Paulo Nassar revisita a obra de Roberto DaMatta para interpretar o Brasil contemporâneo

A obra de Roberto DaMatta e sua capacidade de oferecer chaves de interpretação para a sociedade brasileira são o tema do artigo de Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da ECA-USP, publicado na última edição da revista “Problemas Brasileiros”. A publicação é editada pela FecomercioSP, associada à Aberje, e reúne análises sobre questões econômicas, sociais e culturais do país.
No texto, intitulado “DaMatta e a chave para ler o Brasil”, Paulo parte de um cenário marcado por inteligência artificial, polarização política, mudanças culturais e transformações tecnológicas para retomar conceitos desenvolvidos pelo antropólogo ao longo de sua obra.
Entre as referências está “Carnavais, malandros e heróis”, de 1979, em que DaMatta examina festas, rituais, hierarquias e símbolos para interpretar a sociedade brasileira. Nassar também recupera “A casa & a rua”, obra na qual o antropólogo contrapõe dois espaços que representam dimensões distintas da vida social. A casa aparece associada à família, à intimidade e às relações pessoais, enquanto a rua remete à cidadania, ao mercado e à impessoalidade.
O artigo aborda ainda a tensão entre igualdade e hierarquia presente na interpretação de DaMatta sobre o Brasil. Ao comparar o país aos Estados Unidos, o antropólogo identificou diferenças na maneira como as duas sociedades articulam indivíduo e comunidade, regras universais e relações pessoais. Para Paulo, essas categorias permanecem pertinentes, embora precisem ser consideradas diante das transformações recentes.
Paulo ainda observa que polarização, redes sociais e novos padrões de consumo tornaram algumas fronteiras menos rígidas, sem eliminar as contradições analisadas por DaMatta. Em um ambiente cada vez mais organizado por algoritmos, a pergunta que encerra o artigo amplia essa discussão para a tecnologia: se nenhuma inteligência artificial consegue interpretar sozinha os significados compartilhados pelos seres humanos, talvez ainda seja necessário perguntar o que faz o Brasil continuar sendo Brasil.
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Destaques
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