07 de outubro de 2022

Comitê de Engajamento em ESG da Aberje aborda desigualdade social

Encontro contou com a participação das empresas Ambev e Fundação Arymax

Encontro contou com a participação das empresas Ambev e Fundação Arymax

A oitava reunião do Comitê Aberje de Comunicação e Engajamento em ESG, realizada no dia 5 de outubro, teve como tema “Desigualdade social e estratégias que enderecem os aspectos sociais no contexto brasileiro”. Participaram Natalia Di Ciero Toledo Leme, gerente de Programas e Parcerias da Fundação Arymax; Lucas Rossi, diretor de Comunicação Interna, Externa e de Reputação da Ambev; e a coordenadora Tatiana Maia Lins.

Na ocasião, Tatiana Maia Lins trouxe alguns dados que retratam a realidade brasileira. “Somos o nono país mais desigual do mundo, entre 189 países, de acordo com o Banco Mundial (novembro de 2020). Isso deveria ser uma questão preocupante para todo mundo. O Brasil precisa de nove gerações para que uma família pobre saia da pobreza e alcance uma renda média”, afirmou, acrescentando que durante a pandemia, metade da renda das famílias brasileiras que pertencem à base da pirâmide, veio de auxílio emergencial.

Na educação, em novembro de 2020, os dados apontavam que 27,8% das crianças das regiões Norte e Nordeste não estavam matriculadas ou não tinham acesso às atividades escolares, sendo que a média do país era 10%; e três quartos de todas as crianças que vivem em áreas rurais são pobres. Em termos de saneamento básico, em março do corrente ano cerca de 35 milhões de pessoas no Brasil sem água tratada e cerca de 100 milhões não possuíam coleta de esgoto.

“Diante de dados como esses, o que as empresas estão fazendo para diminuir essas desigualdades sociais? O que as empresas estão fazendo é suficiente? E como a comunicação pode auxiliar nesse processo de engajamento para a diminuição das desigualdades?”, provocou Tatiana.

A importância da inclusão produtiva

Segundo Natalia Di Ciero Toledo Leme, da Fundação Arymax – entidade filantrópica familiar fundada há mais de 30 anos – 85% dos institutos e fundações no Brasil hoje investem em educação. “Por outro lado, o saneamento básico, tem alta negligência de investimento, quase nenhuma organização investe em saneamento básico, mas é muito difícil uma instituição filantrópica atuar nesse setor, porque é preciso investimentos milionários alinhados à políticas públicas”, afirmou.

Ela explicou que a Fundação Arymax atua no campo da inclusão produtiva, ou seja, inclusão de pessoas com vulnerabilidade econômica no mundo do trabalho, seja via empreendedorismo, seja via empregabilidade. “A gente norteia toda a nossa atuação baseada em evidências. Produzimos, constantemente, estudos que olham para o cenário da inclusão ou da exclusão produtiva no país e como os diversos setores podem atuar para que isso diminua”, disse. “Trata-se de uma atuação conjunta entre poder público, terceiro setor e iniciativa privada”, complementou.

“Não dá para falarmos em redução das desigualdades econômicas sem trazer a discussão de renda digna e estável. E para isso é preciso capacitar a população mais vulnerável para que ela possa atender às demandas do mercado de trabalho; trabalhar, ser independente e ter a sua renda”, frisou a executiva. “Não dá para esperarmos isso só do governo. Há um gap gigantesco de vagas x capacitação das pessoas e um constante aumento do desemprego. Temos que olhar como o setor privado pode ajudar na qualificação dessas pessoas e por outro lado, que a gente tenha cada vez mais políticas públicas qualificadas para que consigam endereçar  as pessoas para uma renda digna e estável”, completou.

Porém, os estudos mostram que só educação não vai solucionar esse problema, pois o mercado está se transformando muito rápido. “Além das habilidades técnicas, temos que olhar para as habilidades socioemocionais e deve haver um esforço do setor privado de continuidade da formação”, prossegue Natalia. 

“E quando a gente olha para a informalidade, que foi escancarada na pandemia, muitas pessoas ficaram sem renda”, salientou, acrescentando que os marcos regulatórios e políticas econômicas também contribuem para a informalidade. “Hoje a maioria da população informal, são os informais de subsistência. São 32,5 milhões de brasileiros informais. Desses, 19,6% são informais de subsistência – pessoas que vivem de bicos. Precisamos desenvolver essas pessoas para que tenham qualidade de vida e sair desse ciclo vicioso de precisar que nove gerações para que tenham autonomia e consigam viver através dos seus trabalhos”.

Na visão de Lucas Rossi, da Ambev, na prática, qualquer instituição provoca desigualdade, seja social, seja de impacto ambiental. ”Por muito tempo as empresas não se deram conta disso e há um bom tempo, as organizações têm entendido da sua responsabilidade”, analisou o executivo, contando que a companhia tem projetos de inclusão produtiva, com metas de impactar cinco milhões de pessoas nos próximos dez anos. 

“Eu acredito que quando falamos em desigualdade, temos que ir muito além disso, como negócio. Tenho que ter uma relação justa com meu fornecedor, que não crie desigualdade e eu não posso apenas ter negócios grandes no meu ecossistema, preciso ter diversidade”, comentou. “Hoje, mais de 70% da nossa relação de fornecedores recebem em trinta dias. Isso não era uma realidade há alguns anos e a gente foi fazendo mudanças porque assim ajudamos a impactar de forma mais ampla o ecossistema”, validou Rossi.

De acordo com o executivo, a companhia conta com uma plataforma relevante de ajuda para o pequeno cervejeiro, por exemplo. “Levando conhecimento estamos ajudando a diminuir a desigualdade. Há alguns anos, começamos a desenvolver um programa de compartilhar conhecimento de gestão para ongs também. Temos 250 ONGs nesse ecossistema que atuam em suas comunidades”.

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