COP26: Estamos Perto da Nossa Última Chance?
27 de outubro de 2021
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Nosso tempo está se esgotando para fazermos frente, de forma conjunta, à crise climática. Os efeitos negativos das mudanças no clima atingem a todos e tanto atores públicos quanto privados precisam ser ambiciosos em suas metas ambientais e de sustentabilidade. Nesse contexto, um desafio sério para a agenda do clima é unir diversos interesses e uma pluralidade de identidades na articulação de propostas que contem com apoio coletivo. Uma perspectiva comunicacional estratégica poderia contribuir para nos adequarmos a hábitos mais saudáveis? Como empresas poderiam se tornar mais amigáveis ao meio ambiente? Essas perguntas nortearam as discussões do recente webinar ‘COP26: desafios, metas e ações’, organizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e pelo King’s Brazil Institute, transmitido no canal do Youtube da associação, como preparação para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas que acontecerá em novembro no Reino Unido.

No evento, Juliane Reinecke, professora de Gestão Internacional e Sustentabilidade do King’s College London, destacou que, de acordo com o IPCC/ONU, temos hoje apenas nove anos para limitarmos o aquecimento global a 1,5ºC acima da temperatura do período pré-industrial. Se ultrapassarmos esse patamar, eventos climáticos extremos, como inundações e secas prolongadas, acontecerão em uma frequência maior e ao redor do mundo mais pessoas sofrerão com aumento da pobreza e insegurança alimentar. Reinecke argumentou que conferências e acordos internacionais, como a COP26 e o Acordo de Paris, são instrumentos cruciais para incentivar maior cooperação entre empresas, governos e outras organizações e para que questões de justiça social e inclusão se conectem às ações para deter as mudanças climáticas. Para Reinecke, é necessário que líderes de países desenvolvidos tomem iniciativas para romper com paralisias políticas que impedem o progresso da agenda do clima. Países ricos precisam oferecer suporte e recursos para que seus pares em desenvolvimento se adaptem a padrões elevados de sustentabilidade e preservação ambiental.

Sobre o papel do mundo corporativo na crise climática e aos esforços necessários para evitarmos desastres ambientais, Kat Thorne, Diretora de Sustentabilidade do King’s College London, alertou que empresas que não aplicam com seriedade políticas ambientais, sociais e de governança correm riscos sérios de perderem consumidores, funcionários e financiamentos. Thorne celebrou a presença de múltiplos representantes dos setores público, privado e da sociedade civil na COP26 como um sinal de que um crescente número de grupos organizados admite não haver caminho alternativo se quisermos escapar dos piores efeitos das mudanças climáticas. Metas de emissão zero de carbono, adoção de fontes de energia sustentáveis, ações em favor de reuso e reciclagem, e outras iniciativas benéficas ao clima e ao meio-ambiente são artigos indispensáveis dentro da visão, missão e cultura de qualquer empresa.

Thorne declarou que, além de reconhecerem a gravidade das ameaças que se impõem, as multinacionais também precisam urgentemente desempenhar um papel mais ambicioso e propositivo na busca por soluções que nos protejam contra a crise do clima. Por exemplo, parcerias entre empresas, autoridades locais e organizações não-governamentais podem funcionar como mecanismos poderosos para o desenvolvimento e monitoramento de políticas sustentáveis. Ademais, muitas empresas têm capilaridade, dezenas de milhares de funcionários e recursos para ensinar as partes interessadas sobre a importância de preservarmos nossas reservas naturais e cuidarmos da temperatura do planeta. Por fim, multinacionais com longas cadeias de valor precisam cuidar do bem-estar dos seus colaboradores de maneira igualitária, independentemente desses trabalhadores e suas comunidades estarem localizados no Reino Unido ou na África do Sul.

Cristiano Teixeira, Diretor Geral da Klabin, situou o Brasil e as empresas brasileiras nesse debate. Em sua visão, é imprescindível que o governo brasileiro seja capaz de lidar de modo eficaz contra o desmatamento ilegal. Eliminar queimadas diminuiria significativamente as emissões de carbono do país, contribuiria para que os brasileiros sofressem menos com eventos climáticos extremos e traria um ganho reputacional importante ao estado nacional. Teixeira também citou alguns obstáculos críticos que não só o Brasil precisa superar. Como exemplo, ele mencionou a urgência de diminuirmos a dependência global por energia de fontes não-renováveis. É vital que tenhamos consciência da magnitude dos desafios a nossa frente. Nossa melhor estratégia, segundo Teixeira, é continuarmos batalhando e avançando.

Ele lembrou de momentos marcantes de mobilizações populares pelo clima e meio-ambiente, como a Rio92, e afirmou que a sociedade brasileira compele as empresas a adotarem práticas sustentáveis e a assumirem compromissos para a contenção do aquecimento global. Teixeira atestou que mesmo em um momento em que o empenho do governo brasileiro com a agenda climática é visto com ceticismo pelo resto do mundo, líderes do setor privado tem se mobilizado para alinhar as grandes empresas brasileiras a padrões internacionais de sustentabilidade.

Somada às mudanças do clima, a atual pandemia causada pelo COVID-19 tem reafirmado a centralidade de organismos multilaterais na articulação de propostas coletivas para o enfrentamento de desafios globais. O Acordo de Paris e a COP26 são frutos da união de esforços corajosos. A crise climática demanda de nós uma resposta ampla, contundente e articulada que inclua não somente governos, mas também organizações da sociedade civil, da academia e do setor empresarial. Expandir os espaços de comunicação entre esses atores para a construção de estratégias de combate às mudanças climáticas é uma tarefa que pode determinar o futuro da nossa espécie.

 
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