O preconceito nosso de cada dia
09 de setembro de 2019
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Publicado no Linkedin em abril de 2019

Você se considera uma pessoa preconceituosa? Antes de ceder à tentação de responder um retumbante “não”, te convido a refletir. Certamente, não nascemos preconceituosos. Mas será possível existir um ser humano adulto que não tenha algum tipo de opinião ou sentimento concebido sem exame crítico?

O preconceito é algo que aprendemos, por pensamentos e palavras, atos e omissões. Quem nos ensina? O grupo social do qual fazemos parte. É pelo exemplo inicial dos nossos pais, familiares, amigos e professores que vamos formando nossos conceitos prévios ou sentimentos hostis, assumidos em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio.

E por que fazemos isso? Porque somos regidos por uma máquina de julgamentos, chamada cérebro, que trabalha o tempo todo reconhecendo padrões e, assim, economizamos tempo e energia para garantir nossa sobrevivência como raça, nossa integridade física e nosso pertencimento à sociedade. Como assim? Nosso cérebro é formado por dois sistemas: o sistema reptiliano / límbico e o neocortex.

Cerca de 80% das decisões imediatas que tomamos todos os dias acontecem, de maneira inconsciente, por meio do sistema primitivo (reptiliano / límbico). É esse sistema que determina nossos instintos e emoções. Menos de 20% das escolhas que fazemos cotidianamente passam pelo crivo do neocortex, onde acontece nosso processo de raciocínio, reflexão e ponderação consciente.

E por que buscamos padrões? Porque eles são a nossa referência do que é “normal” ou o “ideal” a ser alcançado. Sempre que algo foge aos padrões socialmente aceitos, que aprendemos e incorporamos ao longo da vida, invariavelmente nos causa estranheza. Estigmatizamos tudo aquilo que tem alguma característica diferente das que havíamos previsto. E é exatamente aí que nascem nossos preconceitos.

Como diria Caetano, “… quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto, chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto… É que Narciso acha feio o que não é espelho…”

Vamos abrir espaço nas nossas vidas para incluir a diversidade e as diferenças?

 

 
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