A confiança entre líder e liderado surge da conexão dos canais de comunicação
28 de maio de 2021
  • English

Escola Aberje de Comunicação e Workplace from Facebook promovem evento online sobre a importância da criação de comunidades, do estímulo ao CEO social e do trabalho em equipe dentro das organizaçõesPor incrível que pareça, mesmo com tantos recursos tecnológicos que existem hoje, a falta de informação é o principal fator no impedimento da construção de confiança entre líder e liderado. Promover um ritmo regular de informações através de canais orgânicos de comunicação entre a alta direção das empresas e os colaboradores, como as comunidades, é fundamental para que haja sensação de pertencimento, e se conectar com o propósito da organização. Isso ficou claro durante evento online promovido pela Escola Aberje de Comunicação em parceria com o Workplace from Facebook, no dia 27 de maio.

O evento contou com a participação de Abby Guthkelch, head of Global Executive Solutions do Workplace from Facebook e Cynthia Provedel, instrutora da Escola Aberje, mentora e consultora de Comunicação Interna. As convidadas trouxeram o seu ponto de vista de como construir comunidades e redes para gerar eficiência e quebrar eventuais silos organizacionais. As palestras ocorreram simultaneamente e foram realizadas em duas salas distintas, onde no final houve interação com a audiência. O evento, mediado por Adriano Marcandalli, diretor do Workplace from Facebook para a América Latina, foi encerrado com a participação da audiência em uma Quizz com direito a prêmio e um momento de network. 

Adriano Marcandalli faz perguntas para a audiência

Foco na Experiência do Funcionário (EX)

Em sua fala, Abby Guthkelch, do Workplace from Facebook destaca a importância de conectar as pessoas no ambiente corporativo, com maior foco na Experiência do Funcionário (EX), gerando uma experiência de trabalho mais significativa; cultivar confiança e propósito e  criar senso de pertencimento nos colaboradores, mesmo estando distantes. “Antes de falarmos sobre liderança e visibilidade na comunicação como método, nós precisamos falar sobre os seus empregados, suas pessoas, seus colegas, a vida de sua organização, pois o negócio/empresa está inteiramente ligado às pessoas!”, inicia a executiva. “EX é como as empresas criam uma experiência de trabalho mais significativa”, completa.

Sem dúvida alguma, 2020 foi um ano de mudança radical para todos enquanto indivíduos e organizações. O que Abby e sua equipe do facebook observou foi a importância de conectar pessoas no trabalho e o foco crescente de organizações na experiência dos empregados. “Experiência significa coisas diferentes para pessoas diferentes, mas se eu tivesse que resumir seria em como as empresas criam uma experiência significativa no trabalho para os seus empregados. Isso é diferente de engajamento dos funcionários; estratégias de envolvimento foram feitas para as pessoas fazerem as coisas, estratégias de experiência dos empregados foram feitas para as pessoas se sentirem melhores no trabalho, cultivando confiança e propósito”, ressaltou.

De acordo com Abby, o objetivo principal é criar um senso de pertencimento que se transformará em uma melhora na performance e impacto no ponto de partida. “Uma empresa se torna uma comunidade quando rompe silos e incentiva o trabalho em equipe”, sintetiza a executiva.

Negócios se resumem a pessoas

No ambiente de trabalho do Facebook, prossegue Abby, foram identificados três passos que líderes da comunicação podem fazer para atingir a felicidade e um senso de pertencimento, mantendo suas equipes engajadas e ajudando a manter seus trabalhos conectados/conectivos: (1) comunicação e feedback, mantendo uma conversa regular e transparente com o colaborador; (2) construir comunidade, rompendo silos e incentivando o trabalho em equipe e (3) apoiar o bem-estar, por meio de uma liderança ativa e presente. “Negócios se resumem a pessoas”, lança Abby.

Com relação ao primeiro passo, Abby salienta que a maior ameaça para a confiança e pertencimento do empregado é a incerteza, que a falta de informação cria um vácuo que provavelmente será preenchido por rumores e informações errôneas. “Você precisa se perguntar, posso eu ou o time de líderes da minha empresa falar com os funcionários regularmente e com transparência, aonde eles tiverem e com qualquer dispositivo que eles estiverem usando de um jeito que eu saberia que eles estariam prestando atenção? Pense sobre isso, não se trata apenas de falar com os funcionários, mas escutá-los também”.

Abby Guthkelch

Ter um feedback de qualquer lugar também é vital, assim como a habilidade de responder a esse feedback rapidamente. Abby enfatiza ser fundamental incluir os empregados mais distantes, os da linha de frente e os remotos, assim como os funcionários mais próximos, o que a leva a discorrer sobre o seu segundo passo: criar uma comunidade. ”A empresa vira uma comunidade quando você quebra o silêncio e empodera as pessoas a trabalharem juntas, isso acontece quando as pessoas sentem que pertencem ao lugar, onde todos são um membro independentemente do seu tipo, da sua localidade, do seu padrão de turno etc., um lugar onde todos podem participar, falar, escutar e aprender”, recomenda.

Mas é preciso lembrar que há diferentes tipos de trabalho, em diferentes plataformas com acessos diferentes à informação. “Não podemos falar de comunidade sem falar sobre diversidade e inclusão. Ações falam mais alto que palavras e as organizações precisam de um meio de garantir que todos os funcionários se sintam vistos, escutados e valorizados”, complementa, explicando o terceiro passo: promover o bem-estar do colaborador. “Os últimos 12 meses foram extremamente disruptivos e mutáveis, todos nós tivemos que aprender a cooperar, mas há coisas que, como líderes na comunicação, nós podemos fazer: checar e escutar nossas pessoas, demonstrando atenção e interesse por elas, investindo em programas de bem-estar.

Postura humanizada e diálogos abertos

Em sua apresentação, a instrutora da Escola Aberje Cynthia Provedel falou sobre a estratégia de potencializar o papel dos CEOs nas plataformas de redes sociais internas das organizações, com o objetivo de discutir o contexto no qual essa estratégia está inserida, quais são os ganhos de implementá-la, quais vem sendo os resultados para quem já vem se utilizando das redes sociais e quais os desafios atuais do ponto de vista prático para fazer essa estratégia funcionar. 

Ao contextualizar o assunto, Cynthia ressaltou o desafio que todos estão vivenciando que é o da convivência virtual como o excesso de reuniões online, o tempo que se passa diante das telas, o quanto as plataformas são restritas em termos de interação, o esforço cognitivo que se faz para decodificar toda a comunicação não-verbal e entrelinhas dos interlocutores, e o desconforto que os colaboradores podem sentir em função do distanciamento, que traz uma sensação de perda de conexão, de perda de proximidade e que pode evoluir para uma eventual consolidação de silos, ou seja, as pessoas começam a trabalhar apenas em pequenos grupos. 

“Esse é o contexto, onde essa estratégia está inserida. Nesse sentido, há algumas alternativas. A primeira delas é buscar outros meios e outras abordagens de diálogo, de conversas transformadoras, para que uma conversa entre líder e liderado possa ter mais profundidade, onde o colaborador possa compartilhar suas ideias, sugestões, quais são seus anseios e medos, assim como suas expectativas e ansiedades”, destacou a professora.

Comunidades devem ser potencializadas nas redes internas

De acordo com Cynthia, é possível potencializar as comunidades existentes nas redes sociais internas, de modo que nesse espaço de conexão as pessoas possam falar sobre o trivial do dia a dia, falar sobre as suas afinidades, colaborar mutuamente criando um espaço de convivência para minimizar essa sensação de distanciamento. “Esses espaços podem ainda ganhar rituais e contornos que ajudem a potencializar o vivenciar da cultura organizacional”, enfatiza.

Cynthia Provedel

Outro ponto destacado é a maneira de potencializar as redes sociais internas no sentido de trazer o CEO como protagonista desse processo. “Como conscientizar as nossas lideranças executivas a também produzir conteúdo, promover encontros e iniciativas em que crie espaço para uma comunicação autêntica onde as pessoas sintam o propósito organizacional pulsar e onde esse líder possa trazer pautas relevantes para as pessoas, como saúde mental, diversidade e inclusão, ESG e como ele pode criar, por meio de sua postura, uma abertura para diálogo para ser anfitrião dessas relações que podem se construir a partir desse contexto”, acentua. 

Pesquisa da Edelman Trust Barometer 20/21 aponta a importância da liderança de atuar com fatos, mas agir com empatia. “Os líderes da sociedade devem ter coragem para promover conversas francas mas abordar os medos das pessoas com empatia. Ao implementar essa estratégia, alguns aspectos positivos se sobressaem. Um deles é a possibilidade do CEO social fortalecer a marca dele junto aos colaboradores. Deixar o legado dele em forma de encontros, de mensagens, de conteúdo que tenham essa abordagem mais humanizada”, analisa Cynthia. 

De acordo com a executiva, outra vantagem de fomentar as comunidades existentes nas redes sociais internas, é que se fortalece os demais interlocutores, ou seja, na medida em que o CEO se apropriar desse espaço e aumenta a sua presença acaba estimulando a voz ativa de outros interlocutores nas redes sociais.

Além disso, esse líder potencializa o seu papel enquanto eixo de confiança nesse contexto, ajudando a legitimação de outras narrativas de cultura, e de comunicação interna. “Um dos primeiros desafios para envolver os CEOs nessa estratégia é influenciá-los e conscientizá-los a respeito da importância desse papel que ele tem a desempenhar e do quanto isso pode se converter em resultados positivos para a organização”. 

Outro ponto destacado é o quanto é preciso apoiar esse líder no sentido de desenvolver habilidades necessárias do ponto de vista estratégico, tático, comportamental, como empatia, escuta ativa, criar espaço para diálogos transformadores, assim como apoiá-los diante de ambiguidades e crenças ou eventuais desconfortos ao desempenhar esse papel. “Ao mapear riscos e oportunidades, é possível antecipar questões e minimizar preocupações fortalecendo o CEO para influenciar positivamente o seu time de liderança para que esses possam também atuar como agentes de transformação dentro desse processo”, salienta.

 

 
Twitter e-Mail Facebook Whatsapp Linkedin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.