Você tem fome de que?
14 de abril de 2021
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Para existir, o ser humano tem algumas necessidades básicas: alimentação, água, dormir, o mínimo para o corpo funcionar. A sociedade é formada por corpos que, com suas necessidades básicas atendidas, teoricamente deveriam, por instinto, funcionar como uma máquina. Nascer, crescer, trabalhar, se reproduzir, morrer. Mas precisamos de mais do que somente existir, existem vontades e desejos que são tão fortes como os instintos básicos: conexão, aprendizado, amor, troca, diversão, prazer. Existe uma fome que o pão não mata.

Desde tempos imemoriais, há tanto tempo quanto o homem, a arte existe como uma forma de matar essa fome. Ela envolve a vida, todas as pessoas em todos os lugares, até sem percebermos. É uma grande parte da nossa cultura e nos fornece uma compreensão mais profunda das nossas emoções, autoconsciência e da forma de nos relacionarmos com o outro. A arte nos faz refletir, questionar, buscar entender o porquê de as coisas serem feitas da forma que são e, se for o caso, pensar em como mudá-las. É por meio dela também que a história do mundo é contada, desde arte rupestre, escritos, música, poesia, pinturas, fotografias, até arte digital, e muito mais.

É o desenho na parede da caverna que registra a origem de um povo, a poesia que coloca em palavras um sentimento. É a fotografia que guarda a memória de uma família, a exposição contemporânea que faz uma crítica social. O filme que o casal assiste no cinema, a receita de família que o chef de cozinha serve no restaurante. A arte abre uma janela do indivíduo para o mundo, e o instiga a sonhar e imaginar, desejar e buscar novas realidades para si, transformando-se assim em um vetor para mudança.

Diversos livros já tentaram imaginar como seria o mundo sem as artes, como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, e 1984, de George Orwell. Ambos descrevem uma sociedade distópica e totalitária, em que uma população alienada não possui pensamento crítico para questionar nada, e qualquer informação divulgada pelo governo, verdadeira ou não, é aceita. Na epidemia de Fake News em que vivemos, essa discussão se torna cada vez mais atual.

A partir de hoje, escreverei mensalmente textos que abordam arte e cultura, em especial sobre como estas podem ser potentes ferramentas de comunicação corporativa, e a importância e alcance destas linguagens.

 

 
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