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08 de setembro de 2026

Sustainable Day Natura aborda inovação e sociobiodiversidade na Amazônia

Encontro discutiu como ciência, saberes locais e novos modelos de negócio podem ampliar o valor econômico da biodiversidade e contribuir para manter a floresta em pé
Mario Bucci
Alice Machado, gerente sênior de Bioingredientes, Ciências do Futuro e Bem-Estar da Natura; Solange Meireles, especialista em cadeias produtivas da VEJA; Eliane Santos, gerente de Sustentabilidade da Natura; e Max Petrucci, CEO e fundador da Mahta (foto: Estúdio Sérgio Prado)
 
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A Amazônia como plataforma para inovação, desenvolvimento de produtos e geração de impacto socioambiental positivo foi o tema do Sustainable Day Natura, realizado na última quarta-feira (2), na sede da companhia, em São Paulo. O encontro apresentou a experiência da Natura na região e reuniu empresas que desenvolvem modelos de negócio associados à sociobiodiversidade, com discussões sobre ciência, cadeias produtivas, comunidades e regeneração. A Natura é mantenedora da Aberje.

Ao abrir o encontro, Bruna Menezes, coordenadora de Sustentabilidade da Natura, dimensionou tanto a diversidade da região quanto seu potencial econômico. A Amazônia reúne cerca de 400 bilhões de árvores e 47 milhões de habitantes, dos quais 26,7 milhões estão no Brasil, além de 410 grupos indígenas e aproximadamente 300 idiomas. Segundo dados apresentados por Bruna, a bioeconomia representa um potencial global estimado em US$7,7 trilhões, enquanto a participação brasileira corresponde atualmente a apenas 0,17% desse mercado.

Para Ângela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura, ampliar esse potencial exige atuação conjunta entre empresas e setores. “Não se trabalha esse tema sozinho, temos de formar redes”, afirmou. A perspectiva foi retomada ao final do evento por Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico, Reputação e Assuntos Corporativos da companhia, ao defender que problemas complexos exigem soluções sistêmicas e resultados sociais, ambientais, humanos e financeiros.

Da biodiversidade ao desenvolvimento de produtos

A relação da Natura com a Amazônia começou há 25 anos, com o lançamento da linha Ekos. Gabriela Weber, gerente de Sustentabilidade da empresa, destacou que a atuação foi ampliada ao longo desse período, incorporando o relacionamento com comunidades agroextrativistas, sistemas produtivos e diferentes áreas da organização. A estratégia integra a ambição da companhia de se tornar um negócio regenerativo até 2050 e vem ganhando um foco maior em inovação e novos negócios.

Esse processo envolve ciência e conhecimento local desde a origem das cadeias. A área de Pesquisa e Desenvolvimento da Natura reúne hoje 425 profissionais, mais de 150 deles mestres e doutores, e acumula mais de mil patentes depositadas. Entre as frentes apresentadas estão sistemas produtivos sustentáveis, transferência de tecnologia para comunidades, mapeamento digital de árvores, processos de extração e transformação e o desenvolvimento de bioingredientes.

Alice Machado, gerente sênior de Bioingredientes, Ciências do Futuro e Bem-Estar da Natura, destacou que a proposta é combinar alta performance dos produtos com impacto positivo, tendo a sociobioeconomia como base para novos modelos de negócio. “O valor é para o negócio e para a comunidade”, afirmou. A executiva também apresentou a Natura Ingredientes, iniciativa de corporate venture building voltada à valorização da sociobiodiversidade brasileira e à regeneração da Amazônia.

Experiências de outras empresas mostraram diferentes caminhos para transformar ativos da floresta em produtos competitivos. Max Petrucci, CEO e fundador da Mahta, apresentou o conceito de “market-driven regeneration”, no qual o desempenho do produto é condição para ampliar o impacto. Em Rondônia, a empresa utiliza a torta da castanha, resíduo do processamento, para produzir um ingrediente proteico vegetal. “Não existe floresta sem as pessoas”, afirmou.

Solange Meireles, especialista em cadeias produtivas da VEJA (nome atual da fabricante de tênis Vert), apresentou o trabalho da marca com borracha nativa da Amazônia. A empresa compra o insumo de cooperativas e associações aprovadas, bonifica famílias por boas práticas de manejo e utiliza ferramentas de monitoramento do desmatamento. Com a evolução da cadeia, a participação de borracha nativa nas solas dos tênis passou de 17% para 50%, associando rastreabilidade, geração de renda e conservação da floresta.

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