunidade estão em todos os espectros políticos e que a pauta dos direitos humanos está acima de ideologias políticas. “Existem outras possibilidades: você pode estar em um partido de centro, de esquerda ou de direita”, disse, reafirmando que o movimento deve saber dialogar com todas essas pessoas.

A presença LGBTQIA + no ambiente político, segundo eles, será essencial para a luta da manutenção das garantias de direitos. “Todas as conquistas que tivemos nos últimos anos no Supremo Tribunal Federal podem ser ameaçadas e temos que batalhar para confirmar essas conquistas no Congresso Nacional para não haver riscos de retrocesso”, comentou Mari Valentim, vice-presidente do Lola Brasil e conselheira do movimento Livres.

Políticas públicas

Raquel Costa, gerente de Digital Business da Oficina Consultoria, mediou o debate e disse que, apesar das pautas LGBTQIA + estarem ganhando força e espaço nos debates nas esferas sociais, políticas e acadêmicas, “ainda há muito chão pela frente”. Ela lembrou que o Brasil é o país que mais mata homossexuais nas Américas. Segundo o relatório da Associação Internacional de Gays e Lésbicas -ILGA. “A homofobia, apesar de ser criminalizada no Brasil, acontece todos os dias nas ruas, nas escolas, nos ambientes privados e nos ambientes públicos”, destacou.

Um levantamento realizado pelo IBGE sobre homossexuais e bissexuais no Brasil estima que 2,9 milhões de pessoas se dizem gays, lésbicas ou bissexuais, o que representa 1,8% da população. Sobre a pesquisa, Claudio Nascimento, Consultor Políticas Públicas e Projetos e Presidente Grupo Arco-íris, disse que, apesar de sua relevância para a política pública LGBT brasileira, os dados não são suficientes, e destacou que os movimentos estão exigindo a inclusão do mapeamento da população LGBTQIA+ no próximo Censo.

“Nós vivemos, ainda, um apagão dos dados oficiais quando se trata da população LGBTI e a falta de dados interfere diretamente na elaboração, implementação e monitoramento para fins de políticas públicas para se entender quais são as necessidades, que tipos de políticas nós vamos focalizar e o que são questões prementes para essas populações”, pontuou.

Comunicação

Os convidados conversaram, ainda, sobre a importância de que a sociedade civil tenha o compromisso com a pauta LGBTQIA+. Segundo eles, as empresas deveriam estar atentas às nuances da comunicação inclusiva, primordial para o avanço dos direitos humanos no Brasil.

Claudio Nascimento destacou que a contratação de profissionais das populações LGBTQIA + é essencial para a produção de campanhas e conteúdo de comunicação. “Se (as empresas) não têm profissionais da comunidade envolvidos, ou não têm pessoas capacitadas no tema de gênero e sexualidade para a produção desses conteúdos, acabam dando furos”, disse. Segundo ele, as corporações devem, ainda, compor adequadamente os espaços de consulta e construção pela diversidade com a presença de membros dessa comunidade, para que, de fato, atendam os públicos interessados.

“Nós precisamos de uma comunicação feita nas empresas e nos órgãos públicos que seja cotidiana e que não fique presa somente às datas históricas. Não estou dizendo que não deva fazer, ao contrário, deve-se intensificar nessas datas. Porém, hoje, estamos muito reféns dos cards das empresas no dia 28 de junho. No dia seguinte, muda tudo e volta para a comunicação hétero, cis e normativa”, acrescentou Nascimento.

A importância da Parada LGBT

Os convidados destacaram o peso político e comunicacional da parada LGBT 2022 realizada em São Paulo, que, segundo eles, demonstrou o momento de unidade das populações LGBTQIA+ na luta pelos direitos humanos.

Félix destacou que a parada é mais do que um movimento objetivo de luta social, mas de autoconhecimento, de autoidentificação, de experiência do afeto e da sexualidade com liberdade. Ele disse que, para além do efeito político, o evento produz um efeito subjetivo transformador para a realidade de milhões de pessoas que não têm apoio para assumirem a sua identidade de gênero e orientação sexual.

“A concentração de energia em defesa da vida, da dignidade, dos direitos, da consolidação daquilo que a gente conquistou e de toda a população LGBT está jogada nisso (na parada) e acho que a população LGBT vai ser decisiva na derrota do Bolsonaro”, disse.

Arena de ideias

O Arena de Ideias é um webinar quinzenal, aberto ao público, promovido pela Oficina Consultoria de Reputação e Gestão de Relacionamento, que traz nomes de relevância no mercado para debater assuntos atuais e que estão em pauta na sociedade brasileira.

Esta edição do evento foi uma iniciativa do Comitê de Diversidade & Inclusão da Oficina Consultoria, instituída em dezembro de 2021 para a composição de equipes plurais e a construção de um ambiente inclusivo e seguro para todos os colaboradores.

O episódio pode ser assistido na íntegra no Youtube e no Linkedin

 
Twitter e-Mail Facebook Whatsapp Linkedin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.