PR³ Itaú debate desafios da comunicação em cenário de polarização e desconfiança

Como comunicar em um país marcado por polarização, desconfiança e múltiplas identidades? Essa foi a questão central da nova edição do PR³ Itaú, realizada na manhã da última segunda-feira (13), no Cubo Itaú, em São Paulo. O encontro promoveu uma leitura do Brasil contemporâneo a partir de suas dinâmicas sociais, culturais e políticas, discutindo como esse contexto influencia a forma como a informação é produzida, interpretada e compartilhada.
Com o tema “Espelho do Brasil: o papel dos comunicadores na construção da realidade”, o encontro propôs uma análise sobre os desafios da comunicação institucional em um país marcado por polarização, desconfiança e maior sensibilidade da opinião pública. O debate foi mediado por Pâmela Vaiano, diretora de Comunicação Corporativa do Itaú Unibanco, e contou com a participação de Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, Pesquisa e Consultoria; e de Fábio Zambelli, diretor de Public Affairs do Grupo In Press. A conversa partiu de dados e reflexões apresentados no livro “Brasil no Espelho”, de autoria de Nunes, para discutir os impactos das transformações sociais e políticas sobre a prática da comunicação. O Itaú Unibanco é mantenedor da Aberje, e o Grupo In Press é associado à entidade.
O debate se insere em um contexto mais amplo de crescente escrutínio público sobre o papel da comunicação institucional, em linha com análises recorrentes de veículos nacionais, como Folha de S.Paulo, Valor Econômico e O Estado de S.Paulo, e internacionais, como Financial Times e The Economist, que vêm destacando a erosão da confiança em instituições e a intensificação da polarização informacional em democracias contemporâneas.
No caso brasileiro, esses vetores assumem contornos específicos, evidenciados por pesquisas conduzidas pela Quaest, que indicam um ambiente de desconfiança difusa e forte reinterpretação de narrativas sob lentes ideológicas e emocionais. Nesse cenário, a comunicação corporativa passa a operar sob maior pressão por coerência, clareza e capacidade de antecipação de riscos reputacionais.
A discussão também dialoga com a cobertura recente de negócios, que registra o aumento da exigência por posicionamentos institucionais mais explícitos, ao mesmo tempo em que organizações buscam equilibrar protagonismo e prudência em contextos de elevada volatilidade social. Nesse ambiente, o papel dos comunicadores se reconfigura: mais do que emissores de mensagens, tornam-se agentes de curadoria de sentido e de construção de legitimidade, demandando abordagem estratégica baseada em dados, escuta ativa e responsabilidade narrativa diante de uma sociedade fragmentada e altamente reativa.
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