Enquete aponta desafios e oportunidades da Taxonomia Sustentável Brasileira para a comunicação corporativa

A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) já faz parte do repertório de grande parte dos profissionais de sustentabilidade no país, mas ainda representa um desafio relevante para a comunicação corporativa. É o que indica a enquete “Taxonomia Sustentável Brasileira”, realizada pelo Núcleo de Pesquisas da Aberje entre 18 e 26 de novembro de 2025, com 44 profissionais de organizações associadas e não associadas, distribuídas em diferentes regiões do Brasil.
De acordo com o Plano de ação para consulta pública da Taxonomia Sustentável Brasileira, produzido pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, as taxonomias fornecem uma terminologia comum às empresas, instituições financeiras, investidores, reguladores, governos e outras partes interessadas, coordenando decisões de investimento e a criação de políticas públicas. Segundo o documento, as taxonomias consistem em um “sistema de classificação que define, de maneira nítida, objetiva e com base científica, atividades, ativos e/ou categorias de projetos que contribuem para objetivos climáticos, ambientais e/ou sociais, por meio de critérios específicos”. Ainda conforme o plano, isso “permite avaliar se uma atividade contribui para a sustentabilidade ou para a transição para uma economia sustentável”.
Segundo o levantamento, 86% dos participantes já ouviram falar sobre a TSB. No entanto, entre eles, 38% afirmam não compreender plenamente o que a taxonomia representa e quais podem ser seus impactos, enquanto 48% dizem conhecer o tema e acompanhar as discussões em curso. Outros 14% nunca tiveram contato com o conceito.
Na avaliação dos respondentes, a TSB tende a impactar a comunicação corporativa, ainda que de forma desigual. Para 52%, o efeito será relevante, porém restrito a setores regulados. Já 18% acreditam que a taxonomia transformará completamente a forma de comunicar a sustentabilidade no Brasil. Outros 12% consideram que o impacto será limitado, por se tratar de um tema técnico, e 18% avaliam que ainda é cedo para qualquer conclusão.
O estudo também evidencia um nível incipiente de preparação das áreas de comunicação. Para 36% dos participantes, o tema ainda não chegou à comunicação de suas organizações, enquanto 32% afirmam que há interesse, mas sem aprofundamento. Apenas 18% consideram que a área está muito preparada, com estudos em andamento e adequações já iniciadas.
Ao refletirem sobre o papel dos comunicadores, os participantes destacam, sobretudo, a função de traduzir conceitos técnicos complexos em mensagens claras, acessíveis e conectadas aos diferentes públicos. Transparência, alinhamento com dados e regulamentos, visão crítica e integração com as áreas de sustentabilidade e finanças também aparecem como atribuições centrais, reforçando a comunicação como agente estratégico na consolidação de narrativas responsáveis e consistentes.
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