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07 de maio de 2026

Entropia de Comunicação: desordem e incerteza

Quanta energia sua organização perde com comunicação sem clareza e intencionalidade?
Elizeo Karkoski
 
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Você já parou para pensar que a comunicação é tão essencial que, mesmo quando é depreciada e desvalorizada, ela continua existindo intrinsecamente nas organizações?

A comunicação não é opcional. Ela não depende da existência de uma área formal, de um plano estruturado, de canais definidos ou de investimento. Ela acontece de forma contínua, em todas as interações, decisões e omissões. Está presente no que é dito, no que não é dito e, principalmente, na forma como as pessoas interpretam a realidade organizacional.

Quando a comunicação não é clara e intencional, o acaso assume o controle. Esse deslocamento aumenta a entropia do sistema, ampliando ruído e desgaste comunicacional.

A entropia mede o grau de desordem, aleatoriedade ou incerteza de um sistema. Ao aplicar esse conceito ao contexto organizacional, a comunicação passa a ser compreendida como um sistema vivo, sujeito a um processo natural de degradação de sentido ao longo do tempo. Sem direcionamento estratégico, sem governança e sem uma liderança preparada para atuar como articuladora de contexto, a comunicação tende a se fragmentar, ampliando a incerteza e comprometendo a capacidade de coordenação coletiva.

Segundo o relatório State of Internal Communications 2024, da AXIOS, 55% dos trabalhadores perdem até 2 horas por dia apenas esclarecendo dúvidas relacionadas à comunicação. Em escala anual, isso pode representar até 46 dias de trabalho desperdiçados por colaborador. Além disso, 43% do tempo dos profissionais é consumido apenas na absorção de informações.

O problema se intensifica quando se analisa o excesso de comunicação sem direcionamento. Segundo o relatório CCO Leadership Vision 2025, da GARTNER, 27% dos colaboradores relatam sobrecarga de informação. Esse grupo apresenta 3 vezes mais probabilidade de baixo alinhamento estratégico, 5 vezes mais chance de baixa intenção de permanência e 7 vezes mais probabilidade de se arrepender de decisões tomadas. O excesso desorienta.

As pessoas continuam se comunicando, interpretando e atribuindo sentido ao que acontece a seu redor. Constroem narrativas e buscam coerência entre discurso e prática. Sem condução estratégica, essas interpretações se fragmentam e perdem conexão com a intenção da organização.

Como aponta Yuval Noah Harari, organizações existem porque sustentam ficções compartilhadas, acordos simbólicos que permitem coordenação em escala. Estratégia, cultura, valores e propósito são construções que dependem de comunicação contínua para se manterem consistentes. Quando esses acordos não são bem comunicados, tornam-se frágeis.

Os efeitos dessa fragilidade são evidentes. Segundo a pesquisa Panorama Lideranças 2025, da AMCHAM em parceria com a Humanizadas, a comunicação mal distribuída já é apontada como a principal causa de falhas estratégicas, respondendo por 59% dos casos, superando fatores como disciplina na execução e resistência à mudança. 

Já o relatório State of Internal Communications 2024, da AXIOS, indica que apenas 14% dos colaboradores se sentem totalmente alinhados aos objetivos do negócio e que 49% dos que não se sentem alinhados planejam deixar a organização em até 2 anos. O mesmo estudo evidencia ainda uma ruptura significativa entre emissão e recepção. Enquanto 85% dos líderes acreditam que suas comunicações são claras e relevantes, apenas 45% dos colaboradores concordam com essa percepção.

Esse desalinhamento se intensifica no nível da liderança intermediária, que deveria atuar como elo de tradução estratégica. Na prática, a informação chega tarde, incompleta e sem critério claro de desdobramento. O líder, inserido nesse contexto, perde a capacidade de organizar o sentido e passa a operar de forma reativa. Como consequência, decisões são tomadas com base em leituras parciais, gerando ciclos recorrentes de frustração, retrabalho e perda de eficiência.

O sistema, portanto, passa a operar em alta entropia. Não por ausência de comunicação, mas por excesso desorganizado, sem narrativa, sem critério e sem direção.

Do ponto de vista de gestão, reduzir a entropia de comunicação não significa aumentar volume, mas estruturar o sistema. Isso exige clareza de narrativa, garantindo uma direção única e compreensível, governança bem definida para organizar fluxos e responsabilidades e, principalmente, desenvolvimento da liderança para atuar como articuladora de sentido, conectando estratégia, cultura e prática cotidiana.

A comunicação interna, quando tratada de forma clara e intencional, reduz incerteza, alinha percepção e direciona comportamento a favor do negócio e das pessoas. Quando negligenciada, não desaparece. Opera em alta entropia, consumindo energia, ampliando ruído e comprometendo resultados, como evidenciam os dados.

Se você atua com comunicação e precisa sustentar decisões com seus líderes, este é um ponto de partida. O próximo passo é transformar essa leitura em impacto mensurável dentro da sua realidade. Tornar visível o custo da desordem e, principalmente, o valor da clareza e do propósito na condução do sistema.

Comece pelo básico, de forma intencional e estratégica. Estruture um diagnóstico de comunicação para medir percepção e receptividade. Se quiser aprofundar sobre o tema, acesse o artigo no ablog da P3K. 

Cruze esses dados com pesquisas de clima ou pulses. Você terá evidências concretas para direcionar decisões, priorizar ações e fortalecer o protagonismo e a relevância da comunicação como ativo estratégico.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Elizeo Karkoski

Sócio-Diretor na P3K Comunicação, agência especializada em Comunicação Interna Estratégica e Endomarketing. MBA em Gestão Empresarial, Pós graduado em Design e Formação em Psicanálise. Na Aberje, teve participações como Jurado do prêmio Aberje e Universitário e Membro do Comitê de Comunicação com Empregados.

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