
A campanha eleitoral começou oficialmente. E, com ela, entramos também em um dos períodos mais sensíveis do ano para a reputação de empresas e lideranças. Em um ambiente marcado pela radicalização do debate político, não são apenas os possíveis impactos do resultado das urnas sobre setores e negócios que devem ocupar a atenção dos executivos. Há um risco mais imediato: o de comportamentos, declarações e até interações cotidianas ganharem interpretação política e repercutirem na reputação dos executivos e, por extensão, das empresas e organizações que lideram.
Quanto maior a visibilidade e a responsabilidade de um executivo, menor é a possibilidade de suas manifestações serem percebidas exclusivamente como individuais. Uma opinião, uma foto, uma curtida ou mesmo um comentário em uma reunião despretensiosa podem ser associados à organização que ele representa.
O desafio, portanto, não é silenciar ou deixar de se comunicar. Tampouco limitar o exercício legítimo da cidadania. Ao contrário. Empresas e líderes devem continuar falando sobre estratégia, resultados, negócio, governança e os temas que legitimamente fazem parte de sua trajetória. O cuidado está em não permitir que o ruído eleitoral capture a narrativa da organização e reconhecer que a reputação de quem lidera é indissociável da reputação da organização que representa e que, em um ambiente eleitoral polarizado, essa relação exige atenção redobrada.
Nas eleições de 2026, a tendência é de um ambiente ainda mais marcado pela polarização, pela amplificação dos debates nas redes sociais e pelo uso desmedido da Inteligência Artificial, inclusive para produzir imagens, áudios e vídeos manipulados. Nesse cenário, não basta cuidar apenas do que dizemos. É preciso considerar também como aquilo que dizemos, fazemos ou compartilhamos pode escapar aos ambientes originalmente previstos, ganhar novos contextos e produzir associações indesejadas.
É por isso que, na ANK Reputation, temos recomendado às empresas que preparem não apenas seus protocolos institucionais para o período eleitoral, mas também suas lideranças. Executivos precisam compreender que grupos privados não são necessariamente privados, que registros de encontros podem ganhar usos inesperados e que manifestações pessoais podem ser percebidas como posições corporativas. Um pouco mais destas orientações está disponível num guia prático produzido pela equipe.
A assimetria inerente às relações entre líderes e equipes exige cuidado adicional. Um comentário político aparentemente banal pode assumir outro peso quando parte de quem ocupa uma posição de liderança, gerando constrangimento ou sendo percebido como pressão e até mesmo coação por aqueles que pensam de forma diferente.
O desafio, portanto, não é deixar de comunicar. Ao contrário. Empresas e líderes devem continuar falando sobre estratégia, resultados, negócio, governança e os temas que legitimamente fazem parte de sua trajetória. O cuidado está em não permitir que o ruído eleitoral capture a narrativa da organização.
Reputação é, em grande medida, resultado da interpretação dos outros sobre nossas posições e comportamentos. Em um ambiente polarizado, essa interpretação acontece mais rápido, com menos contexto e consequências potencialmente maiores.
Para as lideranças, talvez a melhor pergunta antes de uma manifestação pública neste período seja simples: se isso sair deste ambiente e chegar amanhã aos meus colaboradores, clientes, acionistas ou à imprensa, continuarei confortável com o significado que poderá assumir? Em ano eleitoral, prudência não é omissão. É responsabilidade.
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