IA, fake news e eleições pautam debate na Fundação Dom Cabral sobre confiança e integridade da informação

Os impactos da inteligência artificial e da desinformação sobre as eleições de 2026 estiveram no centro do debate “IA, Fake News e as eleições 2026”, promovido pela Fundação Dom Cabral (FDC), em parceria com o Centro de Liderança Pública (CLP) e a fundação alemã Friedrich-Naumann-Stiftung für die Freiheit (FNF), no final de junho, em São Paulo. O encontro reuniu especialistas em comunicação, jornalismo e relações institucionais para discutir os desafios impostos pelas novas tecnologias à circulação de informações, à qualidade do debate público e à confiança nas instituições. Entre os participantes esteve Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
Ao lado de Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa; Iuri Pitta, âncora e editor de política da CNN Brasil; e Patrícia Marins, fundadora da Oficina Consultoria e professora convidada da FDC, que mediou a conversa, Paulo discutiu como a inteligência artificial altera as formas de produção, mediação e consumo de informações. Em sua participação, chamou atenção para a transformação das relações de confiança na sociedade contemporânea, marcada pelo que definiu como uma “antropologia do smartphone”, em que interações mediadas por plataformas digitais reduzem espaços tradicionais de mediação e desafiam organizações, instituições e profissionais da comunicação a reconstruir vínculos de credibilidade.
O debate também abordou o uso da inteligência artificial tanto na disseminação quanto no enfrentamento da desinformação. Cristina Tardáguila apresentou iniciativas que utilizam ferramentas de IA para acelerar processos de checagem de fatos em tempo real, enquanto os participantes discutiram a necessidade de fortalecer o jornalismo profissional, ampliar a educação midiática e estimular uma postura crítica diante do grande volume de conteúdos produzidos e distribuídos em ambientes digitais.
Para Patrícia Becker, diretora de Gestão Pública da Fundação Dom Cabral, o encontro respondeu a uma demanda cada vez mais urgente. “O evento teve como principal importância promover um debate qualificado e urgente sobre os impactos da inteligência artificial e da desinformação no processo eleitoral, na comunicação pública e na própria democracia. Em um contexto de rápidas transformações tecnológicas, reunimos especialistas para discutir riscos, responsabilidades e caminhos possíveis para fortalecer a integridade da informação, a confiança nas instituições e a capacidade da sociedade de lidar com conteúdos manipulados, automatizados ou enganosos”, afirmou.
Becker destacou a contribuição de Paulo para ampliar o escopo da discussão. “Sua presença contribuiu para ampliar a discussão para além da dimensão tecnológica, trazendo uma perspectiva crítica sobre confiança, mediação social, responsabilidade comunicacional e o papel das organizações diante da desinformação”, disse.
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