Arena de Ideias debate a credibilidade das pesquisas eleitorais e as tendências para 2022
05 de agosto de 2022
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Especialistas abordaram os fatores que influenciam a opinião pública durante os pleitos eleitorais

A jornalista Cila Schulman, do Ideia Instituto de Pesquisa, e a cientista política e economista Catarina Corrêa debateram nesta quinta (4/8) sobre como a velocidade da informação, as novas tecnologias e fatores externos podem influenciar as corridas eleitorais. Convidadas do debate online Arena de Ideias, elas explicaram como as pesquisas eleitorais funcionam e falaram sobre a importância da escolha da metodologia e da transparência para a sua credibilidade.

Catarina Corrêa, que atua como gerente de Public Affairs da Bayer, destacou a influência de novos elementos culturais, tecnológicos e de comunicação na formação da opinião pública durante o período eleitoral. “Assim como o WhatsApp em 2018, o papel que as redes sociais de vídeo, no estilo TikTok, podem ter nessa eleição é sem precedentes. Isso nunca aconteceu antes. Mas nós vamos entender esses fenômenos conforme eles aconteçam”, disse.

Cila Schulman, que é especialista em gerenciamento de campanhas eleitorais, destacou, também, a imprevisibilidade das influências de elementos externos para a mudança da opinião pública, como ocorrido com em 2018, com a facada cometida contra o então candidato Jair Bolsonaro.

“A gente vive hoje uma velocidade muito diferente e ela é exponencial. Sobre a campanha de Hillary e Trump, em 2016, ocorreram 50 fatos capazes de mudar o resultado da eleição na última semana. Cinquenta. Se a gente for imaginar aqui, em nossas eleições, que fatos poderiam mudar totalmente uma eleição que estava prevista para um lado e poderia ir para o outro?”, perguntou Cila Schulman.

As convidadas destacaram que, diferentemente das últimas eleições presidenciais, as pesquisas apontam uma grande diferença de pontos entre os dois primeiros candidatos à presidência, um deles concorre à reeleição. “A decisão de voto do eleitor está 20 pontos acima, que é muita coisa. ainda assim, vão ter mudanças. O incumbente é o governante, que vai à reeleição. Em 2018 não tínhamos esta figura. Em uma reeleição, o eleitor pensa se quer ou não continuar com o governo”, afirmou Schulman.

Fake news

As debatedoras destacaram que as pesquisas eleitorais indicam apenas as tendências de voto do momento em que são realizadas e que os novos elementos podem surgir até o fim do período eleitoral.

Ao contrário do que afirmam notícias falsas disseminadas nas redes sociais, elas afirmaram que os institutos não erraram nas eleições de 2018, mas apontaram as tendências do momento em uma eleição conturbada.

“Depois que os candidatos foram definidos (Fernando Haddad e Bolsonaro), não teve erro, as pesquisas apontaram que a opinião pública se adequou ao processo eleitoral”, explicou Schulman. Segundo ela, grupos atuam para desacreditar as pesquisas eleitorais. “Estamos vivenciando as redes sociais com fake news, mas isso é clássico em qualquer campanha ao descredibilizar a informação que não interessa. Inclusive por uma questão de eleitorado”.

Metodologia e transparência

A tecnologia proporcionou também mudanças na forma de fazer as pesquisas eleitorais, que podem ser realizadas por meio de telefone, aplicativos, sites, além das ruas. Isso, segundo as convidadas, incentiva a abertura de novos institutos de pesquisa. Mediadora do debate, Liliane Pinheiro, diretora-executiva da Oficina Consultoria, destacou que em junho de 2022 o TSE registrou 47 pesquisas eleitorais, sendo 19 para o líder do Planalto.

“Isso é muito bom pois temos mais fontes, mais gente trabalhando, outros pontos de vista, que é o que acontece nas democracias mais antigas”, disse Schulman lembrando que o país tem um histórico recente de eleições democráticas.

Ela destacou, no entanto, que os institutos de pesquisa devem utilizar metodologias adequadas em suas pesquisas. “É importante ter transparência para deixar claro qual metodologia foi utilizada, qual foi o público que foi ouvido, se usa cotas, se usa probabilidade”.

Corrêa grifou que a pesquisa eleitoral mostra apenas as tendências de como o eleitor se comporta, para onde está mirando. “Deve-se olhar para a pesquisa como um retrato do momento. Como as pessoas estão se movimentando. Não como um retrato fiel do futuro. Essa é a chave e leitura das pesquisas eleitorais”.

Arena de Ideias

Arena de Ideias é o webinar quinzenal, aberto ao público, promovido pela Oficina Consultoria de Reputação e Gestão de Relacionamento, que traz nomes de relevância no mercado para debater assuntos atuais e que estão em pauta na sociedade brasileira.

“Nós, enquanto comunicadores, enquanto empresas de comunicação, podemos auxiliar a sociedade a entender a importância de analisar dados, identificar contextos e entender os movimentos de tendência, para que se consiga, de fato, olhar para esse cenário político de forma crítica”, afirmou Pinheiro, sobre a importância do debate.

A íntegra do Arena de Ideias pode ser acessada no Youtube e no LinkedIn da Oficina.

 
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