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13 de março de 2026

Associadas ampliam iniciativas para fortalecer presença feminina em setores estratégicos

Ações de CPFL Energia, BNDES e Suzano combinam formação profissional, acesso a crédito, geração de renda e presença em cargos técnicos e de liderança
Mario Bucci
Beatriz Costa, integrante da primeira turma da Escola de Eletricistas da CPFL, hoje atua diretamente na manutenção da rede
 
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Iniciativas anunciadas pela CPFL Energia, pelo BNDES e pela Suzano mostram como diferentes setores da economia vêm criando caminhos para ampliar as oportunidades de participação feminina em áreas historicamente marcadas por desafios de acesso, que vão do sistema financeiro à base industrial e às operações técnicas. As ações envolvem programas de formação profissional, estímulo ao empreendedorismo, ampliação do acesso a crédito e a presença crescente de mulheres em funções operacionais e posições de liderança. A CPFL Energia é mantenedora da Aberje, enquanto BNDES e Suzano são associadas à entidade.

No setor elétrico, na cadeia florestal e nas políticas de financiamento ao desenvolvimento, os programas refletem estratégias institucionais que buscam ampliar a participação feminina em atividades produtivas e posições estratégicas, além de fomentar autonomia econômica e redes de proteção social. As iniciativas também evidenciam transformações culturais em setores que, durante décadas, tiveram predominância masculina.

Formação e acesso ao mercado de trabalho técnico

Na CPFL Energia, o avanço da presença feminina pode ser observado tanto em cargos de liderança quanto na linha de frente das operações. Um exemplo é a trajetória de Rebeca Neves, que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de técnica supervisora no Centro de Operações da companhia após três anos na empresa.

Rebeca Neves é técnica supervisora no Centro de Operações da CPFL

Formada em Engenharia Elétrica e técnica em Eletrotécnica, ela começou sua carreira como operadora de emergência, atuando no atendimento de ocorrências e na coordenação de manobras na rede elétrica. Hoje, supervisiona operações que exigem decisões rápidas e precisas. “Um dos pontos que mais valorizo no meu trabalho é a rápida tomada de decisão. Tenho sempre que agir com rapidez, mas com foco na segurança da equipe e do cliente”, afirma.

Segundo Denise Cristina Peghim Alvarenga, gerente de Talent Management da CPFL Energia, os números refletem mudanças consistentes no perfil da companhia. “Em 2025, as mulheres representam 21,03% do total de colaboradores da CPFL. Nos cargos de liderança, elas já ocupam 23,9% das posições, índice que demonstra avanço consistente na participação feminina em espaços estratégicos.”

A transformação também se manifesta nas atividades operacionais. Atualmente, a empresa conta com 186 eletricistas mulheres – crescimento de 545% entre 2020 e 2025. Entre elas está Beatriz Costa, integrante da primeira turma da Escola de Eletricistas da companhia, que hoje atua diretamente na manutenção da rede.

“O que mais amo na minha função é a possibilidade de ajudar as pessoas. Fico muito feliz quando, ao chegar em um bairro, conseguimos restabelecer o fornecimento de energia, vemos as luzes se acenderem e ouço os clientes comemorando em suas casas”, relata.

Na cadeia de base florestal, a Suzano também vem ampliando programas de qualificação e contratação voltados à presença feminina em atividades técnicas. Entre 2024 e 2025, iniciativas da empresa qualificaram mais de 750 mulheres e resultaram na contratação direta de mais de 290 profissionais em diferentes regiões do Mato Grosso do Sul.

Entre os programas está a Escola de Motoristas, desenvolvida em parceria com o SEST SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) em Três Lagoas. A formação inclui aulas teóricas e práticas, treinamento em simulador, direção segura e conteúdos sobre legislação, segurança e meio ambiente. Das 42 mulheres formadas até agora, 19 foram contratadas pela Suzano ou por empresas parceiras.

Outra iniciativa é o Programa de Formação Operacional Florestal, realizado em parceria com o SENAI em Ribas do Rio Pardo, voltado à formação de operadores e mecânicos de máquinas florestais. Em 2025, 69 mulheres formadas no programa foram contratadas pela companhia.

Suzano tem programas de qualificação e contratação voltados a mulheres em atividades técnicas

Foi por meio dessa iniciativa que a operadora de colheita Beatriz Carolina Gonçalves ingressou no setor. “Até então, eu não me via atuando no setor florestal ou como operadora de colheita, ainda mais em uma área tradicionalmente masculina. Me inscrevi acreditando na oportunidade de crescimento com a chegada da Suzano a Ribas do Rio Pardo e deu certo. Hoje, só tenho a agradecer por essa nova carreira”, afirma.

A companhia também estruturou um programa de capacitação para o viveiro de mudas que abastece a nova fábrica de Ribas do Rio Pardo. Dos 240 profissionais contratados para atuar no local, 85% são mulheres moradoras do município.

Financiamento, empreendedorismo e políticas públicas

No campo do desenvolvimento econômico e das políticas públicas, o BNDES anunciou um conjunto de iniciativas voltadas à redução de desigualdades de gênero e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. Entre elas está o BNDES Mulheres em Segurança, linha de financiamento destinada a apoiar estados e municípios na modernização da rede de proteção e atendimento. A iniciativa permitirá financiar investimentos como delegacias especializadas, Casas da Mulher Brasileira, fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, criação de abrigos e programas de qualificação profissional e geração de renda. O financiamento poderá alcançar até 90% do valor dos projetos, com prazo total de até 24 anos.

Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, em evento da instituição (foto: Jaqueline Machado/BNDES)

Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a complexidade do fenômeno exige respostas articuladas. “A violência contra as mulheres é um fenômeno complexo, que exige respostas integradas. Prevenção, proteção, investigação, responsabilização e autonomia econômica precisam caminhar juntas. O apoio do BNDES contribui para fortalecer essa rede e reduzir fatores de risco que perpetuam a violência.”

O banco também lançou duas chamadas públicas que, juntas, poderão destinar até R$80 milhões a projetos em comunidades urbanas: o BNDES Periferias Mulheres Empreendedoras e o BNDES Periferias Cuidados. As iniciativas buscam apoiar negócios liderados por mulheres e atividades ligadas à economia do cuidado, como atendimento a crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de serviços comunitários como lavanderias e cozinhas coletivas.

Outra frente anunciada é o BNDES Procapcred Mulher, modalidade de financiamento destinada a ampliar o acesso feminino ao crédito dentro do sistema cooperativo. A linha oferecerá taxas mais baixas e prazos maiores para mulheres cooperadas, com possibilidade de financiamento de até 15 anos e carência de dois anos.

Para Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do banco, o cooperativismo pode desempenhar papel relevante na ampliação das oportunidades econômicas. “O cooperativismo de crédito é uma ferramenta poderosa de inclusão financeira e desenvolvimento regional. Com condições mais favoráveis para mulheres, queremos estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar crédito, fortalecer suas cooperativas e ampliar suas oportunidades de geração de renda.”

As iniciativas integram uma agenda mais ampla assumida pela instituição, que também formalizou compromisso com o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, incorporando a perspectiva de gênero na formulação de políticas e instrumentos financeiros.

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