Carlos Netto lança livro “A Arte Nos Sonha”, que aborda o momento da criação de 13 obras de renomados compositores de música clássica
04 de maio de 2021
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Com apresentação do maestro João Carlos Martins, a obra conta histórias de Mozart, Beethoven, Tchaikovsky e Piazzolla

Após uma década de pesquisa, Carlos Netto, ex-diretor de Pessoas e Estratégia do Banco do Brasil e pós-doutorando em Comunicação Social pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, lança o livro “A Arte nos Sonha”, que apresenta a história de 13 composições de renomados autores: quais as motivações no tema e estética de obras como “Tristão e Isolda”, de Wagner, ou a Sinfonia no. 6 – Patética, de Tchaikovsky.

A publicação foi trabalhada com base em fontes originais, entre cartas e registros nas partituras; e secundárias, com as biografias mais recentes publicadas no exterior. A ideia é estimular o ouvir e o exercitar da construção de significados para o compositor e o ouvinte, aproximando-os em suas razões pessoais e humanas. Ir além da partitura. Não se trata de um livro sobre teoria musical, mas das vivências que estão na origem da criação artística. Elifas Andreato assina capa e ilustrações, com apresentação do Maestro João Carlos Martins. O lançamento será em abril, pela editora Escuta.

“Não é um livro voltado apenas para quem tem conhecimento de música clássica. A ideia é estimular a reflexão pessoal e construção de repertório que pode ser útil na vida profissional e pessoal, diante dos desafios humanos vividos pelos compositores. O fio condutor entre os capítulos, com suas respectivas histórias, procura mostrar que aquilo que fazemos é resultado de quem somos. Nossa ação revela o que sentimos, nosso estado de espírito e motivações, além da qualidade daquilo que realizamos e criamos”, explica o autor.

Carlos Netto, no capítulo sobre Astor Piazzolla, ao contar o processo de criação da música Oblívion, destaca o período da ditadura militar na Argentina e o seu trabalho como professor de História em escola pública discutindo os conceitos de golpe e revolução. A música discute os riscos da perda da memória social e foi composta entre a Guerra das Malvinas e fim da ditadura militar.

As obras escolhidas revelam o momento significativo da vida do compositor, com temas que serão apresentados dentro da perspectiva da Psicologia, História, Artes e Filosofia. Cada capítulo é dedicado, a partir do tema escolhido, a pessoas que são referências em projetos já realizados pelo autor. Nesse grupo estão contemplados: a atriz Clarice Niskier, o escritor Nilton Bonder, a cantora Zizi Possi, o maestro João Carlos Martins, a Associação de Vítimas da Barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho (AVABRUM), Carlos Prazeres e Orquestra Maré do Amanhã, entre outros.

Para muitos Mozart é um artefato cultural, um músico genial. Poucos entendem que há vida humana ali. É um mergulho nas motivações da alma humana. “Nada acontece do nada”, como escreveu Mozart. “Quem desejar me conhecer precisa fazê-lo através das minhas composições”, afirmou Mahler. Chopin buscava o piano quando precisava expressar algo que não conseguia através das palavras. Nenhuma obra de arte pode se tornar grande e universal, transpassando séculos, de forma estranha aos que dela participam – compositores, intérpretes e ouvintes. Há conexões entre vidas. No mosaico de sensações provocadas pela música, a composição se revigora e mostra sua vitalidade na multiplicidade dos diferentes olhares, interpretações e significados ao longo dos séculos.

“Este é um livro diferente de tudo o que eu já li na minha vida e na minha carreira de músico. Existem muitas biografias de Bach, de Mozart, de Beethoven e milhares de livros sobre as suas obras. Este livro não é como esses. É fantástico analisar um grande nome da música não somente através da sua escrita, através da sua inspiração, através da sua racionalidade. A Arte nos Sonha quer chegar no fundo da mente de um compositor e procura mostrar o que a alma de um artista pode transmitir para outro ser humano”, afirma o maestro João Carlos Martins.

Doação

Serão doados 300 exemplares para orquestras jovens localizadas em regiões de risco social e cadastradas na plataforma, via web, no Projeto Orquestrando o Brasil, lançado pelo maestro João Carlos Martins. O livro servirá de base para um curso voltado para jovens músicos para que se aprofundem mais em aspectos da história dos compositores clássicos.

Sobre o autor

Carlos Netto é idealizador e coordenador do projeto cultural “A Arte Abraça Brumadinho”, organizando atividades culturais na cidade com artista como Orquestra Maré do Amanhã, Mário Adnet e família Jobim, Clóvis de Barros, Marcus Viana, entre outros. Foi Diretor de Pessoas e Estratégia do Banco do Brasil por nove anos, tendo se desligado em dezembro de 2018. Dirigiu os Centros Culturais Banco do Brasil por dois anos.

É pós-doutorando em Comunicação Social pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP); doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo; mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; mestre em História Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; e graduado em História pela Universidade Federal Fluminense. É professor convidado da FIA – Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo.

É um dos autores convidados do livro “50 Anos Aberje: ensaios e memórias”, lançado pela Aberje Editorial em 2018, em comemoração ao cinquentenário da associação.

 
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