Capítulo Aberje Noroeste Paulista debate sobre Comunicação Interna e acessibilidade digital
16 de outubro de 2020

A 13ª edição do Encontro Aberje Noroeste Paulista ocorreu em formato online

O Capítulo Aberje Noroeste Paulista realizou no dia 14 de outubro o 13° Encontro Aberje na região, para abordar o tema Comunicação Interna em tempos de pandemia e Acessibilidade Digital. Na ocasião, a diretora do Capítulo Ligya Aliberti recebeu Mary Gabriela, gerente de Customer Success da @simplificaci e Suzeli Rodrigues Damaceno, coordenadora do Movimento Web Para Todos.

Na ocasião, a relações-públicas Mary Gabriela, da @simplificaci – startup de comunicação interna –, discorreu sobre Comunicação Interna estratégica em tempos de pandemia, fazendo um paralelo entre a Comunicação Interna (CI) pré-pandemia e o momento atual, em que é essencial não apenas entender os desafios enfrentados e as tendências trazidas pela crise, mas colocar em prática as lições aprendidas sob uma nova perspectiva.

Transparência e planejamento em Comunicação Interna

Ao trazer uma pesquisa aplicada no final de 2019 junto a empresas de segmentos variados, Mary mostrou que 62% delas tinham apenas uma pessoa dedicada à área de CI na empresa e que 71,4% sequer possuía programas de desenvolvimento de liderança. Campanhas de endomarketing e canais digitais foram o foco das atividade nessas organizações. Quanto aos planos para 2020, engajar os colaboradores era o desafio principal para 71,4% das empresas; 64% delas pretendiam revitalizar os canais internos e 50% não planejavam qualquer alteração em seus orçamentos. 

Mas a pandemia chegou e virou tudo de cabeça para baixo, abalando o orçamento de muitas organizações. Além de colocar muita gente em home office 53,8% dos profissionais a crise instalada trouxe muita confusão quanto às informações divulgadas nas mídias. Para 85% das empresas, faltou credibilidade das informações logo no início da pandemia, com muita fake news sobre o novo coronavírus. Com relação ao retorno das atividades, pesquisa da Ideafix, realizada em junho deste ano, revela que para 56,6% faltam informações sobre a retomada aos trabalhos presenciais. “Ainda hoje muitas empresas não têm um plano de retomada; mesmo quando a empresa não tem clareza de quando isso ocorrerá, é importante repassar as informações que têm aos colaboradores. A transparência deve ser ainda maior neste momento”, ressaltou Mary.

Apresentação de Mary Gabriela, da @simplificaci

O planejamento foi outra questão bem destacada por Mary. “Mesmo quando somos pegos numa crise, sabemos lidar com respostas de forma mais rápida se tivermos um planejamento”, acentuou. Mas, como fazer um bom planejamento? “Depois de entendermos o cenário, é preciso criar a estratégia, conhecer muito bem do negócio e do mercado em que está inserido, ter aliados internos para ajudar a construir essa estratégia; elaborar um plano tático de CI com foco na persona (construção do Canvas), entre outras ações. “Nenhuma das nossas conquistas é individual, para termos êxito precisamos da validação dos empregados, do apoio da liderança e dos clientes. Todas as nossas conquistas são coletivas”, frisou.

Acessibilidade digital: por que devo me preocupar com isso?

Atualmente, existem 14,65 milhões de endereços na web (.br) e somente ínfimos 0,74% de todos os sites ativos no Brasil estão preparados para a navegação de pessoas com deficiência. Com esta informação, a especialista em comunicação acessível e inovação colaborativa, Suzeli Rodrigues Damaceno, iniciou a sua fala durante o Encontro Aberje Noroeste Paulista ao abordar o tema Acessibilidade digital: por que devo me preocupar com isso?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de pessoas têm ao menos um tipo de deficiência visual, auditiva, motora, mental ou intelectual. “Desse número, cerca de sete milhões têm cegueira ou baixa visão. Para essa parcela importante da sociedade o mundo digital é inacessível ou tem muitas barreiras”, frisou Suzeli. 

Entre as principais barreiras estão posts sem descrição de imagens, falta de libras e legendas, textos complexos (conteúdos mais rebuscados e textos escritos com ordem invertida, metáforas e figuras de linguagem), textos sem navegação por teclado (ideal para pessoas com pouca mobilidade), falta de legendas, formulários que não funcionam, páginas sem contraste e sem zoom de tela (recurso muito utilizado por pessoas com baixa visão), banners e popups invasivos (que geram transtornos para autistas e portadores de deficiências cognitivas e motoras), entre outros problemas. 

Apresentação de Suzeli Rodrigues Damaceno

“A internet nasceu para ser acessível, mas com o tempo isso foi mudando. Se formos pensar nos cegos que usam softwares de leitura de tela, esse leitor lê tudo o que está no site, lê pelo código e se essas descrições não estiverem incluídas eles não tem como continuar a leitura”, explicou Suzeli, que coordena o movimento Web para Todos, onde é possível fazer pesquisas para identificar o nível de acessibilidade dos sites.

O Web para Todos surgiu em 2017 para ser um agente mobilizador pela acessibilidade. Desde então, vem atuando na mobilização, educação e transformação da sociedade em relação à acessibilidade na web, por meio de palestras, cursos e consultoria. Os ambientes virtuais são adequados para receberem o Selo de Acessibilidade Digital outorgado pela Prefeitura de São Paulo (recomendações do EMAG e WCAG2). “Quando uma empresa lança um site com acessibilidade, ela vai sim se destacar. Acho que falta empoderamento das pessoas com deficiência de fazer valer seus direitos e, por outro lado, empatia de quem trabalha com canais digitais e principalmente conhecimento técnico das regras e barreiras e como corrigí-las”, comentou Suzeli.

 
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