Em entrevista para Anuário da Comunicação Corporativa 2025, Paulo Nassar discute papel integrador da Comunicação no cenário institucional brasileiro

“O presente e o futuro da comunicação corporativa passam pela convergência com áreas estratégicas como RIG e RP. São campos complementares, que compartilham uma vocação para a construção de reputação, o fortalecimento de vínculos e o entendimento das dinâmicas públicas e privadas”, afirma Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da ECA-USP, em entrevista concedida a Nelson Silveira, consultor sênior e sócio-fundador da PRhub Comunicação 360°, para o Anuário da Comunicação Corporativa 2025, da Mega Brasil.
Para Nassar, a separação entre essas áreas é uma herança de modelos organizacionais antigos, que já não respondem às demandas do presente. “Não há mais espaço para estruturas estanques. As empresas que entenderam isso estão saindo na frente, com times integrados, capazes de interpretar os sinais do ambiente e de atuar com coerência institucional”, afirma.
“O comunicador precisa ter sensibilidade política e institucional. É essa escuta ampliada que permite identificar oportunidades e gerir riscos de forma antecipada”, diz, reforçando a importância de uma comunicação que vá além da simples divulgação e atue como mediadora entre interesses legítimos da sociedade, do mercado e do poder público.
“As lideranças precisam entender que, sem gente preparada, não há convergência possível. É preciso formar quadros com visão sistêmica, repertório cultural, domínio técnico e capacidade de articulação. Isso vale para quem está em RIG, em RP ou em Comunicação”, afirma Nassar, ao alertar para a necessidade de investir na formação de profissionais preparados para esse cenário mais complexo.
Paulo Nassar observa ainda que o Brasil vive um momento de alta complexidade institucional, com pressões que vêm de múltiplos atores. “É um ambiente em que a reputação das empresas é constantemente colocada à prova. Por isso, precisamos de uma comunicação capaz de gerar confiança de maneira sustentada. E essa construção passa pela atuação integrada com as demais áreas estratégicas da organização”.
“Temos investido em pesquisas, formação e ambientes de troca para fortalecer essa visão de convergência. Nosso papel é ajudar as empresas a compreenderem que a comunicação, integrada às relações institucionais e públicas, é um ativo estratégico – não um acessório”, conclui.
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